o que falta dentro de você?

A violência, dentro de um relacionamento, não se dá só de forma física. Escutamos muito falar sobre mulheres que sofrem de abuso por parte de seus maridos, noivos e namorados, mas pouco sabemos sobre a raíz disso tudo;  que vai muito além da psicopatia ou do comportamento agressivo de alguns homens.

Sempre me questionei sobre como uma mulher pode suportar tantas coisas ruins calada justificando cada dor sofrida com amor. Sempre me questionei também quanto somos capazes de nos anular, quão grande é o nosso altruísmo e até que ponto o problema está em nós e não no outro. Uma mulher pode sofrer de violência e não estar, sequer, ciente disso. Falo aqui daquele tipo de situação velada, controladora, sútil. Algo que se sabe, no íntimo, que não está certo, mas que por faltar referências do que é bom, opta-se por ficar.

A agressão começa com as proibições, com o veto dos pequenos prazeres, com o machismo, talvez. Esse que em pleno século XXI é socialmente bem aceito e até apreciado pela mulherada. É o batom que não pode ser vermelho, as unhas, a saia curta, é o passeio com as amigas que se é impedida de ir. É quando os limites vem sempre sem justificativa, sempre unilaterais: ele tudo pode, você não. Ele viaja, bebe e vai para a balada sozinho, você não. Ele te trai, te desrespeita, grita. Você nunca, jamais, você não pode. Porque a função do homem é comandar a mulher, como um bicho. Como se o amor, por si só, já não estabelecesse algumas regras.

Mulheres que se amam de menos. Que acham que nunca são suficientemente boas para alguém ainda que lindas, inteligentes e espirituosas. Mulheres que aceitam o descaso e que ainda assim não medem esforços para agradar o outro mesmo que isso signifique fazer algo que as desagrade. Mulheres que não aparentam ser frágeis, mas que assim se sentem. Que temem a idade, a solidão, os sonhos que não se concretizarão. Que esperam, que toleram, que preferem calar porque tem medo de argumentar, que preferem consentir porque se sentem acuadas; porque acham que estão ganhando em perder, ao invés de se perder um pouco por aí para se encontrar…

As mulheres que sofrem de violência psicológica sempre acreditam em um novo começo ainda que já tenham havidos 2, 5, 10 inícios fracassados, doloridos, desrespeitosos. Não enxergam a gravidade do que vivem, não conseguem se libertar daquilo que se acostumaram a estar presas.

Há quem diga que existem mulheres que gostam de apanhar, eu discordo. Acho que existem mulheres que não se sentem bem a sós, que acreditam que um relacionamento bom é aquele em que o outro demonstra que se importa pelos impedimentos, pela repressão. O amor, afinal, não é uma prisão voluntária? Não é perdoar e colocar o desejo do outro acima do seu? Não tem a ver com dedicação, submissão e com um pouquinho de dor? Sim e não. Na medida do que é saudável.

Que me desculpem as mulheres que insistem nesse destino. Auto-estima, para mim, é fundamental.

Você também pode ler

4 Comments

  1. Adorei quando recebi a resposta do comentário do post passado no meu email! *-* Além de ter um blog muito bem escrito, dá pra ver que você tem muito carinho pelos leitores 😀

    É muito comum ver uma mulher que aceita tudo o que o companheiro faz em prol do amor, do bem estar do relacionamento, etc. Aceita as grosserias na rotina, as mágoas causadas, e vai acumulando, acumulando, não por ser masoquista mas pelo medo de perder. Um relacionamento saudável, para mim, é feito com base em trocas (em algumas sairemos perdendo, outras ganhando, outras ambos ganham) e não na unilateralidade de somente um dar tudo de si em prol de um relacionamento que aos poucos vai se desgastando (porque, afinal, temos nossos próprios limites, por mais que aceitemos, uma hora a “casa” cai).

    Novamente, um ótimo post e muito bem escrito (:

    PS: Sim, meu nome é Yanne. Uso Autumn como “pseudônimo” no meu blog, por pura frescurinha xD

  2. Ericka, já passei por td isso aí, de achar q fazer td q o cara queria era demonstrar amor, já quase apanhei do meu ex-marido, mas olha, isso foi um basta pra mim, pra q eu enxergasse q em primeiro lugar, a gente tem q SE amar. Amor-próprio pode, sim, fazer com q as pessoas virem eternas solteiras, q nunca encontram alguém q consiga “preenchê-la”, mas com certeza é fundamental pra q ninguém caia nesses joguinhos de cobrança e manipulação do parceiro. O ruim é q, depois, a gente fica ressabiado, com medo de acontecer td de novo 🙁 Mas a vida tá aí pra isso, pra gente tropeçar, cair, levantar!
    Esse assunto é bem polêmico!
    Bjos!

  3. Meninas, AMEI os comentários!!!

    As imagens eu levo um TEMPÃO procurando, sabia Yanne?? Acho que faz parte do post!!

    E quanto ao que você disse, Mi, é muito triste essa situação…Mesmo. Todas nós estamos sujeitas a entrar em relacionamentos cilada, a gente nunca conhece bem uma pessoa até se envolver de fato com ela. Mas chega um momento em que devemos escolher entre aquilo que nos faz realmente felizes e aquilo que é ruim, sabemos disso e insistimos em prosseguir. Sim, somos mulheres machistas, confundimos proteção com violência, acontece… E a vida continua pra gente levantar e tentar de novo (nada de desistir, hein???) assim como vc disse!!

    Um beijão e obrigada pelos desabafos!!

    =D

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *