prudência.

Pra falar de gente contida eu sou péssima. Se tem uma coisa nessa vida que eu não faço é deixar de agir por medo das consequências. Conheço pessoas que ponderam tudo, da compra de uma meia, até sair ou não do emprego que faz infeliz. Lembrando que quem vos escreve é uma pessoa que estudou 4 anos, largou emprego, apartamento e um amor seguro para recomeçar do NADA: porque apesar de tudo estar nos conformes, ela queria ser mais feliz. Só pra esclarecer.

Das coisas mais simples às mais drásticas somos obrigados a decidir, o tempo todo, sobre como devemos agir. Se não está bom, porque não ousar? Eu opto por tentar. E tendo em mente que as respostas na vida não são todas imediatas, é preciso ter paciência.  Terminar um romance, dói. Abandonar uma vida certinha, pode ser devastador. Você vai se sentir faracassado, eventualmente, vai se sentir perdedor. Mas ainda bem que as dores do coração são passageiras – desde que você opte por esquecê-las e queira superá-las.

O excesso de prudência pode ser sufocante, muito mais que benéfico. O amor que não se viveu, a promoção que não aproveitou, a viagem que não fez. O casamento que vai de mal a pior, mas se mexer, pode feder ainda mais, e mais aquela série de micro decisões diárias que fazem as coisas terem mais sabor: pego ônibus ou taxi? Almoço no local caro ou barato? Respondo ou não aquele e-mail? E por aí vai.

Não estou fazendo aqui uma apologia ao não pensar, em sair por aí passando por cima de tudo e de todos para fazer valer a sua vontade – porque gente assim, também sofre e eu não suporto ver as pessoas que eu amo infelizes gratuitamente. Somos responsáveis diretos por aqueles que estão ao nosso redor. Mas saibam que, às vezes, ser feliz faz alguém sofrer. Ainda assim,  não dá pra ficar o tempo todo em cima do muro, na espera de que a vida decida pela gente aquilo que deve ou não ser feito. Detesto gente acomodada, que prefere não ousar pra não doer, pra não correr o risco de ficar pior. Há coisas que não podem ficar piores do que já estão, que tal pararmos de engolir os conformismos?

Pecamos por não arriscar e temos a tendência de reclamar por isso.  Se ficarmos levando a vida como ela se apresenta, cansados, porque tememos uma reviravolta muito maior da que podemos suportar, porque então sofrer com essa realidade? Se não está bom, mude de ares, oras. Chute o balde.

Viver, por si só, já é um risco. Vai dizer que você não fica satisfeito quando alguma coisa sai do planejado e te surpreende de maneira positiva?

Eu adoro. E é por isso que prefiro a intensidade às certezas frias.

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13 Comments

  1. É, prudência demais as vezes não dá em nada… já dizia uma amiga minha, “prefiro me arrepender pelas coisas que eu fiz do que me arrepender por aquelas que eu deixei de fazer”.

  2. Amei amei ameeei esse texto, faz muito tempo que eu estou tomando coragem pra mudar de atitudes, estou conseguindo bem bem aos pouquinhos e ler esse tipo de incentivo me ajuda ainda mais a não ter o que temer, obrigada por atender à minha sugestão, você me ajudou de verdade mesmo!
    Beijos Jeh Galvão

  3. Eu acho importante arriscar, porém as vezes temos que nos perguntar se não estamos exigindo muito da vida, se nada nos satisfaz e estamos sempre procurando algo novo, onde será o nosso ponto de parada, será que não vai chegar um momento em que chagaremos ao ponto de máxima felicidade, onde qualquer outra tentativa será pior e você terá perdido esse ponto? As vezes é melhor mudar a nossa visão sobre as coisas e tentar ser feliz de forma mais simples.

  4. coincidência engraçada….você falou que nem a protagonista de uma série que chama Being Erica, conhece?

  5. Já vivi isso na pele: era o conformismo em pessoa. Chegou num ponto aonde eu nem sabia mais quem eu era… me apaguei totalmente. Não preciso contar que tive que passar por uma revolução pra mudar isso, certo?

    E tem mais: a sociedade é um pouco cruel. Provavelmente quem escutar a minha história vai me achar extremamente canalha. É um dos preços que se paga…

  6. Tb n suporto comodismo. Acho que um pingo de ousadia n faz mal a ninguém. Acreditar em nós mesmos e nos nossos sonhos é ideal, mesmo que só vc acredite neles. Muitas coisas na minha vida só consegui exatamente pq n me abalei com o primeiro não, nem com o segundo, nem com o terceiro e mto menos com as portas fechadas. Isso vale para todos os aspectos de nossas vidas.

    Um beijão, minha flor!

    Te espero lá no blog 😉

    http://www.nicellealmeida.blogspot.com

  7. Por isso não conte pra quem não merece. Num é todo mundo que entende que, às vezes, a gente precisar do caos pra gerar a ordem! ;]

  8. Nossa, André, excelente ponto de vista! Mas se vc mesmo não testar seus limites, como saber a hora de parar? Concordo com vc, minha visão mudou muito, sem dúvida! Mas tive que aprender a enxergar as coisas de um jeito diferente… E pra isso, arrisquei!!

    Um bjão, obrigada por comentar aqui! =]

  9. Ericka, texto perfeito, e quem não gostaria de ter coragem e mudar toda a vida em um segundo, sair do emprego perfeito, da casa da mamãe e a cidade em que nasceu, mas aí vem tudo o que o André citou, e bate aquela coisa de exigência demais.
    Não gosto de comodidade, mas tenho certo receio quanto ao “aventurar-se” demais!
    Um beijo

  10. Eu comentei também pensando em algumas pessoas que eu conheço que costumam reclamar exageradamente da vida, não param para refletir sobre si e ainda tentam sempre colocar a culpa da própria infelicidade nos outros.

  11. Olha Ericka, já aviso que é completamente viciante, qualquer mulher se identifica completamente com tudo que acontece, e se não fosse um K no meio do caminho vcs duas seriam praticamente a mesma pessoa! rsrs Como se eu te conhecesse, né! Se quiser jogar um tempo fora, assista, é muito muito boa!
    http://www.sidereel.com/Being_Erica

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