A vida que a gente inventa.

Existe uma coisa muito louca – e muito triste – sobre a vida adulta: a tal da frus-tra-ção. Essa palavra tão pequena, tão objetiva e tão cheia de sentido é muito, muito difícil de ser superada. A gente finge que lida bem com ela, enfia todos os sentimentos relacionados à dor e a angustia provocada bem no fundo do peito, coloca um sorriso no rosto e finge, literalmente, que nada está nos abalando ao longo dos dias. Nadinha de nada.

Quando ficamos adultos percebemos a essência de todos os problemas familiares passados, compreendemos de onde vieram as proibições, as broncas e, principalmente, as restrições da nossa infância. Sabe aquela frase que sua mãe repetia incessantemente quando queria justificar algo aparentemente injustificável? “Quando você chegar nessa fase você vai entender?” Então, chegamos. E percebemos que entender é muito mais simples que aceitar as realidades – prazeres e dessabores – de como a vida se apresenta.

A gente é um universo. Inventa um montão de coisas na nossa cabeça ao longo de toda infância e juventude e acredita, piamente, que é capaz de fazer tudo, ser tudo, chegar em qualquer lugar. E é. Só que nada é tão simples como uma festa de 15 anos, nada é tão fácil quanto era, olha só, aquela prova final de Física. Ser adulto é um eterno saber administrar decepções. Não se escravizar pelos próprios erros. Levantar, sacudir a poeira e voltar a caminhar. É tentar manter a sanidade em meio a diferentes desequilíbrios profissionais, financeiros e pessoais, lidar com pessoas, medir palavras, melhorar e evoluir filtros. A todo o momento. Adulto não tem duas férias escolares por ano. Não tem tempo de lavar a roupa, de dormir bem, de se alimentar com equilíbrio – a gente tenta, o tempo todo, mas nunca chega naquele momento em que se sente satisfeito com a vida como ela está, o que motiva e desmotiva a gente, como numa gangorra.

A gente é feliz, a gente conquista um monte de coisas, a gente evolui, a gente não pára de batalhar – e nem pode – mas não vive, definitivamente, aquela vida que a gente criou na mente e achou que seria natural. Não existe sucesso natural ou felicidade natural a gente constrói as coisas que quer e, digo mais: da maneira que dá.

Você pode estar super bem resolvido aos 25, ou não, você pode ter uma família totalmente estruturada aos 35, ou não, você pode ter tido filhos – ou até netos – aos 45, ou não. Não existe mais aquela lineariedade pueril. Depois da 5a série não necessariamente vem a 6a, a gente às vezes pula logo pro colegial,e tem que se virar de alguma forma, ou regride lá pra pré-escola e tal, sofrendo de coisas que achou que já tinha superado, faz parte.

É assim pra mim, pra você, é assim até práqueles seus amigos que já tem casa, comida, viagem internacional todo o ano e ainda acham que não conquistaram nada.

Tá infeliz? Levanta e anda. Opte por viver pelo menos uma parte do que você inventou. Se não, você fica preso sempre na fantasia e, convenhamos, a realidade um dia te cobra. E dói pra caramba.

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Vênus em Gêmeos, coração na Lua.

Dia desses, vi no meu mapa astral online ~ super confiável ~ que tenho Vênus em Gêmeos. Li em alguns outros tantos lugares que isso significa que sou uma pessoa que gosta de todo mundo e de ninguém ao mesmo tempo, que entra e sai fácil dos relacionamentos, que hoje gosta, amanhã desgosta, depois nem lembra. Fui taxada de superficial, de volúvel, falsa e mais uns tantos termos pejorativos que não vale ressaltar aqui porque não é o foco, mas, enfim, deu pra entender qual é a vibe.

De fato, dos não amores que tive, desamei facilmente. Há uns tempos me peguei sem reconhecer aquele casinho do passado, o rolinho da adolescência e onde-mesmo-que-eu-tava-com-a-cabeça-quando-gostei-desse-cara? Cruzes.

Talvez a tal da Vênus em Gêmeos faça mesmo sentido. Que cansaço me dá essa coisa de sofrer por amor, sempre tive um pouco de preguiça. Das pessoas realmente inesquecíveis, conto 2, 3 bons amigos ex-amores e só. E olhe lá.

