Monday May 27, 2013 11:16

my pussy é o poder.

Posted by erickamr

A foto é daqui óh: http://www.dooda.com.br/curiosidades/entenda-a-marcha-das-vadias/

Vivemos em um mundo super moderno e descolado. Um mundo em que podemos usar vestidos curtos e justos pelas ruas e nos sentir ma-ra-vi-lho-sas. E nuas. E inseguras. E julgadas. E nesse mundo moderno, em que temos a liberdade de vestir e parecer aquilo que quisermos, raramente somos o que demonstramos. Temos encanações com o nosso corpo, problemas durante nossas relações sexuais e, mais que isso, uma vergonha enorme de conversar com quem quer que seja sobre esses problemas, seja por religião, seja por tradicionalismo, seja porque foi nos ensinado que sentir prazer, de qualquer tipo aliás, é coisa de vagabunda.

Nos foi dito, em algum momento da nossa existência, que mulher de verdade casa virgem e usa saia abaixo do joelho. Aí veio a moda, veio a mídia, as piadas sexistas, vieram os funks agressivos e cheios de trocadilhos e nos vimos obrigadas a demonstrar que também tínhamos poder, que, aliás, tínhamos o maior poder do mundo: o de gerar filhos. O de proporcionar prazer aos homens por meio dos nossos corpos, mesmo que não sintamos nada com isso, mesmo que depois de dez anos casadas, com filhos, não tenhamos uma gota sequer de satisfação em estarmos lá, nuas, e completamente sem consciência do que nos faz feliz. E se você é uma mulher que tem a sorte de ser super bem resolvida nesse setor, levante as mãos para o céu. Porque essa não é a realidade de 90% dos casais que escrevem para o Consultório e é esse tipo de reação à peitos, bundas e órgãos sexuais que deixa as pessoas problemáticas. Que deixa as pessoas doentes.

Dizem que é culpa do cristianismo, mas não é. Dizem que a culpa é do sistema, mas também não é. Dizem que tem a ver com criação e família, mas eu acho que tem a ver com toda uma sociedade. Com as coisas que já estão embutidas na nossa existência, no nosso modo de vida, na nossa cultura. Com brincar de Barbie ou de carrinho, com ter poder ou submeter-se inteiramente a ele.

Este texto não é sobre feminismo, sobre machismo e de nada tem a ver com a marcha das vadias (ilustrada acima) que tanto mexe com a cabeça dos mais conservadores. Tem a ver com igualdade entre os seres humanos, e não aquela física ou monetária, mas psicológica. Tem a ver com o fato de que um homem conhece a masturbação desde os 9 anos de  idade e de que a mulher, sequer, sabe direito o que é isso. Ri pelos cantos da boca com as piadas machistas enquanto está na escola, cresce, não se conhece e acaba traumatizada quando, lá pelos 18, se vê pressionada a saber sobre o assunto. Obrigada a gostar da coisa. A agir naturalmente quando é cantada na rua por todos os demais seres do sexo oposto. E a estar completamente preparada (psicologicamente e fisicamente) para uma relação intima a dois.

“O que meus pais vão pensar de mim se eu tomar pílula?”  X  “Qual cara vai me querer se eu não tiver nenhuma experiência?”

Desses dois questionamentos surgem as jovens grávidas. Ou as traumatizadas. Ou àquelas que não vão conversar com seus filhos sobre isso, que vão fingir ser felizes, que vão fingir ter prazer ou que, num surto de libertinagem, acabam por colocar os pés pelas mãos e a sair por aí, sem discernimento, sem segurança e sem pudores em busca de um prazer instantâneo e fugaz.

E triste.

Essa discussão é longa, polêmica, bastante controversa e está longe de ter fim. Não sou à favor da Marcha das Vadias, mas não porque não acredite no seu real sentido ou na sua origem  histórica; o brasileiro, simplesmente, não está preparado para entender isso. Para grande parte da sociedade, mostrar os seios com frases de efeito soa a rebeldia e a desrespeito. E não significa mais do que pouca vergonha. Ao invés de estimular uma discussão saudável sobre o tema, as vadias e vadios que apoiam a causa acabam por ridicularizá-la. E a reforçar a tal “fragilidade” feminina. Da mesma forma que sou contra à Parada Gay e à Marcha pra Jesus, por exemplo. É sério. Não é pela causa, é pelo buzz inverso que isso promove.

Com ou sem marcha, a questão é que não podemos ignorar o tema. Precisamos abrir nossa mente e falar sobre isso, como deve ser dito, sem tabus ou proibições. Com todo mundo vestido, argumentando, conscientizando, com as políticas públicas envolvidas. Já é um belo começo. De uma sociedade menos violenta, de pessoas mais felizes.

E de menos mulheres que se submetem àquilo que as fere fisicamente e emocionalmente.

Infelizmente, essas ainda marcham em silêncio.

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