da sorte e do azar.


Nunca gostei da palavra azar, até porque não acredito nela. Não é possível que a nossa vida seja guiada por um pré estabelecimento cósmico que vem em fases, por uma maré de coisas boas ou ruins. É muito irracional pensar que não temos controle sobre as nossas vidas, e olha que eu não sou a pessoa mais racional que vocês conhecem, você pode crer. Acredito em pré-determinação, acredito que algumas coisas realmente DEVEM acontecer e que junto a elas virão lições importantes sobre alguma coisa em nossas vidas, mas não acredito em pré-definições para coisas boas ou ruins. Somos maiores que isso.

As coisas boas que ocorrem não são sorte; são o resultado daquilo que buscamos, do que realizamos, são os efeitos do modo com o qual levamos nossas vidas. E quando coisas ruins acontecem para pessoas boas? Como explicar? Tudo culpa do tal do azar? Obviamente, não. As coisas ruins acontecem para todo mundo, o tempo todo, pra quem é do bem e quem é do mal. Elas existem, não dá pra ser feliz o tempo inteiro, não dá pra não ter doença, pobreza, amor mal resolvido, e problemas familiares, todo mundo tem. E sempre vai ter. A pior coisa do ser humano é ser dotado de razão. E da capacidade de tecer teorias para tudo aquilo que acontece por mais sem fundamento que elas sejam. Aliás, quem disse que todas as coisas devem ter fundamento?

O que muda, não é quanta sorte ou azar temos na vida, mas o quanto essas coisas tem a capacidade de nos afetar.

Há dias em que estamos fortes, que pode cair o mundo que a gente aguenta. Há dias, que não. Isso também de nada tem a ver com as forças sígniquicas ou cármicas, isso tem a ver com o nosso próprio humor. Ou você conhece alguém que consegue ser feliz o tempo inteiro? Nem rico, nem pobre, nem apaixonado, nem abandonado: ninguém tem uma vida perfeita.

Se é assim, que tal pararmos de lamentar por aquilo que ainda não deu pra alcançar? Uma hora, a gente chega lá.

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a revista teen.

Recebi pelo correio esses dias, como há muito tempo não recebia, a publicação nova da Panini voltada para o público teen: a Revista Cioè Pops. Italiana, parece que a publicação por lá é um sucesso de vendas e que por aqui não pretende ser diferente com o seu precinho atretivo e textos simples.

Como boa jornalista, fiquei surpresa com a quantidade de ídolos que vi espalhados pela capa, pela diagramação, mega ultra colorida e por, à princípio, nada ter me atraído, de fato, a ler a revista.  Depois de tantos achismos, comecei a folhear, página por página, para tentar saber se o que circula pelo universo teen no momento é algo a mais do que esbarramos, ocasionalemnte, na programação da TV. Me surpreendi com a minha velhice. Não conhecia metade dos cantores e cantoras referidos nas páginas e, pra falar a verdade, gostei bastante das sugestões de moda que encontrei por lá, o que indica uma tendência esquisita. Quanto mais somos jovens, mais queremos nos vestir como gente grande e vice-versa, como se aquilo que usássemos fizesse alguma diferença nos anos de vida, pra mais ou pra menos, vai entender. Percebi que em algum momento aquelas dicas todas, sobre make, sobre amigos, sobre escola; faziam, e muito, sentido pra mim.

Além dos testes, clássicos nas revistas adolescentes, o que mais me surpreendeu foram as matérias sobre relacionamentos (pasmem) e sobre temas que poderiam estar publicados tranquilamente numa revista para um público acima dos 30 (com outra linguagem claro.)

A matéria que pra mim foi campeã chama “Eu e o garoto da minha melhor amiga” e, em alguns momentos, encontrei naquelas linhas meus “pacientes” do “Consultório Sentimental” e, até mesmo, um pouquinho de mim. O texto dá conselhos sobre como agir quando sua melhor amiga começa a namorar e você vira um “anexo do casal”, meio excluída, mas meio incluída, num misto de inveja com uma solidão declarada, sabe? Quem nunca viveu essa situação? Que atire a primeira pedra.

E, de repente, comecei a refletir sobre desde quando os sentimentos românticos permeiam a nossa vida. E se haverá um dia em que, de fato, conseguiremos lidar com maturidade quanto a eles.

No final das contas, dos 15 pros 35, as coisas não deixam de ser do jeito que são. A gente só sente mais vergonha de admitir.

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vergonha própria.

Só tem uma coisa pior que sentir vergonha alheia: ter vergonha de si mesmo e das coisas que viveu.

Se alguém disser que não tem vontade de sumir quando olha para algum ponto do passado, é mentira. Fomos mesmo ridículos, muitas vezes, ao longo dos anos. Sem contar as coisas desnecessárias que fizemos sem nenhum por que; as vezes que juramos amor eterno no calor do momento e depois estávamos arrependidos demais pra voltar a olhar na cara da pessoa; todas as vezes que excedemos o limite etílico e dissemos coisas que nãop deveríamos, os amigos verdadeiros que não duraram um verão; a roupa que tanto queríamos e nunca tivemos físico ou estilo suficiente pra usar e por aí vai. A vida é isso mesmo,  um enorme arrepender-se de diversos fatos: quem não se arrepende, não teve história, quem não teve história, não viveu.

Que sejaam as coisas pequenas,  bobas, não estou dizendo que aquilo que você tem vergonha sobre o seu próprio passado deva ser algo realmente tenebroso, às vezes os sentimentos só se apresentam dessa forma para você. Como as coisas eram daquele jeito, naquela época se hoje isso não faz o menor sentido? Pois é. E às vezes, no meu caminhar de volta do trabalho para casa, tenho vontade de sumir quando me vêm a mente algumas coisas das quais me envergonho demais de terem acontecido, mesmo que muitas delas, só digam respeito a mim. Mas agora, escrevendo esse texto, penso que se fosse de outro jeito não teria sido a minha vida.

E não importa, realmente, o que você pensa sobre ela.

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