Na prática, se acabou é porque teve fim. Que venham outros 2, 3, 35, 112. E que a gente se reinvente quantas vezes forem necessárias até se esquecer do que um dia era eterno.

Gente que tem a tal da Vênus em Gêmeos, tem, na verdade o coração na Lua. Longe, distante e bastante seletivo. Somos capazes de mostrar o maior dos envolvimentos sem nenhum interesse e o maior dos desprezos estando interessadíssimos. Somos seres complicados, peculiares, calculistas. E daí – PUFF – mega impulsivos de repente. Hoje não ligamos, amanha fazemos drama. Hoje morremos de dor, amanhã nem sabemos mais porque. E nessa balança maluca do amor nunca esquecemos de uma coisa: de que tudo vale a pena desde que seja intenso, inteiro, cativante. Se a outra parte meio quiser, não basta. Se fizer em parte, se tiver uma pontinha de receio…Não dá. E daí os ciclos se repetem, e nós é quem ganhamos a fama de bad boys/girls, veja bem.

Que culpa tenho eu se existe tanto medo em ser o que quiser na hora que dá na telha?

Sou Vênus em Gêmeos sim, com muito orgulho. E a sua opinião sobre isso? Pra puta que pariu.

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O Pão Nosso de Cada Dia*

Ser adulto é muito chato. Mais chato que ligar pra call center de domingo, pior que picada de inseto embaixo do dedinho do pé. Essa coisa de ter responsabilidade e conta pra pagar era tão mais nobre na teoria, quando a roupa não acumulava na área de serviço e não tinha nenhuma louça suja na pia… Ou quando dormíamos de 12 à 14 horas e ainda tínhamos a indecência de reclamar de sono.

A cada geração sinto que os jovens estão menos preparados para ser adultos, talvez porque viver para o futuro é algo que aprendemos a lidar eu ambiente ideal, no conforto da casa dos nossos pais. Nessa época, nossa maior preocupação é passar no vestibular, conquistar o paquera ou comprar uma calça jeans. Ninguém disse que ia ser tão difícil e cansativo trabalhar e estudar, e nada foi falado sobre perder os finais de semana tentando resolver o resto da vida pessoal.

Aliás, que vida pessoal, não é mesmo? Recorde quantas festas você ia lá pelos seus 15 anos e compare com a sua realidade hoje. Quantos não foram os vestidos, penteados, sandálias e maquiagens que você investiu achando que aqueles eventos eram o que havia de mais importante na vida? Tenho certeza que você sente vergonha de pelo menos 20% dos modelitos da época.

Pra quem é adolescente tudo é muito mais intenso. Não ir à festa é como morrer, brigar com os pais é suficiente pra fugir de casa e todo o relacionamento, sem exceção, é pra casar. Quando a gente tem 13 anos acha que é capaz de tudo, de virar engraxate ou de vender queijadinha no sinal, sem ter a menor noção do quanto custam de fato as coisas – e não só monetariamente falando. Quantas horas de estudo, de dedicação e de sorte serão necessárias para conquistar aquilo que deseja, para ser independente, livre e como cada ação influencia no nosso destino. E quem diria que esse tal de destino existia mesmo, hein? Aos 13 você achava que tudo depende única e exclusivamente das suas ações. Hoje, já percebeu que nem tudo, nem sempre, depende única e exclusivamente do nosso querer.

Sinto falta desse tempo em que tudo era mais leve, mas acho que não queria voltar atrás. Quanto maior o desafio, maior também são as alegrias. Não é?

Que seja, por favor.

* Nos idos de 2012, escrevia para um ilustre e delicioso blog chamado “Dona do Meu Nariz” – que, infelizmente, acabou acabando por falta de tempo das envolvidas. Resolvi republicar alguns textos escritos lá por aqui, afinal, recordar é preciso. =)

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as desamarrações do amor.

Confesso que tenho uma imensa curiosidade em saber como funciona esse lance de trazer o amor de volta em sete dias (ou em três horas). Deve mesmo existir por aí um sem número de pessoas que, na hora do desespero, apela até pros deuses celtas, pros búzios e pro tarô, mergulha o Santo Antônio no leite morno, toma xixi, faz banho de arruda e dá início à reza mais forte que conseguir encontrar.

Uma pena que em vão.

