língua afiada.

Dizem que as mulheres são o maior gênero fofoqueiro já visto sobre a Terra. Discordo. Já repararam como os homens gostam de comentar sobre a vida alheia também? E sem nenhum filtro para isso?

Acho que a maior diferença entre homens e mulheres para fazer fofoca é a motivação. Os primeiros, via de regra, reclamam. As segundas, invejam. E não venha me dizer que você está fora de um desses grupos.

Falar de alguém, mais que um hábito feminino ou  masculino, é humano. Parece que quando uma pessoa nos incomoda,  é inevitável ela não pautar nossas conversas durante o almoço da firma, o chopp com os amigos ou um bate papo informal no Facebook. Às vezes, nossa obsessão pela vida de alguém é tão grande que acabamos prejudicados pela língua – e aumentando um pouquinho as histórias no calor das emoções.

As pessoas tendem a pensar que as palavras tem menos poder que as ações. Em parte, isso é verdade. Mas o fato de um grupo perder tempo de vida pura e simplesmente para tecer algumas maldades sobre alguém, quem quer que seja, pode gerar um clima terrível e mágoas, às vezes, irreversíveis.  Uns dirão que melhor que ficar aos cantos falando de outra pessoa é sermos super sinceros e jogar tudo na cara, sem pudores, para que as coisas fiquem em pratos limpos. A verdade é que poucos tem coragem de falar aquilo que pensam diretamente aos seus desafetos e menos ainda são aqueles que conseguem encarar as críticas como construtivas. Ser criticado é sempre desconfortável. Aliás, vamos ser sinceros, quando falamos de alguém não visamos a melhora dessa pessoa, ou a solução do seu mal:  fofocamos por prazer. E daqueles bem destrutivos.

Melhor que tentar ser super sincero e ofender, dizer tudo o que vem à mente sem muitas delongas ou filtros, é pensar. Pensar se isso é mesmo necessário. Pensar se nossa opinião é mesmo válida. Pensar se com os nossos comentários estamos sendo diferentes, justos, ou apenas mais destrutivos que aqueles que tentaram nos destruir. Eu  não faço isso em 100% das vezes, confesso. Mas quando enxergo as coisas pelo avesso, longe da situação, começo a pensar. Então escrevo para que vocês reflitam sobre isso também.

Porque uma pessoa é irritante ou vive contando vantagens. Por ser inescrupulosa e falsa. Por talvez não gostar das mesmas coisas e não partilhar do mesmo universo que você. Por ser negra, pobre, gorda ou homossexual. Porque sim.

Eu entendo que a maldade dentro de nós não tem mesmo cura. Mas pode ser menor.

E excesso de amor, ao menos,  não agride  ninguém.

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