alguma coisa se perdeu.

Não sei o que andam ensinando para as mulheres por aí. Não sei mesmo. Sou extremamente à favor da liberação sexual, da igualdade entre os sexos na hora da paquera, já até defendi as vagabundas por aqui. Acho que em pleno século XXI é super justo (e correto) que uma mulher tome a iniciativa em uma relação, que vista aquilo que desejar, que trabalhe, que seja independente,  etc e tal, mas vamos com calma: ser livre está muito longe de agir como prostituta. E, infelizmente, as coisas andam se encaminhando para o apelo sexual de uma forma muito maior do que deveriam.

Por mais que o tema choque os mais conservadores e talvez ataque as feministas libertinas,  digo a palavra “prostituta” em seu sentido mais amplo e não profissional, na sutileza das pequenas atitudes. Até porque uma profissional do sexo passa por muito mais desafios e dramas que eu conseguiria descrever e, quase sempre, é muito menos vulgar e mais discreta que as mulheres “normais”.

O sexo feminino tem sim o poder da sensualidade e sabe usá-lo de um jeito incrível. Mas será mesmo que precisamos estar sempre “na pista”, “na faixa”, “no topo”, a qualquer custo? Será que é mesmo necessário investir no silicone abusivo, no minimalismo da lingerie e dos vestidos curtinhos para mostrar que temos total controle sobre o nosso corpo e vida? Isso, por acaso, não está gerando mulheres mais infelizes e escravas da estética que felizes de fato?

A mulher que aceita ficar com um cara só porque ele paga a balada, age como prostituta.
Aquela que seduz o segurança para conseguir o camarote VIP, age como prostituta.
Aquela que usa decote para passar de ano na faculdade, age como prostituta.

As que reclamam que nunca são valorizadas por terem um “passado condenável”, as que não conseguem ser fiéis a um único homem por serem impacientes, as que acreditam que é errando (sempre) que se aprende, mesmo sem querer, mesmo sem saber, agem como prostitutas.

Porque às vezes buscamos tão desesperadamente preencher algum vazio que temos, que enfiamos os pés pelas mãos. E esquecemos que quase tudo na vida é difícil.

Sempre quando colocamos o nosso corpo como um pedaço de carne, acima do que somos, corremos o risco de ser mal interpretadas, corremos perigo, até. Seja de sofrer abusos físicos e de alguém ir muito além do que desejávamos ou de vivermos sempre na casca, sempre de bar em bar, superficialmente, confundindo bons momentos com felicidade.

Ser feliz também dói um pouco, é complicado, desgasta e tem o poder, é claro, de durar muito mais que uma única noite.

Está na hora de encontramos aquela parte de nós que se perdeu por aí. Tudo nessa vida, inclusive aquilo que achamos ser pra sempre, é perecível.

Lembre-se disso.

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