um quarto do todo.

Passamos quase um quarto das nossas vidas nos preparando para viver. Para o dia em que vamos escolher uma profissão, uma família, e, enquanto isso, recebendo, de todas as frentes, ensinamentos sobre biologia, matemática, química, física e relações interpessoais; sobre aquilo que devemos fazer e que não devemos fazer aos nossos amigos, inimigos, familiares, etc, etc.

Passamos um bocado de tempo preocupados com os nossos planos para o futuro e depois reclamando sobre a não concretização desses mesmos planos, sempre tentando satisfazer alguém. A professora, o cliente, o chefe. E daí vêm infinitos questionamentos: será que estamos absorvendo algum conhecimento dessa experiência? Será que seremos reconhecidos? Será que é dessa forma que devemos mesmo fazer isso ou aquilo? E poucas respostas. Quase nenhuma resposta, na verdade.

Se há uma coisa nessa vida que temos certeza é de não ter certeza de nada. Se vamos conseguir pagar as contas mês que vem. Se estamos fazendo as coisas por paixão ou obrigação. Se estaremos felizes com as nossas escolhas, com as nossas vontades, e se teremos esses mesmos desejos e escolhas ano que vem ou daqui há 10 anos. Quem nós seremos, afinal, daqui há 10 anos, não é? Ninguém sabe.

Mas mesmo sem sabermos direito aquilo que queremos, onde estaremos ou como vamos sobreviver até semana que vem, continuamos insistindo. Mesmo sem fazer absolutamente nada diferente, o mundo anda, afinal, pra frente. Levados ou não pelo acaso, pela nossa gana em conquistar sabe-se-lá o quê – ou simplesmente porque precisamos – estamos lá. Repensando, replanejando, refazendo a vida que nunca foi feita de fato, que nunca se concretiza, que nunca é plena.

E talvez um dia a gente entenda que há motivos, afinal, para termos sempre essa sensação de não conclusão em relação ao todo.

Pra que não percamos, afinal, o fio da razão.

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