pela metade.

Ontem me dei conta que vivo um sem número de relacionamentos em partes, coisa que sempre abominei.

É impressionante como o tempo transforma a alma, como certas atitudes e palavras perdem força e não fazem mais o mesmo efeito dentro do nosso universo emocional. Impressionante e triste, porque nos acostumamos a sentir bem menos que o suficiente.

Há alguns anos atrás sofria quando me sentia rejeitada ou deixada de lado por aqueles que tratava com prioridade – hoje, seleciono melhor essas tais prioridades. Não é todo mundo no mundo que sabe amar na crise, que sabe ser gentil com mau humor, que ajuda sem exigir nada em troca. As pessoas vivem, eternamente, se protegendo das quedas. Separando interesse corporativo da vida pessoal, conversando porque estão no mesmo espaço, dividindo um problema  porque estão tão sozinhas que precisam falar e não porque, realmente, querem sua opinião. Se você parar agora para pensar nisso, os relacionamentos que você tem próximos  hoje estão aí por convivência, porque acabam obrigados pela rotina a cooperar, seja no trabalho, na faculdade ou em qualquer outro ambiente social.

É claro que entre mortos e feridos encontramos os queridos; pessoas que a gente simpatiza e que geram vínculos recíprocos, coisa rara de se encontrar num mundo em que tudo está cada vez mais seletivo. E quem disse que amigo precisa estar geograficamente perto? Na Bélgica, no Chile, ou no litoral eles continuam incrivelmente vivos, intensos e apesar das saudades, intocáveis. Ainda bem que eles também me vêem do mesmo modo.

Escolhemos aqueles que são aptos para romper as barreiras daquilo que somos de verdade para aquilo que representamos todos os dias. E também somos escolhidos. Se é assim, não dá para se magoar quando não recebemos um presente daquela pessoa que certamente daríamos um, não dá pra sofrer quando uma história não é contada por inteiro ou quando não somos selecionados por quem faríamos questão de ter por perto – é tudo uma questão de reavaliar e entender: porque diabos não percebemos que os níveis de intimidade não eram tão intensos assim?

Envolver-se e uma delícia e eu sempre me jogo, mas observar, muito e atentamente, faz bem. Para sabermos com quem contar na vida e nos entregarmos por inteiro.

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3 Comments

  1. Pois é… Outro dia, parei pra pensar qntas boas amigas já tive, mas q o tempo e a falta de conveniência e convivência levaram embora… Muito triste…
    A gente se apega, muitas vezes, às pessoas erradas e é mesmo difícil se dar conta disso. Pessoas rasas são a maioria, infelizmente :/

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