eu inimigo.

Não sou italiana, mas falo com as mãos. Aliás, minha família é meio índia, meio portuguesa, meio escrava e não tem nada a ver com pouca massa e muito molho, mas eu adoro. Adoro tudo em excesso.

Sempre amei demais, sofri demais, chorei demais e, em contrapartida, ri demais também. Adoro uma coisa que é proibida, ilegal, imoral, arriscada, problemática… E lá pelos 15 anos era a rainha da confusão. Pensando dessa forma, percebo que envelheci uns 20 anos em 10, hoje dou muito mais valor a cultivar o que conquistei de bom na vida, ao invés de sair por aí, me arriscando como se não houvesse amanhã. Pra completar, arranjei um medo fortíssimo de altas velocidades que me impede de ser #vidalokakabulosa como no passado.

A questão é que quanto mais envelhecemos, mais começamos a refletir sobre as coisas que deixamos de fazer. E a remoer os tempos que passaram, a viagem que não foi feita, aquele caso amoroso que por umas ou outras nunca se encaminhou, etc, etc. E o pior não são as saudades que ficam, mas os medos que se instalam. Ficamos saudosistas num grau de deixar de aproveitar a vida como ela se apresenta, como se tudo fosse trabalho e feriado, como se vivêssemos num ciclo infinito de chatisses adultas. E como fazemos planos, Senhor! Todo o tempo livre vira um esquema tático, qual o melhor horário para ir no cinema sem se estressar, para comer sem abusar, pra ir pra praia sem enfrentar 5 horas de trânsito no sol… Lá se vai a espontaneidade e ficam os questionamentos.

Não se tem mais vontade de pular de para-quedas. Não experimentamos mais um prato exótico. Não saímos mais do conforto que encontramos.

Por que não encontro um novo amor?

Por que não consigo um emprego bacana?

Por que sempre acabo mais cansado quando deveria descansar?

Pensar demais, cansa. Deixe a vida surpreender um pouco, preste atenção naquilo que você quer e nas atitudes que toma para que essas coisas aconteçam. Às vezes, os maiores inimigos da nossa felicidade somos nós mesmos.

E somos realmente cruéis.

 

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2 Comments

  1. Sempre fui medrosa, mas com uma atração forte pelo proibido. Não deixei de fazer nada que quisesse, mas sempre pensei bem em tudo que fazia. Não sei se foi o caminho certo, mas gostei das escolhas que fiz. Hoje, sou mais medrosa ainda. Não sei se é a idade que faz isso, porque até meus pais são mais ousados que eu, dá até vergonha. haha

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