desconhecidos.

Existe um fenômeno que acomete a minha vida diariamente e eu gostaria muito de saber se ele também acontece na vida de vocês. É o seguinte: eu tenho vontade de elogiar desconhecidos. O tempo inteiro. Geralmente enquanto estou no transporte público. A sandália, o cabelo, aquele brinco INCRÍVEL, o relógio que eu não consigo parar de olhar. Ocasionalmente, inclusive, eu acabo falando com algumas pessoas, perguntando qual o creme que dá esse volume todo no ~picumã~, o nome do esmalte, ou que perfume é esse cara? Essas coisas.

No geral, as pessoas são bem receptivas, sorriem e eu acabo fazendo algumas “amigas de  busão” aqui e ali (depois vou falar sobre isso em outro post), mas é IMPRESSIONANTE como outra parcela, principalmente a feminina que eu costumo abordar bem mais por motivos óbvios, não sabe lidar com um elogio. Fica desconcertada. Diz que a peça foi baratinha, está velha e que o perfume é Avon. Às vezes trava, faz um aceno com a cabeça, olha pro chão e nem sabe o que dizer.

As pessoas não suportam escutar o quanto são bonitas. O quanto estão arrumadas. O quanto é linda a beleza natural pela manhã, despretensiosa, com cara de sono, meio amassada. Não conseguem lidar com o próprio bom gosto, com as próprias escolhas e o modo que isso impacta na vida de outras pessoas. Às vezes, nem pensam nisso. Quem, afinal, não tem problemas com a auto imagem vez ou outra, não é mesmo? Tenho pensado bastante sobre aceitação. E acho que elogiar os desconhecidos por aí pode mudar, de verdade, o dia ruim de alguém.

Somos críticos e duros em relação a diferentes coisas da vida. Somos até maus, às vezes. Nossos julgamentos são ferozes e instantâneos, então resolvi, no final das contas, deixar que essa good vibe dos elogios descontrolados tomasse conta da minha vida. Quando a gente vê o lado bom dos outros, passa a ver também o lado bom na gente, o lado bom da vida. E a minha, a sua vida e a vida de quem nos cerca, fica muito, muito, mais leve. Mesmo.

Acho que vale a tentativa.

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Look do dia – e aceitação em tempos de vida perfeita

Daí que eu comecei a fazer um Instagram com meus looks do dia. Primeiro, porque sempre comentavam que o modo como eu me vestia refletia muito a minha personalidade – e que talvez eu devesse explorar isso de alguma forma – e segundo, porque descobri que olhar a si mesmo nas imagens é um super exercício diário de auto aceitação (e de ajuste daquilo que fica REALMENTE bom em você, em termos de moda mesmo).

Eu, que nunca tive vergonha na cara ou preocupação com a minha imagem online, que postava foto bêbada, suada ou de biquini comendo pastel de feira, me vi ali analisando se estava gorda ou magra, se meu cabelo tinha ou não frizz e extremamente incomodada com a minha cara de sono, sem maquiagem, quando resolvia fotografar de manhã. Não é à toa que as pessoas vivem dizendo que o universo das redes sociais é um mundo à parte, de fantasias e superficialidades, mas sentir isso na pele faz você ir para uma outra esfera: a pessoal. Aquela na qual você, sem recursos ou super efeitos, se vê obrigada a se gostar como é.

Depois de uma semana registrando aqui e ali meu look pelas ruas, pude entender porque as pessoas realmente VIVEM disso: dá um trabalhão. E ninguém que pega ônibus, tem hora pra chegar e mil coisas pra fazer durante o dia, na firma, consegue  estar o tempo todo arrumadinha, sem pizza no sovaco ou gordura no rosto em meio a um calorão de 125 graus célsius. Ninguém.

Eu, que sempre gostei da minhas roupas,  cores e estilos, me vi censurando uma ou outra peça pra ficar melhor na foto. Deixei de lado o sapato surradinho para dar lugar a um mais desconfortável (porque era bonito) e passei a notar as poses, olhares e toda a espontaneidade das fotos que eu tanto curtia – e que de espontâneas não tinham nada. Sorrisos forjados, maquiagens detalhadas, cenários pré moldados… Que vida real é essa que se vende tão naturalmente e que eu, você e o mundo inteiro sabemos que não é assim que funciona? Porque somos tão narcisistas e, ao mesmo tempo, envergonhados? De que importa, afinal, a opinião do outro sobre o que vestimos, somos, mostramos?

E decidi que meus looks do dia continuarão naturais. No meio da rua, em frente ao supermercado, no hall do prédio. Não vou pensar nas roupas que repeti ou no quão velha está aquela bolsa. Seguirei tranquila. Porque eu sou aquelas roupas, elas me identificam, me representam, são a extensão de outras mil coisas que eu quero comunicar – e isso é realmente grande.

