Consultório Sentimental – O amor que foi embora, mas ficou.

Recebi um e-mail bem tristinho de uma leitora, mas não consegui responder diretamente para ela talvez porque o e-mail cadastrado não seja o correto. Não tenho certeza se posso publicar as palavras dela em exato porque, como não conversamos, não obtive nenhum feedback dela quanto à publicação da história, mas de qualquer maneira queria que ela soubesse a minha opinião.

A moça conta que namorou durante certo tempo um rapaz que foi embora sem dar muitas explicações e que hoje, dois anos após o ocorrido, ele já está em um outro relacionamento e ela não consegue se libertar desse passado. Segue abaixo a minha resposta . Espero que de onde quer que ela esteja, essas palavras tenham serventia.

Ps.: Nos e-mails não escrevo formalmente! Mil desculpas àqueles que estão passando pela primeira vez por aqui e esperavam uma resposta “formal”. O meu objetivo é dar minha opinião de forma rápida e objetiva. A escrita poética eu deixo para as crônicas…

“Oi querida, tudo bem?

Sua situação é complicada, mas não é a primeira vez que recebo e-mails como esse, sabe?
Vamos analisar…
Entendo que você tenha gostado muito desse rapaz, mas vc consegue perceber que não vale a pena ficar presa a um sentimento que definitivamente não é correspondido? Que o sujeito evoluiu, mudou, já está em outra na vida e que vc continua aí, pensando nas coisas que poderia ter vivido com ele e se privando de novos relacionamentos? Infelizmente não tenho a fórmula certa para esquecer alguém, mas sei aquilo que devemos evitar para que as coisas se resolvam mais rápido. Ao contrário do que todo mundo diz por aí, não é com um novo relacionamento que se cura um antigo, é entendendo o POR QUE de estarmos ainda tão apegadas aos relacionamentos que já se foram.

O moço sumiu. Pode ter uma família bacana, pode ter sido muito bom enquanto durou, mas ele não foi homem o suficiente para terminar um relacionamento com vc como as coisas devem ser feitas. Essa sensação de vida “não vivida”, de coisa não esclarecida, te dá margem para criar uma série de fantasias de como esse relacionamento PODERIA ter sido com essa pessoa que, nem ao menos, esteve com vc quando estava tudo indo, aparentemente, bem. Imagine se esse namoro prosseguisse, então? Como seria se vcs enfrentassem um problema de verdade? Vc qr na sua vida alguém que pode contar, um PARCEIRO para todas as horas. De que te adianta um amor inventado?

Tente SE ENTENDER. Isso que vc sente não tem nada a ver com o que viveu e sim com as expectativas daquilo que gostaria de ter vivido e não conseguiu. Eu sei, não e fácil “largar o osso”, mas não é saudável e nem um pouco interessante ficar desejando que ele volte, que alguém igual a ele apareça, ou que as coisas sejam da maneira que foram. Vc merece uma pessoa que REALMENTE queira estar com vc, tendo ela outros defeitos e outras qualidades, sabe? O que acontece é que vc não encontrou ainda alguém a altura, e precisa justificar esse fato comparando seus atuais relacionamentos à única referência bem sucedida que vc teve, que se vc for pensar bem, nem foi tão bem sucedida assim.

Não queira alguém que se assemelhe a ele, queira MAIS. Porque é isso que vc merece, tenho certeza!
Um bjão e obrigada por escrever para o Consultório!
Feliz 2012 com MUITAS SURPRESAS,
Ericka.”

 

 

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a síndrome dos bons tempos.

Temos  a tendência de achar que o tempo que passou é sempre melhor que o vivido agora, repara. Se não sempre, na maioria dos casos. Lembro dos meus 15 anos com tanta saudade que até dói. Mas daí, num lapso de memória, recordo daqueles simulados escolares insuportáveis, das festas que eu não podia ir porque era menor de idade, de que eu tinha hora pra dormir, acordar e chegar em casa e, o principal: que meus amigos não tinham carro (porque eu mesma continuo sem ter).

Daí penso que os 18 sim, esses eram de ouro. Foi quando entrei na faculdade, comecei a trabalhar, a ganhar meu próprio dinheiro… E a dormir bem menos às custas disso. Olha aí o ponto negativo. Foi também nessa época que percebi que nunca teremos o suficiente (e que isso nem sempre é rnegativo). Sempre vai faltar um tênis, uma viagem, um computador ou tempo para curtir tudo o que se conquistou.

