nada a declarar.


Temos o direito de ter, no fundo do peito, uma parte só nossa, não violada. Aquela que fica num cantinho da memória da qual procuramos não lembrar. São nossos pequenos grandes segredos, alguma coisa que  aconteceu e mentimos tanto pra nós mesmos que não foi verdade que somos até capazes de acreditar. Seja uma mania, uma festa,  uma gafe…Algo que a gente se envergonhe tanto de ter um dia existido que prefere morrer à admitir que viveu, de fato, tais situações.

As pessoas omitem, o tempo todo, muito mais que mentem. É natural que isso aconteça, desde que não estejamos enganando ou magoando alguém em função dos nossos segredos. Se der um aperto no peito, um nó no estômago, aquele desconforo gigante de que estamos deixando de lado algo extremamente importante e que DEVERIA ser dito, aí é outra história. A questão é que há aqueles detalhes que não precisam sair de onde estão.

Tem coisa mais desagradável que atual saber de ex? Não, não tem. Ou descobrir sobre uma situação daquelas bem vexatórias,  que te geraram apelidos pro resto da vida e que você jurou enterrar para sempre com você? Pois é. Na vida podemos, sempre, recomeçar. Pra que arrastar consigo histórias que já não tem mais sentido? Amigos, paixões, manias, pessoas e lugares que é melhor deixar encostados no armário da bagunça para ser, finalmente, jogados fora e dar lugar para novas lembranças?

É desnecessário compartilhar o desnecessário. Tão ridículo quanto essa frase.

Somos fruto de tudo aquilo que vivemos? Com certeza. Não nos arrependemos de nada daquilo que fizemos? Sem sombra de dúvida. Estamos orgulhosos de ter um passado do qual colhemos ensinamentos para o presente? Obviamente. Mas para cada novo amigo, amor e ambiente que baste o seu próprio mal presente e aqueles que o futuro reservar.

E você pode ter certeza: haverão muitos ainda. Quem vive de pasado, é museu.

 

 

 

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16 Comments

  1. Não sou muito de mentir além do “tudo bem, e você” de todo dia, mas omitir é comigo mesmo! Algumas coisas definitivamente não recisam sair da gaveta escondida.

  2. certaaaaaaaaaamente, quem vive de passado é museu! agora que agnt arrepende, agnt arrepende, essa história de que se pudesse faria outra vez tudo igual.. é LOROTA. todos nós temos aquiloo q se pudessemos mudariamos.. enfim, eu sou daquelas q enterro mesmo sabe? repito tanto uma história pra todos e pra mim mesma que até esqueço a verdadeira versão das coisas, e passo acreditar nessa que conto e lembro! bom conselho nada de compartilhar o desnecessário! bjoooo Ericka! ;***

  3. Concordo plenamente. Há tantas coisas desnecessárias que não têm a menor importância… Nomes de ex, por exemplo.
    Bjo

  4. Existem determinadas coisas que ficam guardadas no nosso íntimo e não interessa senão a nós mesmos, são doces segredos que as vezes gostamos de recordar, fazem bem. Agora viver do passado é outra coisa, esse já foi e importa o hoje, estar presente totalmente no momento que se vive!!o futuro é consequencia e poderá até nem vir a ser.

  5. Eu prefiro omitir, quando acontece alguma coisa irrelevante, ou alguma pessoa faz alguma coisa sem querer, e me deixa chateada, eu procuro omitir!!! amei teu post!!!

    Bjos!!!

  6. Maravilhoso! E uma verdade! E eu sempre encanada e procurando coisas que não preciso saber pq não são minhas e nem deveriam ser.

  7. Preciso dizer q eu concordo com vc???Sinceridade é bom,mas tem coisas q realmente são desnecessárias.
    ;**

  8. Revelar recônditos equívocos é bem difícil. Faz parte da nossa natureza.
    Temos algum mistério, algum segredinho. Acho normal e pessoal, desde que seja realmente meu.

    Um beijo Ericka.

  9. Não consigo deixar na gaveta pra depois, ou simplesmente entocar lá até o fim da vida, se está no fundo da gaveta, preciso retirar dali, limpar e jogar fora as sobras do que restou, pois se está ali, a unica coisa que me fez, foi fermentar, azedar, apodrecer e mal-feder com os outros itens que estão mais a frente da tal “gaveta”. Pra mim, quanto mais tempo passa sem resolução, mais fica podre e fedido e com chances de estragar os novos “utensílios” que virão ocupar espaço na minha gaveta.

  10. Que texto ótimo!!
    Ideias claras, bem colocadas!
    Adorei de verdade!
    Sei bem o que é isso e concordo plenamente!!

    bjo

  11. Mais um excelente texto, Ericka! Simplesmente adorei!
    Meu pai vive muuuuito de passado e eu e minha mãe reclamamos muuuuito com ele por isso… ahahha Ser museu ambulante com certeza não leva a nada além da tristeza e da vergonha…
    Beeeijos
    Thaís

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