Pode me chamar de cética, de descrente. Pode me chamar de mulher de pequena fé, mas além da morte e da vida, o amor é uma das coisas que menos temos o poder de controlar. Se perdemos tempo, se pisamos na bola, se negligenciarmos as coisas – ou fizermos tudo como manda o figurino – ainda assim, estamos sujeitos ao acaso. Ao acaso das desamarrações do amor.

Maior que o medo de perder um grande amor, sinceramente, é o de tentar prendê-lo a qualquer custo. Alguns nós, às vezes, são tão apertados que machucam. Melhor deixar a coisa desatar, se assim tiver que ser, que insistir pra que ela permaneça ali, sem opções de ir embora.

Sei também que é fácil falar assim, quando se está na zona de conforto. Não perdi meu grande amor, muito pelo contrário, ele está bem aqui, dentro do peito, quentinho, do outro lado da cama, onde deve mesmo estar. Quem sou eu, então, pra julgar àqueles que já não quiseram profundamente que as coisas voltassem a ter o sabor do começo, não é mesmo? Pensando no âmbito psicológico da coisa, creio que o esforço para retomar aquilo que um dia tivemos é uma das partes cruciais do desapego.

Sim, somos mesmo contraditórios pra dedéu.

Dos superpoderes que gostaria de ter, não queria, afinal, esse de amarrar os sentimentos alheios. Talvez o de voltar no tempo, talvez o de ser invisível, talvez o de apagar algumas memórias ruins – não sei, esses me parecem bons. E você, amante desesperado, apelão de mandingas, deveria começar a pensar assim.

Só se insiste nessa coisa de querer a todo custo o que já há muito se perdeu quem não consegue se moldar e conviver com o que muda, com o que vai e pode ser ainda melhor.

E estar vivo, meus jovens leitores, é mudar todos os dias. Mesmo que no começo (e talvez no meio), doa.

Desamarrar é mesmo difícil, mas depois alivia.

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Aquela vez, na festinha…*

Cometi o erro, uma vez, de achar que tinha me apaixonado por um menino de balada. Acredito que o amor possa florescer até nos terrenos mais inférteis, não é isso. Mas aquele não era o contexto, o clima, não era a vez das coisas darem certo.

Lembro-me que vivia uma fase alucinadamente solteira depois de um longo e sucessivo período de idas e vindas de um relacionamento anterior. Estava mais simpática que o normal, mais ousada que o normal, mais empolgada que o normal e, provavelmente, mais alcoolizada que o normal. Acho que os momentos onde temos a maior capacidade de sedução são aqueles em que não estamos dando a mínima pra isso, que não estamos com foco em nada a não ser nós mesmas, na música e no “seja o que Deus quiser”.

A situação durou uns 3 meses de namorico estranho. Descobri que tínhamos muitos amigos em comum, descobri que talvez fôssemos primos, já que compartilhávamos o mesmo sobrenome, descobri também que o sujeito era meu vizinho, que nossos pais se conheciam, tudo lindo, parecia coisa do destino, só que não: tinha cara de pesadelo. Soube da vida dele inteira em uma semana, com aquela capacidade incrível que me é peculiar, falei um pouco de mim, prometi algumas coisas que não deveria e chegou num momento, o fatídico momento, em que cansei de tanta intensidade, intimidade e velocidade numa coisa que era pra ter durado uma noite. E só. E que eu  já tinha total ciência, mas que deu uma preguiça infinita de agir.

Preferi deixei rolar.

E ele era lindo. De verdade. Talvez um dos caras mais bonitos que eu tenha conhecido na vida, talvez um daqueles casos únicos em que damos sorte. E inteligente também, trabalhador. Não entendo ao certo como as coisas se dão quando falamos do coração, mas uma coisa é certa: facilidade demais é chata. Paixão veloz, efêmera.

E acima de tudo: amar exige mais que afinidade, disposição e um carinho aqui ou ali.

E nem sempre nos damos conta rapidamente disso.

* Nos idos de 2012, escrevia para um ilustre e delicioso blog chamado “Dona do Meu Nariz” – que, infelizmente, acabou acabando por falta de tempo das envolvidas. Resolvi republicar alguns textos escritos lá por aqui, afinal, recordar é preciso. =)

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o voodoo nosso de cada dia.