Pensei nos 20, 21, 23 e cheguei a conclusão que nem aos 6 anos de idade a vida era tão fácil assim, nunca é. E se a gente lembra de tantos pontos positivos de épocas distintas é porque andou mesmo vivendo bem.

Melhor que lamentar é agradecer por tudo de positivo que se viveu. E que venham muitos anos pra continuar na saudade…

 

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a revista teen.

Recebi pelo correio esses dias, como há muito tempo não recebia, a publicação nova da Panini voltada para o público teen: a Revista Cioè Pops. Italiana, parece que a publicação por lá é um sucesso de vendas e que por aqui não pretende ser diferente com o seu precinho atretivo e textos simples.

Como boa jornalista, fiquei surpresa com a quantidade de ídolos que vi espalhados pela capa, pela diagramação, mega ultra colorida e por, à princípio, nada ter me atraído, de fato, a ler a revista.  Depois de tantos achismos, comecei a folhear, página por página, para tentar saber se o que circula pelo universo teen no momento é algo a mais do que esbarramos, ocasionalemnte, na programação da TV. Me surpreendi com a minha velhice. Não conhecia metade dos cantores e cantoras referidos nas páginas e, pra falar a verdade, gostei bastante das sugestões de moda que encontrei por lá, o que indica uma tendência esquisita. Quanto mais somos jovens, mais queremos nos vestir como gente grande e vice-versa, como se aquilo que usássemos fizesse alguma diferença nos anos de vida, pra mais ou pra menos, vai entender. Percebi que em algum momento aquelas dicas todas, sobre make, sobre amigos, sobre escola; faziam, e muito, sentido pra mim.

Além dos testes, clássicos nas revistas adolescentes, o que mais me surpreendeu foram as matérias sobre relacionamentos (pasmem) e sobre temas que poderiam estar publicados tranquilamente numa revista para um público acima dos 30 (com outra linguagem claro.)

A matéria que pra mim foi campeã chama “Eu e o garoto da minha melhor amiga” e, em alguns momentos, encontrei naquelas linhas meus “pacientes” do “Consultório Sentimental” e, até mesmo, um pouquinho de mim. O texto dá conselhos sobre como agir quando sua melhor amiga começa a namorar e você vira um “anexo do casal”, meio excluída, mas meio incluída, num misto de inveja com uma solidão declarada, sabe? Quem nunca viveu essa situação? Que atire a primeira pedra.

E, de repente, comecei a refletir sobre desde quando os sentimentos românticos permeiam a nossa vida. E se haverá um dia em que, de fato, conseguiremos lidar com maturidade quanto a eles.

No final das contas, dos 15 pros 35, as coisas não deixam de ser do jeito que são. A gente só sente mais vergonha de admitir.

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vergonha própria.

Só tem uma coisa pior que sentir vergonha alheia: ter vergonha de si mesmo e das coisas que viveu.

Se alguém disser que não tem vontade de sumir quando olha para algum ponto do passado, é mentira. Fomos mesmo ridículos, muitas vezes, ao longo dos anos. Sem contar as coisas desnecessárias que fizemos sem nenhum por que; as vezes que juramos amor eterno no calor do momento e depois estávamos arrependidos demais pra voltar a olhar na cara da pessoa; todas as vezes que excedemos o limite etílico e dissemos coisas que nãop deveríamos, os amigos verdadeiros que não duraram um verão; a roupa que tanto queríamos e nunca tivemos físico ou estilo suficiente pra usar e por aí vai. A vida é isso mesmo,  um enorme arrepender-se de diversos fatos: quem não se arrepende, não teve história, quem não teve história, não viveu.

Que sejaam as coisas pequenas,  bobas, não estou dizendo que aquilo que você tem vergonha sobre o seu próprio passado deva ser algo realmente tenebroso, às vezes os sentimentos só se apresentam dessa forma para você. Como as coisas eram daquele jeito, naquela época se hoje isso não faz o menor sentido? Pois é. E às vezes, no meu caminhar de volta do trabalho para casa, tenho vontade de sumir quando me vêm a mente algumas coisas das quais me envergonho demais de terem acontecido, mesmo que muitas delas, só digam respeito a mim. Mas agora, escrevendo esse texto, penso que se fosse de outro jeito não teria sido a minha vida.

E não importa, realmente, o que você pensa sobre ela.

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uma praia para amar.

Emissário submarino, por Mauricio Mascia.

