cão e gato.

Eles brigavam o tempo todo. Ela confessou para as amigas que nunca chegou ao orgasmo e ele dizia aos caras que o que ele queria mesmo era poder jogar futebol no sábado à tarde. Ela não gostava de cerveja, não suportava barba por fazer e ele tinha espírito de Homer Simpson, piadista, e uma pancinha de bacon que adorava evidenciar. Detestava ter que colocar uma roupa bacana pra ir nos lugares requintados que ela adorava –  “É final de semana, pô!” – Esbraveja.

Para resolver o romance que andava ruim, resolveram morar juntos. Achavam que o problema não estava na total incompatibilidade de pensamento, mas na distância, na falta de rotina ou de planos em comum. Ela decorou a casa com mil bibelôs que ele quebrou jogando Wii, mas não foi por esse motivo a pior e maior briga. A coisa ficou feia mesmo quando ele foi ao casamento da prima dela de tênis. O fotógrafo riu, a mãe dele reparou e fez cara feia, e ele, coitado, chamou a mãe do noivo de gorda, num súbito de sinceridade desmedida e constrangedora.

– Você não tem postura! – ela reclamou.

– Você é chata! – ele gritava.

E foram embora no mesmo carro, pra mesma casa, dormir na mesma cama. E por dias e dias angustiaram aquilo que perderam da vida enquanto ficaram 6 (ou 8) anos juntos. Se estranhavam nos corredores pela toalha molhada, pelos copos espalhados, pelas roupas manchadas e pelo pó que acumulava atrás das portas.

Não dava mais.

Ele voltou pra Sorocaba e ela foi morar em Montevidéu.

Ele descobriu que era excelente com as palavras e me mandou um e-mail.

Ela, enfim, casou com um amigo de família, que a mãe dele adora, que o vô paparica e que só veste Ralph Lauren.

Dizem por aí que ele é super careta, ela concorda.

Posso imaginar.

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