vai e volta.

As pessoas preferem re-namorar aqueles que se foram a tentar algo novo, rebobinando sem parar a fita da vida, numa ciranda de revezamentos e figurinhas repetidas.

Não há mais a surpresa em abrir cada novo pacotinho, não são mais necessários ensaios, meias palavras ou qualquer coisa do tipo. Não temos que contar sobre medos, anseios ou aquela mania chata de dormir de luz acesa. Não há mais a novidade, pelo contrário, há sempre a esperança do velho que pode ser diferente, a lembrança do que foi, passou, ficou e de certa forma, se acomodou num quartinho aberto, ensolarado, de janelas amplas.

Pra que correr o risco de sentir do bom e do ruim de novo, de reviver aquela surpresa do primeiro beijo ou de um sexo quente quando podemos usar meias? Quando nos é permitido esquecer a depilação ou deixar a cama desarrumada sem muitas justificativas? Pra que explicar-se para um novo alguém, ter de conhecer pai, mãe, irmão chato, sorrir para quem não tem vontade e simular aquilo que não é?

Temos preguiça. E vontade de ignorar que uma das poucas coisas que não se perde quando um grande amor se vai é a intimidade.

E acho que só.

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