 

Encontrar-se em uma cidade é como apaixonar-se por alguém que sempre esteve lá e você nunca deu valor; ninguém escolhe, afinal, onde deseja nascer, que nem pai e mãe: são eles é que escolhem conhecer a gente.

Poderia falar de todos os casos de amor e ódio, dramas e crises, poderia contar como é bom caminhar pelo calçadão da orla e da sensação de conforto ao enxergar o enorme peixe na entrada da cidade quando volto de São Paulo para cá, mas Santos é bem mais que isso; é um lugar para chamar de meu. Uma cidade que me traz de volta todas as sensações de estar um pouquinho mais próxima da sanidade, um pouquinho ao lado de Deus. Pode parecer exagero, mas quando piso na areia é mais fácil respirar. Sair à noite é leve, as pessoas são simples, a comida menos gordurosa. Os amigos e as idéias são fáceis, soltas, como se por alguns instantes não existisse mais a correria da semana, os problemas pessoais ou o stress.

Há quem reclame da praia, que não é tão bonita, quanto a do litoral Norte. Há quem diga que não há nada para se fazer aos finais de semana pela baixada e que todo mundo se conhece e não sabe, um saco, mas não há quem consiga se sentir confortável quando sai daqui.

Santos não é só um lugar para envelhecer com qualidade de vida, como dizem por aí, é também um lugar para crescer, amar, estudar, conseguir encontrar a si mesmo sem precisar sair do lugar. Uma vez nascido e criado na praia, é difícil gostar do concreto e das coisas da metrópole, como se os pés precisassem de um respiro, como se fosse necessário ouvir o mar, andar de bicicleta ou encontrar-se com os amigos lá no Emissário, num fim de tarde à toa,  para experimentar o melhor churros do mundo.

Quando somos jovens temos a falsa ideia de que é preciso viajar para conhecermos um pouco de tudo aquilo de bom que se deve ter, quando, na verdade, precisamos mesmo é conhecer a nós mesmos.

Santos é provinciana, quadradinha, não precisa de GPS, nem de radar, não precisa de celular com wi-fi e nem de mais de 50 reais para se divertir com tranquilidade. Você encontra um pouco do luxo, um pouco do que há de simples, um pouco de cozinha refinada e um excelente pastel de feira. Em Santos é impossível se perder. A não ser que seja de amor por cada pequeno momento que você nunca mais consegue esquecer ao encontrar-se por aqui.

E foi em Santos que eu aprendi a valorizar as coisas simples. E a entender que mesmo depois de ir e voltar, diariamente, não existe nada como estar em um lugar que a gente pode chamar de lar.

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reciclagem.

Hoje me desfiz de algumas coisas que achei que já tiveram muito valor um dia.

Joguei fora cartas, presentes e documentos bestas de um passado que não dói mais. Me livrei de algumas roupas que já não cabiam e perfumes que já haviam perdido o cheiro há uns 4, 5 anos, mas que estavam lá, simbolicamente armazenados na prateleira. Apaguei do MSN nomes fantasmas e recordei que um dia eram tão intensos, tão amigos, tão meus e agora nada, nada mesmo. Não lembro da última vez que souberam de mim e vice-versa, não lembro se um dia tomamos um porre juntos, se conheci no trabalho ou pela rua. Só sei que um dia eles estiveram lá, fortes, fazendo sentido, fazendo barulho, até provocando uma dorzinha de cotovelo, às vezes.

Deletei algumas fotos também, que não queria recordar. Não porque eu me arrependa, e pensando melhor sobre isso, me arrependo mesmo de grande parte delas, mas joguei tudo fora porque não me reconheço mais naqueles acontecimentos. Parece que estava fora de mim quando aquelas coisas aconteceram, e não digo no sentido etílico da coisa, não era eu. Eu não sou mais daquele jeito, não uso mais aquelas roupas, deixei de gostar daquelas pessoas e parei de comer aquelas coisas.

Mudamos tanto com o passar dos dias e estamos tão longe de nós mesmos que deixamos de notar. De repente, quando paramos pra olhar pra trás, encontramos registros acumulados em caixas, potes, armários que guardamos com tanto carinho e sem nenhum por que que estranhamos. As coisas boas ficam armazenadas na mente, não precisam de suporte para que estejam vivas, não precisam de registros físicos. Um cheiro, uma música, um nome são o suficientes para despertar na gente o bom e o ruim do que se foi vivido.

E uma faxina no coração, daquelas bem feitas, sempre libera espaço pra coisa boa.

 

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