o amigo de um amigo meu.

Meu amigo tem um amigo que ama demais. Ama instantaneamente. Passa por um único final de semana ensolarado, de carinhos e conversas sem sentido e pronto – já está lá amando, prometendo casa, comida e roupa lavada. Basta um churrasco, uma caipirinha e uma moça de bom papo. É isso. Ele já está alucinadamente apaixonado.

Esse amigo do meu amigo não espera virem as primeiras brigas, os desentendimentos. Tem tanta pressa de amar e ser amado que pula todas as etapas – boas, ruins e medianas – dos relacionamentos convencionais. Já casou e descasou três vezes. Poderia ter tido uns 10, 12, 15 filhos se não fosse um sujeito prevenido:

“Amar demais é uma coisa, ser bobo é outra”, ele diz.

Pelo menos 3 vezes por semana esse amigo do meu amigo encontra pela rua alguns ex-amores, cheio de sabores. Nunca guarda rancor de nada e todo o relacionamento verdadeiro e eterno que ele vive por final de semana, mais ou menos, acaba da mesma forma que começou – sem grandes conhecimentos, explicações, sem desculpas ou ensaios. É tudo ou tudo, de uma vez só. Paixão, declarações desenfreadas e paz, sempre.

Diz esse amigo do meu amigo que quando se perde a paz, perde-se também o amor. Que quando as pessoas começam a querer obrigar as outras a ficar, a amar, a declarar-se, a estar presente e a retribuir, lógico, o tal do amor maior do mundo, é sinal que o amor acabou.

E ele segue essa regra.

Não se deixa prender demais, apenas se perde. Finge que vai ser assim pelo tempo que tiver que ser, e ama a Roberta, a Carla, a Carmem, a Sara, a Patrícia, as Joanas e Priscilas intensamente. Todos os amores foram grandes amores, todos foram excelentes, todos ensinaram muito e não erraram em momento nenhum. Esse amigo do meu amigo quer tanto amar e ser amado, quer tanto ter a certeza de que fez a escolha certa que prova todas as flores do jardim. Primas, amigas, vizinhas, todas que estiverem dispostas a viver tempos breves e bons ao seu lado.

E há muitas que topam.

E acham mesmo que o que vale no amor é ser feliz enquanto puder, sem amarras.

Mesmo que perder doa, mesmo que sejam brevemente substituídas. Melhor conhecer o amor e saber que ele existiu do que nunca, sequer, ter a chance de sentí-lo.

E é só isso. E mais nada.

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