o outro lado.

Já namoro há algum tempo e estou bastante feliz com o meu atual relacionamento. Tão feliz que às vezes esqueço de ver o outro lado da moeda – o das queridas amigas que estão solteiras, porém, não sozinhas, que estão na constante busca de alguém para dar aquela temperadinha na rotina.

No jantar de ontem, com muitas risadas, gritos e comidas engordativas, falávamos sobre os antigos, os novos e os casos que ainda estão por vir. Numa tempestade de menções bem humoradas ao passado e memórias um tanto quanto traumáticas de uns e outros “rolinhos mais expressivos” percebi que nós mulheres não queremos muito. Aliás, não queremos nada, praticamente.

Em resumo, de todas as nossas não exigências para o talvez amor, fiz um texto corrido, como se fosse dito por uma pessoa só.

Tenho certeza, absoluta, que vai fazer sentido para muitas de vocês:

“Eu só quero me relacionar com pessoas normais, que não me roubem. Que tomem banho, trabalhem, que não tenham manias esquisitas. Só quero gostar de alguém que coma carne e não tenha uma religião alternativa que exija um comportamento x, y ou z. E que me aceite quando eu falar palavrão e pagar de louca pela rua (quem nunca???). Quero gostar de alguém que tenha o mínimo de estabilidade e coerência emocional, que não me mande SMS’s impulsivos – bêbados, sóbrios ou sem noção mesmo – prometendo amor eterno.

Que não bata na porta da minha casa às 3 da manhã querendo colo, sexo e depois suma por 3 meses e apareça noivo, com 2 filhos pequenos e todo um histórico bizarro de ex-namoradas. Só quero gostar de alguém que não trabalhe diretamente comigo. E se trabalhar, que tenha a decência de não ter um caso paralelo com a minha amiga de baia com o maior descaramento e com a certeza absoluta de que, eventualmente, vou saber dos detalhes mais sórdidos de tu-do-que-a-con-te-ceu nesse “rolinho”. Quero um amor que goste de cachorros, mas não tanto a ponto de querer salvar TODOS eles, juntos, e que prefira passar seu tempo jogando bolinhas que tendo um verdadeiro contato com o mundo real. Quero gostar de alguém que páre de andar de skate depois dos 26 anos. Ou que entenda que existem coisas mais interessantes para se fazer quando se viaja. Isso também se aplica aos surfistas.

Quero um homem que invista o seu dinheiro em algo que tenha valor de mercado. Que não fique colocando luzinha em carro e listras adesivas ridículas em cima do capô. Quero gostar de um cara que pague, pelo menos no nosso primeiro encontro, a conta inteira. Porque ele quer o melhor de mim e quer me dar o melhor que puder. Mesmo que seja um lanche do McDonald’s, um saco de pipoca. Que me leve num motel de qualidade sem nem questionar, não precisa ser a suite mais cara, no lugar mais badalado, nós não ligamos para o sua conta bancária – mas para o quanto valemos o seu investimento (update: EMOCIONAL – Thanks, Bia!). Quero gostar de um sujeito que não use cuecas bege, que não me chame de princesa, de boneca ou de qualquer desses apelidos pré-definidos vexatórios. E só. Só isso.

Se nós temos que ser magras, lindas, depiladas, bem vestidas, cheirosas, inteligentes, não interesseiras, dispostas, comprometidas, fiéis, trabalhadoras e independentes, que, ao menos, eles sejam algumas das coisas que a gente espera.

As solteiras agradecem.”


Você também pode ler

10 Comments

  1. Investimento??? Eu lá sou banco pra valer o “investimento”? Quero que valha o investimento emocional, que ele invista energia em mim, que gaste muito tempo comigo ou por minha causa. E que se for me dar alguma coisa, pode ser um saco de pipoca ou lanche do McDonalds. Mas que tenha algum motivo, que saiba que eu sempre quero pipoca e como enquanto tiver, ou que a maionese do McChicken me faz acreditar em deus. Não porque ele quer me dar o melhor que puder. Balela falar isso e dizer que não liga pra conta bancária. Que bola fora….

  2. Pô Bia, mas foi a esse tipo de investimento que eu me referi – o emocional mesmo! Eu também AMOOOO a maionese do Chicken!! AMO, MU-I-TO. Obrigada pelo comentário e desculpa se me expressei mal nessa parte! =/

    Bjão!

  3. Mesmo que seja um investimento emocional, é um investimento. Eu quero o que ele puder me oferecer, mas não o dinheiro dele ou a conta bancária. Só namorei pé rapado e o que mais me dava prazer era ganhar uma carta ou um desenho ao invés de um brinco caríssimo. No entanto, eu também ficaria muito feliz se ele me desse os dois.
    Por mais capitalista/machista/grotesco que soe dizer que é um investimento, a via é de mão dupla. Os dois investem.
    É inerente ao ser humano a busca pelo conforto e carinho – e os presentes são uma representação disso, mesmo que seja um origami num guardanapo.
    Mas concordo com você, Bia. Valorizo muito mais o tempo comigo e a maionese do McChicken do que o “fazer o bem sem olhar a quem”.

  4. Disse T U D O !!!! Estou num momento conhecendo um cara que pelo amor, muito complicado! O cara não sabe conquistar, não sabe se gosta ainda da ex, tem uma filha, diz que não quer nada sério, mas me pergunta onde eu tô, não tem muita atitude, é do meu trabalho (mas graças a Deus não somos do mesmo andar) e ainda sei que dá em cima de várias meninas aqui do trabalho. Isso tudo em 20 dias e o cara vem com papo sério, eu só quero curtir e ele já acha que eu tô gamada! Desculpa pelas frases desconexas, mas é tanta coisa junta que eu tô perdida. Como eu sou dessas que peço conselho e logo já pedi uma ajuda a um amigo meu que me disse: ESQUECE! Não presta! E eu concordo.

  5. HAUAUHAUHUAHA… Calma Bianca! Uma hora, tenho fé, tomo mundo encontra alguém que vale a pena!!
    Se não for dessa vez, se não for do trabalho, você encontra!

    E se precisar, manda um e-mail aqui pro Consultório! Vou ter prazer em entender (e aconselhar) melhor sobre o seu causo!

    Boa sorte! E obrigada pela visita! =D

  6. Esse foi o texto da discórdia! Adorei o engajamento dos leitores!
    Vou ler o texto que você indicou, Felipe! Obrigada por comentar!

    =D

  7. Nossa, agora que voltei aqui e reli meu comentário é que vi como eu tava estressada!!! rs Eu entendi o que você falou, Érika. É que eu sou radical nesse assunto mesmo, me sinto super mal se uma pessoa com a qual eu não tenho super intimidade paga alguma coisa pra mim. Me sinto devendo favor. Então realmente prefiro que não me paguem coisas, principalmente nessa fase de “teste”, inicial.
    E tava tão estressada que só meti a boca e nem falei que eu adorei o resto do texto 🙂

  8. Éricka, sensacional.
    Não só o conteúdo do texto (concordo com tudinho!), mas a forma como tu escreve e as expressões que tu utiliza. O modo como tu começa o texto me mantém presa a ele até o fim. Demais!
    Meus parabéns!
    Beijoca!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *