coitadinhos.

Dentre as coisas que devemos desejar para àqueles que queremos bem, há uma que eu espero, de todo o coração, que você nunca tenha que lidar: o fardo de conviver com alguém que reclama demais.

Aquela pessoa que se sente dia sim, dia também, uma coitada. Se diz vítima de todos os males, de dor na perna,  no bolso e no coração – que é partido, sem fim, todos os dias,  desde que nasceu – e que sofre,  se revira e desvira no sabor amargo da própria dor. Que vive, e já se estabeleceu por ali, na miséria do amor, da amizade ou de uma família bacana. Que o trabalho é uma merda, que a vida pessoal é uma merda, que os finais de semana, os dias de sol ou de chuva, o celular, a comida por quilo ou os sapatos que escolheu para usar no dia de hoje, óh, tudo é uma merda. Até as férias são uma merda, veja só que coisa mais triste.

E ninguém pode se dizer mais infeliz que o tal ser humano, nunca, jamais. Os sofredores crônicos  já se colocaram no top top da escala de vida desgraçada, e ai de você se aparecer com um probleminha. Ai de você se acordar num mal dia ou levar um ocasional pé na bunda, pode engolir esse choro aí: você não sabe nada, nem nunca vai saber, do que é dor de verdade, ok? E tenho dito.

Os sofredores convictos vivem num ciclo continuo de azar. Aliás, nunca reconheceram que possa existir sorte, essa coisa fictícia que acontece com todo mundo menos com eles. Sorte é pra quem já nasceu rico, bonito e sem conta nenhuma pra pagar. Sorte é coisa que Deus distribuiu só na área VIP do céu, aquela que obviamente, uma pessoa tão infeliz como essa, passou longe.

E esse tipo de gente, infelizmente, existe aos montes. Está se multiplicando feito praga, mais que calça beetlejuice, mais que virose de  praia pós carnaval. Uma tristeza.

Veja bem, se não tivéssemos aí, uns bons problemas pra resolver, não nos motivaríamos a nada. Se a vida fosse ganha, nosso estímulo seria inexistente. Viveríamos como zumbis, apáticos. Nesse ponto, conviver com um sofredor é uma lição diária de que nada é tão ruim assim que a gente mesmo não possa piorar. A felicidade mais tem a ver com o modo que lidamos com os nossos problemas do que pela existência ou não deles. Eu, ao menos, faço parte de uma categoria que gostaria, caro leitor, que você também fizesse parte: os felizes opcionais. Aqueles que assim como eu e você não vive sempre os dias mais maravilhosos do planeta terra, mas que vai dormir acreditando que pode sim – e sempre – ser um pouquinho melhor.

Anda se lamentando que a vida não está tão bacana? Mude.

Certamente, dia desses aí, você vai esbarrar em um sofredor desses convictos, lembrar de mim e perceber que o mundo é bão, Sebastião. A gente é que só reforça o que doeu.

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3 Comments

  1. nossa, tem uns que ninguém aguenta! se você fala que tá doente, a pessoa diz que outro dia foi parar na uti. se você pegou um resfriado, nossa, quase que ela morreu de pneumonia! cruz credo.

    a gente tem mais é que mudar mesmo! a vida é (e muito!) (e isso não me inclui como reclamona ok) difícil, mas é a gente que escreve as decisões, né. dá sempre pra colocar um sorriso na cara e tentar reclamar menos.

    beijocas, eriiii <3

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