por uma bunda mole.

Entro em tantos blogs de beleza, moda e beauté, que encanei que estava com a bunda molenga. Não muito molenga, mas um pouquinho sabe? Com uma celulitezinha na parte de baixo? Que você vê quando apoia o peso em uma perna só? Então.

Eu, que nem bunda tenho direito, me vi velha, me vi flácida, um pecado, um problema, uma coisa assim, inimaginável. Parei de comer doce e tomar refrigerante. Fui ver o preço de uma academia perto de casa, super empenhada em perder algumas horas de sono pela manhã e quase caí pra trás: não sabia que pra ter uma bunda dura era preciso investir mais de 1/4 do meu super suado salário de jornalista.

Pensei em começar a andar todos os dias no parque, mas de manhã, com esse frio paulistano, sozinha, dava uma pãtcha preguiça. Como minha motivação para a atividade física não era assim, tão proporcional a de endurecer os glúteos, logo, desisti.

Falavam tanto sobre reeducação alimentar e mudança de hábitos, que deixei de lado os hamburgueres, a cervejinha do final de semana e os amendoins. Como meu colesterol já é mesmo um côco, os primeiros 15 dias não foram tão sofridos. Só jantava salada. Parei de tomar o leite integral tipo A, que eu tanto amava, e substitui todos os pães por aqueles de grãos, integrais. O Toddy, o requeijão, o suco de uva, a farinha de trigo, o creme de leite, o salame e até o sabão em pó que eu comprava, passaram a ser light. Com ômega 3. E se estivesse escrito na embalagem que era 0% de gordura trans, então, já investia logo em 3 pacotes. Do absorvente à pasta dental.

Nunca precisei emagrecer, muito pelo contrário. Acho que precisava era engordar. Mas estava tão frustrada por não fazer nada em relação a mim mesma que entrei em fóruns e páginas sobre o tema, cismei que precisava começar, nem que fosse em casa, pelo menos uma ginástica localizada. Fazia agachamentos na frente do espelho e assistia, minuto a minuto, o “engeleamento das pernas” acontecer. Trashíssimo.

Passei para a fase de apelar para a estética. Comprei um creme de celulite que esquentava, outro que esfriava, outro que drenava, outro que endurecia e um outro pra estrias (vai que elas surgissem de um dia para o outro?) Foi fácil comer menos nesse mês, aliás, já que gastei tanto com cremes que fui obrigada a viver de atum enlatado fo-re-ver. E não morri. Assim como se tivesse comido pão com ovo todos os dias. Era por um bem maior.

Sabe, toda a minha motivação para ter a bunda dos sonhos fazia parte da porra do sistema, na verdade. Não vinha de mim. Eu nunca me alimentei mal, nunca tive uma vida sedentaríssima, nunca fui de tomar 30 litros de refrigerante, e olha, sinceramente, não ligo pra doce.  Somos tão intensamente bombardeados com a ideia de que emagrecer é importante, de que ter um corpo bacana é importante, que não dá pra fugir. Do dia pra noite, todo mundo no mundo resolveu ter uma vida saudável. Resolveu andar de bike, parar de fumar, comprar aquela calça listrada horrorosa e fingir que alface pode ser muito, muito gostosa – basta apenas mudarmos de hábitos. Isso não é de todo ruim, ou de todo falso. Alface pode mesmo ser uma delícia, com bacon e molho. Com pedaços de filet mignon. Ou como parte de um PF daqueles, com um bife à parmegianna caprichado no queijo e no molho ao sugo. E sim, alguns hábitos podem ser responsáveis por uma morte prematura e devemos, de fato, cuidar mais do nosso corpo.

A questão é que não é todo mundo que precisa emagrecer; as pessoas precisam é ser mais felizes.

E parar de fingir que a saúde é o principal motivo que move os seres humanos a perder peso, porque não é. O que nos motiva a mudar, sempre e em qualquer ocasião, é a vontade de sermos admirados, queridos, inseridos. A vontade de caber numa saia 36 quando quase 80% da população brasileira (que é linda, por sinal!) veste 42.

Reveja o que você faz. Reflita se as atitudes que guiam sobre sua vida vem mesmo de você, se fazem sentido no seu contexto, se serão elas as responsáveis em te fazer atingir aquela satisfação pessoal que você ainda não encontrou.

E como bacon. Pelo menos no Natal.

É ótimo.

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5 Comments

  1. Querida, concordo que ser magra e caber na calça 36 é um sonho (o meu ainda é é voltar para o 38) por um padrão estético de beleza. Pelos padrões de beleza impostos seja pela sociedade ou por mim mesma, entrar na calça 40 e ser chamada de gostosa pelo namorado não basta. E ao mesmo tempo, lembrar de quando vesti 38 (exceto aos 15), não foi por um motivo mto feliz. Então vivo um paradoxo…fico triste e emagreço para ser feliz ou começo a ser feliz, apesar de gordinha?

  2. Olá.
    Adorei o conteúdo do seu blog, é exatamente o que procuramos para nosso Portal, Quer fazer parte do Portal Teia e ter suas postagens divulgadas gratuitamente?
    Se interessar faça uma visitinha!
    Até mais

  3. Oi Alfredo, tudo bem?

    Obrigada pela visita! Visitei o Portal Teia, achei a proposta bem bacana. Entre em contato comigo pelo e-mail hipervitaminose.blog@gmail.com para conversarmos sobre uma possível parceria, ok? E desculpe a demora para responder esse comentário… Ando correndo muito com as coisas da vida! Rs…

    Um beijão!

  4. por isso que eu adoro o seu blog!!! esse texto eu ainda não tinha lido e adorei…
    eu estou entrando em uma dieta rigorosa, mas porque estou bem acima do peso e realmente preciso emagrecer, pela minha saúde, pra ter mais tempo com meu filho, e PRA CABER DE NOVO NAS MINHAS ROUPAS!!! é essa a minha motivação… nada de modinha 😛

    bjos 🙂

  5. “Bunda mole”? Pode até ser… mas, com todo o respeito, é uma bunda gostosa! Desculpe a franqueza… é que adoro mulher com o bumbum como esse da foto!

    Muitos não ligam para essas coisas, se a mulher tem celulite, se está com uns quilinhos (e, para alguns, até uns quilões) a mais. O que muitos homens querem – e poucos admitem -, são mulheres com curvas bem definidas, com coxas grossas, seios grandes e bunda enorme! Se tem celulite no bumbum, se tem culote, se tem umas dobrinhas nas costas, isso não importa: o que importa é a mulher se sentir amada e desejada!

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