como nossos pais.

Na dinâmica social cada um tem sua função e as coisas não se dão dessa maneira à toa. Às vezes, as pessoas se misturam e acabam ocupando lugares por acreditarem ter conquistado esse direito. Às vezes, impõe respeito sem ter, exigem amizades, sem as possuir de fato, e cobram amor, sem merecer. Daí surgem os problemas de relacionamento, as crises familiares e os aborrecimentos no trabalho; é tudo uma questão de auto-conhecimento, de encontrar o seu lugar e o seu espaço no mundo.

A relação dos pais com os seus filhos, por exemplo, sofre uma série de transformações. Os pais cuidam, orientam, mas não podem ser donos da vida de ninguém que não seja da própria, lamento. Devem ser autoritários sem perder a razão e saber que por alguns momentos serão odiados por isso. Recompensa de pai e mãe nunca é imediata ou justa.

Não sei quem foi que disse que os familiares devem ser nossos amigos, acho essa colocação ridícula. Pai e mãe são superiores às amizades, são eles que passam todos os nossos valores, que nos ensinam cada coisinha que nos faz ser quem somos. Não entendo por que eles desejam tanto ocupar o posto de confidentes quando devem ser educadores: é como pedir pra que o professor do colégio nos ajude a cabular aula – não tem cabimento.

Os pais não devem, não precisam e não podem ser íntimos dos filhos, pois há assuntos e questões tão particulares e individuais que nem as famílias mais modernas saberiam lidar e que as crianças – por mais abertas que sejam – não querem compartilhar.

Cada um deve ter sua vida, personalidade e círculos de convivência que, eventualmente, se misturam, óbvio, mas que tem uma hierarquia. Mães, sinto muito, mas o tempo de vocês passou. Não dá pra serem filhas e sair de balada fazendo fofoca dos “amigos de 14 anos” porque eles tem menos que a metade da sua existência, experiência e maturidade – são algo que você, há muito, não é – e que, com certeza, não deseja ser.

Não dá pra dizer que saia curta pode, mas que dormir com o namorado não. Não pode achar legal beber de vez em quando, mas ficar bêbado, não. Nas regras deve haver coerência.

Quando somos, somos INTEIROS e não metade. Por isso que você viveu mais; pra aconselhar, acompanhar e reprimir quando for preciso, não para ser gente boa: se for ruim demais, não funciona. Se for mole, também não.

Posso estar parecendo uma tradicionalista, quadrada, mas acho que é isso que falta no mundo. Será que não estamos confundindo o nosso amor pela família e misturando as coisas? Será que essa confusão de parâmetros não deixa os filhos perdidos, desorientados e mal educados? Você pode ser uma mãe “prafrentex” só não pode ser invasiva. Você pode usar roupas da moda, só não pode perder a noção do ridículo. Você também é parceira dos seus filhos, só não é um membro da turma deles. Você é mãe e não companheira de birita e carteado, não pega bem.

Você pode quebrar as regras eventualmente, claro, só não pode perder o controle.

É importante ter referências. E saber que quando a coisa se complicar alguém vai ter as palavras mais reconfortantes e sábias para dar. Pais acreditem: apesar dos pesares os filhos sabem disso.

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2 Comments

  1. Sábia!Adorei!
    Q bom se td mundo soubesse ser quem deve ser….mas acredito q seja uma questão de aprendizagem saber o como,qdo e c/ quem.
    Sempre fiz questão de exercer minha função de MÃE(c/ amor,carinho,companheirismo e muitas vezes dor mas acima de td mãe dos meus filhos e assim seu porto seguro,seu colo…)bjx p/ vc!

  2. Eu acho que é difícil pedir pros pais coerência nesse ponto. Nós tb não somos coerentes. O que podemos fazer é estabelecer um limite que obviamente vai ser ultrapassado de vez em quando.

    Concordo que mãe não pode ser amiguinha demais, mãe é mãe mesmo. Quer mais que isso ? Mais do que mãe num tem, nega. Sossega ae que ser mãe já é trabalho pra caramba !

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