Algumas coisas são bastante difíceis de encarar, eu sei. Sei também que quando estamos no olho do furacão enxergamos tudo pelo nosso ponto de vista – seja da dor, seja do amor, seja do ódio – e que distorcemos todas as coisas para tentar contornar emocionalmente seja qual problema for. Mas tem uma coisa, uma única coisinha nessa vida, que eu não consigo admitir: que as pessoas façam barraco. É a prova maior da ausência de auto-estima.

E não estou falando aqui daquele barraco que, vez ou outra, acomete a vida de uma mulher injustiçada, não estou falando de mi mi mi entre quatro paredes, crise de choro ou uma lavagenzinha de roupa suja. Estou falando do barraco estilo “Casos de Família”, onde é tudo puta e viado, onde se perde o nível, a noção e as estribeiras passam longe. Onde se faz ameaça de morte, voodoo, escândalo no shopping, indiretinha no Facebook com mentira atrás de mentira marcando os envolvidos, expondo a família, os amigos, os filhos, a comunidade cristã, budista, os monges do Tibete, o SAMU, chamando todo mundo praquela maravilhosa torta de climão que está a sua vida. Apenas parem com isso. É feio, sabe? É deprimente. E mais que isso: não conserta nada. Não traz seu amor de volta em 7 dias, não te faz sentir menos corna, nem deixa ninguém mais ou menos culpada por absolutamente nada, garanto. E digo mais: é cansativo, faz mal. E não afeta a felicidade de quem está verdadeiramente feliz. Chega de voodoozar a vida alheia, ordinária, vai dizer que não sabia que as coisas iam terminar mal? Sabia sim. E se não fez nada enquanto podia (ou fez de tudo o que podia pra contornar e num deu), pode parar de causar agora, faiz favô.

Dignidade já.

Chega de ficar alimentando sentimentos ruins e sendo incentivado a tomar providências por coisas já findadas e sem solução. Geralmente sofremos não por aquilo que podemos resolver, mas pelo o que sabemos que já não há mais como reverter. Fez uma cagada? Assuma a culpa e fique quieta. Foi desrespeitada? Leve como lição para não permitir que as coisas cheguem às vias de fato. E é isso. A vida ensina, a vida segue. E não, bixo, não se resolve tudo no grito, na peixiera, no babado e confusão. Você sabe.

Os seres humanos, infelizmente, cometem erros. Um dia da caça, outro do caçador. O mundo dá voltas, a vingança é um prato que se come cru, praga de urubu não pega em beija-flor, eu não sou tuas nêgas, e todas essas frases de efeito existem por um único motivo: aqui se faz, aqui se paga (olha aí, usei mais uma). Calma lá, queridinha. Se você quer tanto destruir o mundo de alguém porque o seu foi devastado está sendo exatamente igual a quem te fez mal. Ah, sim! E isso também vai ter volta, viu? A regra é clara, Arnaldo.

Nada melhor do que desapegar-se para viver. Afinal, todo mundo nessa vida vai carregar uma cruz.

Vamos parar de chutar a alheia?

Já estive dos dois lados e garanto: tudo se transforma. E geralmente, no melhor para todos s envolvidos. Pode crer.

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Blogagem coletiva: Uma carta para mim mesma – 10 anos atrás

É aí Elka, beleza?

Aqui quem lhe escreve é você mesma, só que 10 anos mais velha. Magra igual, palhaça igual, pobre igual, viu? Não foram nesses últimos 10 anos que você ficou rica, infelizmente. Mas pode ficar tranquila: mesmo você passando um certo tempo sem trabalhar, de-ses-pe-ra-da e entediada na casa dos seus pais por um ano, os outros 9 que sucederão esse sabático te darão bastante pano pra manga. E pouquíssimas horas de sono bem dormidas.


Você não terá esse sorriso torto pra sempre.

 

Não se preocupe com seu peso. Pare agora de fazer essa academia que você inventou. Aliás, no quesito alimentação, só corte a fritura. E as massas. Seu colesterol não será o mesmo daqui pra frente, mas seu corpinho, óh, continuará essa saracura. Por mais que você tente virar marombada a verdade continua essa: vai mirar na Sabrina Sato e acertar na Pepê e Neném. Então, sem crise. Aproveite seu tempo livre – que vai ser cada vez mais escasso – para fazer o que sempre te deu prazer: comer gordices e escrever. E ler também. Muito e sobre tudo.


