Chutando o balde

Sei que sou meio boca dura.
Na infância e principalmente na adolescência nunca levei desaforo pra casa, e ainda não levo. Mas na realidade, meu problema não são os desaforos, são as coisas que as pessoas querem dizer e não dizem, o que me ofende muito mais do que se as coisas fossem ditas com todas as letras.

Posso explicar melhor.

Não tenho a menor sorte com empregos. Meu primeiro estágio, quem acompanhou de perto sabe, se misturava a vida pessoal da minha chefe. Eu era uma espécie de secretária pessoal/office boy com ênfase em jornalismo, vamos dizer assim.

Quando mudei para o Diário, acreditei que existiria mesmo uma mudança. E houve. Meu salário que era sempre pago em dia pela Prefeitura, passou a atrasar semanas. E os sapos, sempre presentes, não era mais engolidos de pernas abertas, mas acompanhavam um apimentado molho chili que me dava indigestão.

Sem maiores analogias, trabalhar no Diário é como ser livre e presa ao mesmo tempo. O tempo é curto, a demanda é longa, a supervisão, mínima e as cobranças as-tro-nô-mi-cas. Quem nunca se sentiu incompetente deveria fazer um workshop aqui, é ótimo para quem já pensa em cortar os pulsos só por morar em São Paulo.

Falta pessoal, falta incentivo e falta comunicação – item interessante para quem atua nessa área.

Esse é meu post inaugural do novo blog porque meu sentimentos são indissociáveis daquilo que eu escrevo e é impossível falar sobre mim sem saber o que está dentro de mim.

Sou complicadissima e divertidissima também. Adoro fazer rir, principalmente da minha própria desgraça.

Sinta-se à vontade.

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