mãe e filha.

Boa tarde, Ericka, tudo bem com você?

Estou num beco sem saída. Tenho 18 anos e minha mãe ainda implica com o fato de eu namorar. Ela inventa mil desculpas nos finais de semana para eu não sair e sempre que pode critica meus amigos e, principalmente, meu namorado. O primeiro já desistiu de ficar comigo por não aguentar a pressão, tenho medo que esse vá pelo mesmo caminho. Nunca pude sair muito à noite, sempre fui mais caseira mesmo. Mas a questão é que agora estou fazendo faculdade, todos os meus amigos tem carro (inclusive meu namorado) e fica difícil ficar em casa num sábado à noite em que todos estão saindo para se divertir menos eu. E se eu ainda pudesse trazer alguém para curtir em casa comigo, seria bom. Meu pai também odeia receber pessoas aos finais de semana porque quer descansar e eu sempre obedeci. Acho que a culpa de eu não ter uma vida normal, no final das contas, é toda minha. O que posso fazer? Você tem alguma sugestão??? Minha mãe parece ser uma pessoa traumatizada, porque, na juventude, meu pai curtia muito em festas. Acho que ela não quer que eu acabe com alguém que me faça sofrer, que siga pelo mesmo caminho, não consigo entender bem!

Me ajuda?

Obrigada!

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Oi, querida! Estou bem sim, obrigada por perguntar! Sua situação é chata… Mas é mais comum do que você pensa! Canso de receber e-mails com reclamações parecidas com essa, os pais ainda acham que proibir as coisas é o melhor jeito de manter os filhos livres de alguma confusão, de evitar com que sofram… Enfim, ledo engano. Você parece ser uma filha sensata, ao menos pelas suas palavras nesse e-mail. Liberdade é uma coisa que conquistamos aos poucos e que, eventualmente, vai gerar algum tipo de conflito familiar. Respeitar os pais é muito importante, mas fazer com que eles nos ouçam e nos entendam também é. Pense que na cabeça dela você sempre foi essa menina caseira e obediente, e que isso nunca iria mudar. É complicado pra eles aceitar que evoluimos.  Pra sua mãe você sempre será uma menininha, mas não dá pra acatar tudo que ela diz porque se você nunca bater o pé e questionar ordens (como você parece não ter feito…) você vai ficar sujeita sempre àquilo que ela deseja, que ela acredita ser o melhor para você. E pelo visto isso não estpa te fazendo muito feliz, não é? Não estou dizendo que é sair por aí toda rebelde, tocando o terror e fazendo qualquer bobagem, nenhum extremo é bom, tem que saber ponderar. Sempre sugiro conversar, nesses casos, em doses homeopáticas. Você já sentou com ela e demonstrou o quanto a ama? O quanto considera as preocupações dela importantes, mas que às vezes ela exagera? Que você quer namorar, sair, que ela te deu uma boa educação e num tem por que ficar te proibindo fazer coisas das quais ela sempre orientou você de COMO fazer? Você não é ingênua, não precisa mais de 100% de proteção. Ela pode ficar brava e ser intolerante no começo, mas insista. Uma hora ela terá que ouvir. Não minta, porque isso também acaba com qualquer relação de confiança. Diga que vai sair com o namorado, pra ela não se preocupar, leve o celular, apresente-o pra ela, volte na hora combinada. Tudo isso, aos pouquinhos, vai deixá-la mais tranquila, ela vai perceber que o que você está fazendo não é nada de anormal para meninas da sua idade. Ou, ao menos, é o que eu espero que ela perceba. Acho que a relação que você construi com ela foi a de medo, não de parceria. Sempre falo pra minha mãe que ela não é a minha melhor amiga, porque nao é tudo, em absoluto que me cabe contar a ela. E essa, pra mim, é uma verdade. Mas mãe é alguém que você tem que ter por perto, que precisa te dar uma certa liberdade e te apoiar quando o mundo inteiro estiver desmoronando.  Mãe, a gente se dando super bem ou não, só existe uma. É preciso respeitar. Mas também ser feliz dentro de tantas limitações.

Espero ter ajudado de alguma forma, me mande notícias,

Ericka. =]

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 e saiba minha opinião sobre seu causo… Num dói, não! Eu garanto! =]

 


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10 Comments

  1. Preciso te dizer que isso lembra a minha mãe????huahuhuhuahua
    Concordo com vc,Ericka,se oq ela quer é liberdade,precisa conversar.
    ;**

  2. Minha mãe era jogo duro. meus horários pra sair eram super controlados. Depois q eu comecei a trabalhar e ter o meu dinheiro as coisas ficaram mais tranquilas. Difícil é negociar com quem tá te bancando.

  3. Tá aí oque eu gosto nesse blog, eu penso exatamente da forma que você Ericka, porém, não me vejo conseguindo explicar, exemplificar e aconselhar de tão boa forma como você o fez. Tá de parabéns, mais um bom post!

  4. é assim mesmo, a base de qualquer tipo de relacao é a confianca, temos que conquista-la aos poucos! Mae vai sempre querer proteger o filho, por mais que os filhos estejam grandes, temos que mostrar que estamos crescendo e que precisamos de uma certa liberdade, tudo vem no tempo certo! e tem que conversar bastante e expor pra ela qual é a sua intencao e que voce nao esta fazendo nada de errado. Eu tenho uma relacao muito amigavel com a minha, conto muitas coisas minhas pra ela, ela sempre mostrou muito interesse e por isso ela me da mais liberdade pois sabe o que faco nao é nada demais..
    tenta conversar mais com ela e ter uma relacao amigavel e voce vai ver como que vai mudar..
    parabéns Ericka pelo post, adorei!

  5. Amiga sei q as mães qd encarna numa coisa é fogo de mudar de idéia.No máximo uma conversa, Fiz isso com a minha mãe não briguei não esperniei, apenas abri meu coração e mostrei meu lado,minha mãe ouviu,pelo mesnoa isso.Bjk♥

  6. ai, já passei por isso! Minha mãe não era tão jogo duro assim, mas penei pra conseguir fazer algumas das coisas que eu queria. Bom é que na época eu fazia terapia, o que me ajudava nas estratégias! rs
    Uma vez eu tive uma sacada muito boa, funcionou no sentido dela confiar em mim. Falei “Mãe, não foi vc que me criou? Você me deu educação, ensinou os limites, o que é certo e o que é errado, não foi? Você não confia na educação que me deu? Então pronto, fica tranquila que eu aprendi!”.
    É, os pais a gente vence pelo cansaço! As vezes esse excesso de zelo não é racional, mas tá lá!
    Bons “pitacos”, Éricka!
    Beijos!

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