sem limites.

Um ciúme desmedido que às vezes dava lugar a crises de fofura. Alguns gritos, barracos e, de repente, um mar de rosas novamente. Um cara bonito, bem sucedido, com uma namorada incrível e uma família bacana. Não era gordo, nem careca, e não tinha nada que pudesse torná-lo inseguro, mas assim o era. E a cada vitória alheia, um misto de orgulho com o medo de perder. Se ela subia no cargo da empresa, era porque tinha se envolvido com alguém de um posto mais alto. Se comprava uma bolsa nova, queria se exibir. Se recebia ligações dos amigos, eram todos ex-namorados ou possíveis casos. Não tinha o direito de tomar uma cervejinha, sob o pretexto de talvez se embebedar e dar vexame, e a cada vez que se encontravam para ir a qualquer lugar – da missa ao cinema – era sempre um climão. Que brincos eram aqueles? Onde já se viu mulher direita usar sapato colorido?

E por esses e outros absurdos percebi que talvez, mulheres, o problema não esteja sempre na nossa cabeça e sim, na deles. Que temos essa mania de querer consertar tudo, de querer aceitar tudo e compreender até mesmo as coisas mais absurdas, mas que no final das contas tudo só se ajeita quando o outro admite que tem sim, um grave problema de auto-estima. Homem nunca afirma ter nem dor de dente, que dirá uma cabeça problemática. E elas, pelo o que tenho visto, se anulam cada vez mais e alimentam relacionamentos altamente nocivos pra si, para o outro e para quem está ao redor.

Pensem nisso. Namorado não é filho. Não é você a responsável por fazê-lo se sentir melhor, por educá-lo, por fazer com que seja consciente. Se formos pensar bem, nem a mãe dele é. O que falta é uma boa terapia. E alguém que não alimente e fortaleça atitudes que, no fundo, todos sabem não ser normais.

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“Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.”

Vladimir Maiakóvski

 

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