Você não precisa comer esse tanto de batata frita.

 

Você ainda não sabe, mas vai inventar de fazer outra faculdade em 2009, quando não aguentar mais de tantas boas ideias na cabeça. Vai retomar o hábito de desenhar e vai descobrir uma nova forma de pensar por meio do Design de Produto – e isso vai te ajudar muito quando você precisar ser criativa no trabalho. Santos, definitivamente, não será mais a sua casa, e nesse meio tempo você vai conhecer tantas pessoas – e morar com tantas outras – que a palavra lar terá um novo significado.

Você, que achou que sua vida estaria maravilhosamente diferente depois de 10 anos, errou feio, errou rude. Mas as coisas melhorarão pro seu lado, viu? Você não vai mais trabalhar 15 horas e ganhar 3 dígitos pra sempre, vai ganhar melhor. Mas as horas de trabalho se mantém…Rs… E embora o seu futuro não seja exatamente de luxo, glamour e tranquilidade, você vai realizar uma porção de sonhos materiais super pequenos que hoje você dá muito valor. E vai ser bacana ter percebido que em 10 anos mudam não só as circunstâncias da nossa vida, mas os nossos valores em relação a ela. Sinto muito dizer que você, AINDA, não terá carteira de motorista em 2014, mas embora isso hoje tire o seu sono e te faça infeliz, não vai fazer a menor diferença lá pra frente. Acredite em mim.


Você ainda vai pegar muitas caronas por aí.

 

Queria dizer que você vai desencanar daquele carinha da sua adolescência que te fez começar esse blog e que vai, inclusive, perceber que nem gostava tanto dele assim. Aliás, ele vai ter 2 filhos, casar e você nem vai ligar pra isso. Nesses 10 anos você vai namorar pelo menos umas 3 pessoas, todas incríveis, e aprender muito sobre futuro, expectativas e amor eterno. Você vai ser sincera com o que sente, sempre leal àquilo que acredita e ganhar 3 amigos interessantíssimos pro resto da vida – ou, pelo menos, até o presente momento.

Dando um panorama geral e falando sobre coisas aleatórias, você vai continuar muito feliz e com vontade de viver tudo o que há pra viver. Vai conhecer o Chile em 3 dias, visitar um vulcão e tirar fotos incríveis. Vai desejar ter filhos com uma urgência nunca antes vista, mas não terá nenhum (e ainda bem)! Vai cuidar de um coelho e de uma calopsita nesse meio tempo e  sofrer muito quando os dois forem embora, fica aí o meu aviso. Aliás, pare com essa ideia maluca de ter bichos: nesses 10 anos você mal vai conseguir dar atenção pra você, mas vai fazer um excelente trabalho tentando.

 

Você vai tirar boas fotos em 2009.

Queria te incentivar a nunca parar esse blog e a escrever sempre de forma pessoal. Sei que você desistiu um pouco de falar de si mesma por que, né? Esse mundo é uma merda. Mas, no fim das contas, não é pra aconselhar a si mesma que você perde um tempão formulando esses textos? Preocupe-se só com isso. Isso vai te aproximar de muitas pessoas incríveis e te dar oportunidades que só quem é de verdade tem.

Espero ter ajudado e matado um pouquinho da sua curiosidade.

Que os seus 10 anos sejam saborosos. E que você saiba disso enquanto os estiver vivendo (eu tenho certeza que saberá).

Um beijo,

Ericka (com quase 30).

 

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. Quer participar? Então faça parte do nosso grupo no Facebook e inscreva-se no Rotation. Essa carta, em específico, foi uma inciativa do blog Hypeness. Quer ler outras cartas que já foram publicadas por lá? Clique nessa tag aqui:  “Uma Carta”.

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2013… O que teve?

 

Sei que você deve estar aí na sua cidade, planejando beijar o amor da sua vida, pular as 7 ondas, usando calcinhas multicoloridas e to-do-más e que, provavelmente, só lerá esta belíssima retrospectiva (quiçá) nos primeiros dias de 2014. Não importa. Eu não poderia deixar passar batido um ano que foi tão incrivelmente sensacional para mim em diversos sentidos, inclusive, em causos, inspirações e postagens por aqui. Esse ano escrevi e me dediquei bastante para que o blog ganhasse mais ritmo, se tornasse mais conhecido e menos pessoal… Acho que num balanço (bem) geral, fui feliz nas minhas escolhas!

