o mundo é das vagabundas

Estou cheia de escutar conversinha de corredor em que fulana de tal foi trocada por uma desclassificada sem família. Cansada também de ouvir a mulherada reclamar pelos cantos, cheia de recalque, que os homens preferem as vagabundas. Que não gostam das mulheres que prezam pelo seu intelecto e sim, pelo corpo. Que não adianta ser uma boa profissional, elegante e fiel que o que eles querem mesmo é carne – em abundância – e, de preferência, exposta.

Odeio rótulos. O termo vagabunda, extremamente pejorativo, pode significar diversas coisas segundo o seu contexto. Aquela mulher que opta por experimentar diferentes caras antes de ter um envolvimento mais profundo, que valoriza o seu corpo e se veste para matar, não é, necessariamente, uma vagabunda. Ela também pode ter seu lado romântico, ser inteligentíssima e, acima de todas as coisas, saber o que quer. Não há nada mais afrodisíaco do que uma mulher que não se deixa levar pelos encantos masculinos e que, assim como eles, entende que não é todo o sapo que vira príncipe com um beijo na boca. A vagabunda é a mulher evoluída, aquela que não vai sofrer por quem não vale a pena.

As vagabundas tem história pra contar, tem bagagem. E muito mais valor do que pensam por aí. Não se importam tanto com a auto-imagem a ponto de não falar palavrão, conseguem assistir e comentar um jogo do timão sem medo de serem levadas ao ridículo. Aliás, o maior trunfo das vagabundas talvez seja isso: a ausência de medo. Não é porque ela está na casa dos 20 e ainda não namorou sério que é uma libertina. Não é porque ela não escolheu um só que deseja todos. Ela só acha que algumas coisas na vida precisam de experimentação, de tempo, de análise e, principalmente, de muita paciência para não errar.

A verdadeira vagabunda não se expõe. Não é aquela que rouba o marido da amiga ou que dá em cima do chefe; essa daí é a piranha, perigosíssima, morde sem assoprar.  A vagabunda tem muitas amigas, aconselha todas elas e desperta um pouquinho daquela inveja natural entre as mulheres, aquele sentimento de que poderíamos ser sim mais livres, por que não? Na vida da vagabunda tudo é muito mais leve, muito mais simples.

Mulheres, sejam vagabundas. Aprendam que não é preciso levar um relacionamento onde não houve encaixe nenhum adiante só para não ficarem mal faladas. Entendam que caráter e bom senso de nada tem a ver com liberdade sexual, com roupas justas ou um pouquinho de sensualidade – não nascemos diferentes dos homens à toa. Pior que libertar todos os instintos é contê-los. Melhor uma vagabunda (e por que não?) feliz, que uma enrustida frustrada.

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4 Comments

  1. Erickinha, pela primeira vez, tenho q discordar de vc… Acho q ser vagaba não é ser livre ou ter uma vida afetiva e sexual mais “hippie” no melhor sentido da palavra… Pra mim, vagabunda não pode ser sinônimo da mulher “alfa”, vamos dizer assim, mas pelo q vi, vc usou vagabunda pra definir esse tipo de mulher, q é despida de pré-conceitos. Não sei se é desse tipo q falamos qndo queremos dizer q outra mulher nos “roubou” o homem! hahahahahahaha
    Tbm não sei se é todo homem q topa encarar um relacionamento com essa mulher “alfa”, a maioria deles pode gostar da parte sexual, já na afetiva, precisa daquela boa e velha Amélia, uma pena. Por isso q ainda reina a máxima “dama pra sociedade, puta na cama”.
    Bjs!

  2. Mi, AMEEEIII seu comentário! Usei “vagabunda” no texto de tanto ouvir algumas mulheres (e homens) se referirem a tal mulher alfa dessa forma. Ela não é vagabunda, no sentido pejorativo, mas é como você mesma falou: há quem não saiba lidar com uma mulher livre, segura de si e que só aceita ser um pouquinho Amélia (pq não???) se valer MUITO a pena.

    A máxima “dama pra sociedade, puta na cama” permanece, com certeza! É muito bom saber que as palavras escritas aqui podem (sempre) ter amplas interpretações!!!

    Um bjão!

  3. Ericka, você acredita que vim visitar seu blog a fim de me auto-consolar justamente com pré-julgamentos? E esse texto foi um dos que serviram como uma luva para me ajudar a encarar alguns fatos que não me eram muito claros, até antes de eu o ler. Li umas quatro ou cinco de suas reflexões que me fizeram muito bem, e vim aqui antes de mais nada parabenizá-la 🙂

    Sobre a “mulher vagabunda”, acho que esse rótulo errôneo surgiu por culpa daqueles que não conseguem encarar de frente a mulher evoluída e invejada, tanto entre o círculo social feminino, quanto entre o masculino.
    É fácil rotular aquilo cujo nível de entendimento não alcançamos. É cômodo… e é assustador para os homens se deparar com uma “vagabunda” que não se submete e qualquer coisa para agradá-los… mas a grande verdade é que no fundo o verdadeiro sentimento de atração surge por essa vagabunda, que não conseguimos controlar tão facilmente, que pela Amélia capacho que faz todas as vontades e em 99% acaba completamente desvalorizada.

    beijão

  4. EBA!! Fico feliz que vc tenha gostado do post Marcéli! E concordo com tudo o que vc disse!!
    Que fiquemos cada dia mais livres dos pré-julgamentos para nos preocupar com aquilo que realmente importa que é ser feliz… Não é mesmo??

    Um bjão!

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