o poder do tédio.

Conheci pessoas que viviam relacionamentos super sérios. Seríssimos. Namoravam há 5, 10, 14 anos, sem nunca terem pulado a cerca. Sempre cumprindo os protocolos, ligações obrigatórias diárias, romantismos, etc, etc. Gente que não se permitia olhar pros lado nem pra fazer baliza, numa paranoia total de fidelidade, respeito e monogamia. Gente que ficou noiva aos 21. Ficou casada por 14 anos e um dia, como se acordasse de um pesadelo, raspou as pernas e caiu na vida.

Desistiu daquela coisa programadinha, certinha, quadradinha. E num ímpeto de sentir todas as coisas que sempre reprimiu, está sozinho até hoje. Sozinho não, veja bem, solteiro. Hoje essas pessoas já não sabem mais se querem ter alguém de papel passado, assinado, carimbado. Alguém pra levar nos jantares corporativos e fazer bonito pra burguês ver.

Se todas as coisas boas na vida são boas porque são livres, porque as pessoas insistem tanto em aprisionar o amor?

Como aquele livro que você adorava até ser obrigado a ler na escola. Ou aquela profissão que você escolheu (e curte, ok), mas que perdeu um pouco o sabor pelos destemperos naturais do dia-a-dia. Ou aquele doce que você era viciada e que de tanto consumir, enjoou.

Como se o amor fosse mensurável, trancafiável, como se fosse possível deixá-lo num potinho sem alimentar, obrigando-o a não querer sair por aí, na próxima esquina.

Nossas certezas mudam constantemente.

E cabe a nós mesmos nunca estarmos confiantes de que as coisas são mesmo assim, imutáveis.

No amor, na dor, e pro resto da vida, vale cultivar.

Pra que a gente não seja surpreendido por aquilo que a gente mesmo se tornou.

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