Me formei em uma segunda graduação, terminei um namoro, perdi meu avô, fui promovida no meu trabalho, conheci gente incrível, bebi e comi muito mais que deveria, tentei fazer academia e não consegui… Entre tantas coisas boas, outras nem tanto e outras sensacionais, resolvi resgatar os 5 posts mais lidos do ano para que você, ilustre leitor, dê uma suspiradinha de saudade e aqueça o seu coraçãozinho ao fazer essas (re) leituras. Vamos lá?


1) A maior declaração de amor do mundo

 

2) Do começo ao fim

 

3) A verdade sobre as piriguetes (esse é de 2012, mas continua VIVO entre os mais lidos!!)

 

4) Sobre a magreza e a felicidade

 

5) A morte de quem ainda vive

 

***BONUS***

O amor não é uma bosta

Que 2014 seja memorável. E que continuemos a nos encontrar por aqui.

Tudo de melhor para vocês, sempre.

Ericka.

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no rascunho de 2011.

Quando você me ligou eu estava no banho, eu lembro. Tinha acabado de depilar as pernas e de usar aquele shampoo incrível que deixa os cabelos cheirando 3 quarteirões. Quando você me ligou eu virei do avesso, por dentro assim, dei um pulo. Não sabia se colocava roupa de inverno ou de verão, na dúvida levei comigo um casaco. Estava com o coração quente, com os pés gelados, com a cabeça fresca.

Éramos tão jovens, eu lembro, tão inconsequentes. Eu queria terminar, queria começar, queria que fosse pra sempre. Queria beber vinho até perder a razão, até perder o sentido, até voltar a beber vodka com energético. Lembro que você me levou num barzinho aconchegante, que passava os dedos nas minhas pernas. Lembro que estávamos felizes por nada, por estarmos ali, apenas, juntos por coisa nenhuma. Você contou da sua chácara em Itu, comentou que sentia falta dos seus avós. Disse que só conseguia dormir com as luzes completamente apagadas, e suspirou quando lembrou que teria que viajar pra bem longe, na semana seguinte. Que começava no dia de amanhã.

Começamos, então, a fazer planos que sabíamos que nunca concluiríamos. Nos beijamos como se fosse a última vez, a última gota. O caminho de volta foi longo, foi triste. Eu lembro. E lembro que você, apesar de querer conhecer o mundo inteiro, tinha ele nas mãos e deixou cair no chão fazendo bastante barulho. Alto.

E nunca mais conseguiu juntar os pedaços que ficaram espalhados por aí.

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perdido nos rascunhos.

“Hoje me peguei querendo saber como você está. Do casamento, dos filhos, de coisas que, há muito, nem me vinham a mente. O tempo livre é o vilão das nossas boas (e más) memórias, é o vilão da saudades. Não que eu tenha saudades de você, ando mesmo é com saudades de mim. Quem aliás, num desses dias de chuva, não pensa sem parar nas aleatoriedades que viveu? Eu penso sempre. E ando um auê por dentro, sem saber se me encontrei ou se, definitivamente, me perdi. Como sempre.

Ouvi uma música que tenho certeza que você iria curtir. Era um misto de poesia, tinha jogos de palavras, bem no estilo que você me apresentaria aos domingos, quando perdíamos tempo indo e vindo sem rumo certo pela avenida Paulista. Hoje foi um daqueles dias difíceis no trabalho, em que certamente você me diria para não ser tão negativa assim, pra tentar algo novo. Falaria alguma coisa vaga sobre talento, que escrevo bem, que talvez devesse tentar publicar um livro ou virar apresentadora da MTV.

Sabe, comi o melhor pão de queijo do mundo, mas você não ia gostar. Era peguento, tinha um gosto absurdo de parmesão ralado vagabundo, daqueles que eu adoro, você lembra? Acho que não, não lembra.

Fui dormir mais uma vez com dor nos joelhos. Lembrei da almofada que você me deu e joguei fora, puxa, por que eu joguei fora aquela almofada? Das cartas que mandei pra reciclagem na última faxina e parei de pensar em você. Porque de todas as coisas boas que tínhamos, só sobrou mesmo esse texto.

E aquele brinco de estrelas perdido no porta jóias.”

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