boa vizinhança.


Tenho para mim que essencial na vida é conhecer bem seus vizinhos, como se sua sobrevivência dependesse disso. Numa cidade tão solitária como São Paulo acho engraçado o fato das pessoas não darem bom dia umas para as outras e sorrirem, ou satisfeitas, ou assustadas, quando algum desavisado faz isso.

Até meus 17 anos conhecia todos os meus vizinhos pelo nome, sobrenome, profissão e genealogia; até hoje adoro manter as portas abertas para conversar no corredor. Nasci, cresci e convivi com irmãos, primos, amigos de amigos e histórias, muitas histórias. Conheci os pais, brinquei com os filhos, me tornei madrinha dos filhos desses filhos e hoje lamento um pouco o fato de não poder estar sempre por lá, por mais que às vezes tanta proximidade incomode.

Ter laços é algo que é preciso aprender, porque não é simples. Quanto mais você se envolve, mais se expõe. Quanto mais você descobre sobre a vida dos outros, mais os outros tomam ciência (e às vezes posse) sob as coisas que acontecem na sua vida. No geral, os seres humanos encaram esse tipo de situação como algo ruim e, no geral, é. Quando sabem sobre você conhecem também suas fragilidades, seus dramas e defeitos. A parte boa é que quando temos alguém com quem dividir as situações da vida os fardos ficam todos mais leves, mais fáceis. A parte ruim é que, via de regra, as pessoas não suportam nem os próprios dramas, que dirá os alheios. Tudo que você compartilhou vira fofoca, reclamação gratuita ou crise existencial sem motivo. Nada na vida tem só o lado bom.

As pessoas gostam de falar da vida dos outros porque sim. No dia que eu tiver a resposta correta sobre esse fenômeno psicológico talvez seja capaz de evitá-lo,  mas de qualquer forma não é exclusivamente por esse motivo que você passa a evitar as pessoas que costuma encontrar todos os dias no elevador, nos corredores e nas reuniões de condimínio. Você evita porque apesar de gostar de compartilhar seus problemas com o outro você precisa ouvir em contrapartida.

(E tentar não fofocar para o próximo vizinho que encontrar.)

Ninguém tem propriedade pra falar do que o outro faz se age exatamente igual.

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5 Comments

  1. Realmente essa convivência antigamente era bem diferente, claro que também tinha muitas fofoquinhas, mas tinha algo que não existe hoje o Calor Humano, hoje vivemos quase colados uns nos outros e nem sabemos os nomes das pessoas, a individualidade prevalece.
    Por que? A individualidade, egoísmo e assim por diante.
    Beijos
    Rose

  2. Oi amiga é super diferente hj em dia né,minha mãe tb conversava com os vizinhos , deixava porta aberta,até nos natais a gente compartilhava com os vizinhos um pouco do nosso amor!
    Hj em dia putz é cada um por si, nem falo nada pois eu tb sou assim, me fecho aqui no ape, bj

  3. Oi Vizinha! Aqui no predio ainda é assim né? Mas tem muitos outros locais não, pois a sociedade se tornou algo muito individualista!

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