um pouco de carinho.

O engraçado é o fato de que eu, a pessoa que mais gosta de escrever sobre os relacionamentos alheios, sou também a menos carinhosa do mundo com a minha família. Odeio abraços apertados, beijos melosos e não me lembro, uma única vez, de ter dito para a minha mãe o quanto eu a amo. Percebi isso quando perdi minha vó, derramei pouquíssimas lágrimas e ainda tenho algumas guardadas pelas lembranças. Do curau, dos tricôs e crochês que ela me ensinou a fazer, do cheiro de sabonete que só tinha na casa dela e de muitas, muitas outras coisas que se eu começar a pensar depois que ela se foi me dá aquele aperto no peito de saudades. Daquela saudade que nunca vai conseguir ser sanada porque minha vó, dos cheiros, gostos e prendas, não está mais aqui. E vó, caso vocês tenham a sorte de ter uma como a minha, é mãe duas vezes.

Minha família, na verdade, é bem desunida, pequena, sem graça. Natal sem grandes cerimônias, nenhum aniversário marcante, pouquíssimas comemorações em conjunto. Num é daquele tipo que eu vejo por aí e fico pensando: “como essas pessoas se toleram tanto?” É tudo muito complicado, muito distante, todo mundo vive a sua vida e ninguém faz questão de estar junto quando pode estar. Mas daí, no meio de tantos entraves, de tanta falta de tempo, convivência e outras centenas de coisas, eu lembro da minha mãe. Minha mãe nunca me deixa tempo pra eu ter saudades dela, porque ela está e sempre esteve lá, aqui, em qualquer lugar que eu estiver. Essa coisa de ser mãe é nata, é dom, muda a vida, vem de dentro; literalmente. Que me desculpem os pais, mas não existe um amor igual ao de mãe, e olha que eu nem sou mãe ainda.

Dá pra sentir, no ar, o quanto nós, filhos, somos especiais. Não importa quais sejam as desavenças, os xingamentos, as tragédias… Elas sempre perdoam. Guardam as crias, ferozes, bravas, mesmo quando não temos razão de nada. Acho incrível. A maternidade é um lance incrível. E minha mãe, mesmo sendo chata por muitas e muitas vezes, sem noção alguma de estética e com uma mania incansável de roubar e de destruir meus sapatos, também é incrível. Pode ser imatura e agir impulsivamente muitas vezes, e quem não é? Mas carrega nas costas um mundo de outras coisas que eu nem faço idéia do quanto devem ser difíceis, mas sei que estão lá. E que se tornam quase que invisíveis porque ela não deixa que eu tome ciência de tudo pra não sobrecarregar, pra não doer, pra me proteger de toda e qualquer coisa que possa vir a acontecer. Mesmo que seja impossível me proteger do mundo inteiro.

Ela me ensinou a gostar de estudar, a gostar de verdura e a respeitar os outros. Me ensinou a fazer o melhor arroz do mundo (com a ajuda do meu pai, né?), a curar dores de barriga com chá de camomila e maçã e mais uma série de outras coisas básicas pra sobrevivência. Coisas que só quando a gente pára, pondera e observa percebe: sem mãe num dava pra ser ninguém nessa vida.

Feliz dia das mães, mãe! E apesar de eu ter todas as dificuldades do mundo pra demonstrar meu amor, você sabe que eu sinto!

=]

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13 Comments

  1. Ahhhhhhhh gosteeei huahua tocante =D!!
    O melhor foi a parte do ensinar a gostar de verdura e ensiar técnicas de sobrevivência =P

    bjuuuuuuuss

  2. Éeelll!! Q lindo!!
    Mesmo vc dando uma zuada na sua mãe.. rs… foi uma linda homenagem!!
    ela eh uma fofa!!

    FELIZ DIA DAS MÃES para todas elas!

  3. Nossa, Ericka! Q texto lindo! Eu sinto daqui esse amor que você sente sim!
    Ai, mãe é tudo de bom! Quero que se invente um jeito delas serem eternas!!!
    Big beijo, sua linda!
    Agora, até eu fiquei com saudade da sua vózinha…

  4. sabe que eu não conhecia esse seu lado durão e com dificuldade de espressar emoções não, el. mas diferente da maioria absoluta das pessoas que dessa condição (pra não dizer “desse mal” 😉 sofrem, você quando decide botar pra fora deixa todo mundo emocionado! feliz dia das mães pra sua mami que eu tenho adorado conhecer um pouco melhor via likes e dislikes no facebook e um super beijo pra vc.

  5. Obridaga filha, te amo muito mesmo!!! e sou uma leoa, na ora de defender a cria, é instintivo mesmo. E mãe sempre é chata, porque quer o melhor,p/ os filhos, corrigi, pega no pé, se preocupa as vezes em demasia, enfim é super-mãe, não quer falhar, quer dar o exemplo… Bjus

  6. Oi, Ericka!!
    Lindo o seu texto! Parabéns a sua mãe!! A minha ainda não conseguiu me ensinar a cozinhar… Meio que fujo disso… ahaha
    E sabe, eu também tenho um pouco de dificuldade em demonstrar o afeto por ela, mas eu a amo. Muuuito. E com certeza não seria ninguém sem ela… E ela sabe disso. Quanto ao que falou sobre os pais, às vezes sinto-me um pouco mal, pois não adianta, podemos ter um pai maravilhoso (como o meu), mas é da mãe a preferência!
    beijinhos e muitos abraços!
    Thaís

  7. Linda homenagem, minha flor!
    Eu amei o seu texto. Ser mãe é realmente algo incrível. As vezes a gente fala “só minha mãe fazer isso, viu!’. Mas, quando chegar a nossa vez, faremos exatamente igual com os nossos filhos.

    Beijos, minha flor!
    Tenha uma ótima semana!!!

    Te espero lá no blog 😉

    http://www.nicellealmeida.blogspot.com

  8. aii Ericka é sempre assim, somos atenciosos com todo mundo, damos conselhos pra todo mundo, chega em casa mal conseguimos dar um beijo de boa noite na mamaee! tbm tenho essa dificuldade, infelizmente. o fatoo é que mãe é mãe e elas sempre estarão por perto. e definitivamente, sem mãe nao dava pra ngm sobreviver nessa vida! um bjãaaao ;**

  9. Pois é querida….não vou comentar o amor paterno pois apesar de “acumular funções” NÂO SOU PAI!
    O amor de mãe é INCONDICIONAL,mesmo qdo parece q não estamos ali…nosso coração está,é amor com entrega total da alma,amor q não acaba e como eu digo p/ os meus: por pior q vc faça,por mais zangada q eu esteja nunca vou deixar de amar.é assim amor puro, simplesmente….Nos vemos nos nossos filhos e nos nossos pais.Quantas vezes me pego fazendo ou dizendo exatamente aquilo q tanto critiquei nos meus pais e ai o sentimento é louco pq assusta mas reconhecer q sou parte dos meus pais é td de bom,é aconchego,é saber q este é meu lugar e principalmente q tenho possibilidade de acertar como eles fizeram e se errar sobrevivo!Nos ver nos filhos é uma sensação de perenidade,continuidade,saber q vamos sempre estar lá.Na minha opinião AMOR NÃO É PARA SER DISCUTIDO MA PARA SER SENTIDO.
    um bj,Dynda

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