uma única chance.

É comum que as mulheres se culpem no final de um relacionamento sem nem ao menos se importar com as circunstâncias que esse tal fim se deu. É comum também ter o desejo de tentar de novo sem pensar muito, levadas pelo calor do momento e por mais meia dúzia de promessas e todas aquelas coisas que funcionam muito bem nos minutos finais dos filmes, mas que, na vida real, não duram para sempre.

Às vezes a dor ainda é eminente, latente, gritante, mas sei lá. A gente gosta de ter a oportunidade de pensar que vai fazer tudo diferente numa segunda chance, que vai corrigir os erros, se livrar do passado e mudar o outro – seja lá em que sentido e a que custo, sem pensar que quando as coisas chegam às vias de fato o fim já se deu bem antes, nos primeiros sinais de fraqueza.

Se a gente não corrigiu as coisas enquanto era tempo, enquanto dava pra desatar os nós, os traumas, tretas, transas, enfim, os males que assolavam a vida a dois, por que essa insistência em ter fé no ontem? Pra ver até que ponto somos capazes de sofrer ainda mais? Ou pra viver tudo até secar? Até definitivamente não ter um caminho aberto nem para o perdão?

Para se ter dignidade e amor próprio também é preciso que existam limites. E que estes sejam delimitados não apenas pelos conselhos de mãe, pai, melhor amiga ou blog metido à besta, mas compreendidos e valorizados por você. Que viveu e esteve presente do começo ao fim e que mesmo cheia de feridas abertas insiste em pular de cabeça na piscina de álcool (ou cogitar, seriamente, em se entregar, mais uma vez, a uma situação nociva).

Uma vez só e chega. Porque apesar do coração ter suas (boas) razões a gente precisa entender que nem sempre elas fazem sentido.

E que depois vai doer um bocado.

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