O grande barato é tentar tirar dessa experiência que é fingir ser famosa o melhor pra mim.
Nada melhor que olhar para si para ir adiante. Vale tentar.

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com 30 não pode.

Se existe uma coisa que me faz ficar desgraçada da cabeça são as pequenas regras sociais que regem a vida adulta de forma silenciosa. Estamos ali, vivendo, pagando nossos impostos e atuando como ~cidadãos de bem~ quando TRÁ, num piscar de olhos, uma dessas “posturas adultas” são cobradas por um outro ser humano que é, certamente, igualmente infeliz e insatisfeito com tais condutas.

Vou me explicar melhor.

Depois dos 30, dizem, não tem mais cabimento gostar de boyband. Não dá pra ficar colecionando bichinho de pelúcia. Dizem também que quando atingimos a maioridade, é in-con-ce-bí-vel lamber o alumínio do iogurte, sair de mini-micro-ultra-saia ou estar solteira. Me poupem.

Dizem que temos que começar a pensar na previdência privada, no seguro de vida e que esmalte colorido e bandaid de personagem de desenho é só para quem tem menos de 15. Humpf. Ler livros com histórias de amor e continhos facinhos mela cueca também, nem pensar. Só pode andar por aí no metrô com livro do Nietzsche. Só pode ver filme do Almodóvar.

Com 30 você não pode mais depender de alguém pra matar barata ou abrir pote de palmito, aparentemente os 30 anos são uma idade cabalística, que traz para sua vida aquelas habilidades que você nunca teve – e faz com que você desenvolva gostos pelo o que nem imaginou. Uma bullshitagem sem tamanho.

Mulher de 30 tem que gostar de homem mais velho, bem sucedido. Tem que saber fazer risoto de parma com brie (que eu amo, me liga se fizer, tá?)

Não pode falar alto no meio da rua.
Não pode comer carboidrato depois das 19h.
Não pode mais abusar da fritura.
Não tem mais corpo para abusar do biquíni fio dental.

ZZZzzZZzzZZZzzzZZZzzzZZzzzZ….

Se ser uma mulher de 30 é ter a desvantagem de começar a gastar com creme anti-rugas, que pelo menos eu possa ser feliz longe dessas meras conveniencias. Sem essa obrigatoriedade de agir de jeito x, y ou z. Que ano é hoje mesmo para que tantas conjecturas sejam impostas sob uma idade que tem tudo para ser maravilhosa?

Agora é que eu tenho dinheiro para ir naquele show teen que sempre sonhei, para comer aquela comida cheia de gordura trans que minha família jamais suportou, autonomia pra namorar quantos caras, minas ou roupas eu quiser, você quem sabe. Com 30 eu posso mandar pra casa do cara*** a academia e investir naquela viagem pra Disney, não é não? A vida é muito curta.

E pode crer, começa a valer mesmo, mesmo a pena, depois dos 30, como todo mundo diz. Vai vendo.

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mini humanos indesejados.

A má notícia é que, existem sim, bebês feios. Crianças chatas demais. Pais e mães exageradamente inconvenientes. Forçações de barra para que amemos filhos mal educados, pequenos capetas, miniaturas indesejáveis de adultos que podem ser igualmente intragáveis.

Já cuidei de muitas crianças, sou tia de acampamento de carteirinha assinada. Alucinada por pequenas pessoinhas que,  inúmeras vezes, desejei devolver pra Deus. E como.

Criança precisa ser educada, ensinada, precisa de limites, de banho, de comida de verdade. Não, não pode subir na mesa. Não pode lamber prato em restaurante, não pode assoprar o suco e ficar fazendo bolha de baba no copo. Não pode empurrar os outros, pisar no pé, chutar canela. Tem que estudar, acordar cedo, usar desodorante, falar onde dói. Reclamar que tem sono e que não quer ir pro bar com os pais, que não quer se adultizar no auge dos seus 5 anos. Tem que brincar na rua, de bola, peão, teatro de fantoche e sombra. Cortar papel, pisar na grama, gostar mais de papelão que de Facebook.

Deveriam instituir um teste psicotécnico para ser pai. E mãe. E só os seres humanos autorizados, e periodicamente avaliados, gerariam bebês nesse mundo. Talvez ninguém passasse nessa prova. Porque dá dó de ver tantos mini humanos fazendo da humanidade um lugar menos aprazível – já temos dores demais para lidar durante o parto, durante os 9 meses, durante toda uma vida que segue.

Cachorro não é brinquedo, filho também não. E podemos não saber de todas as coisas ou cumprir todas as regras, mas devemos ter a consciência de que é difícil pra caralho educar uma criança. Cansativo, duvidoso, longo, contínuo. E que não dá pra colocarmos a culpa na personalidade, no acaso, na genética ou fingir que não vê aquilo que se forma na sua frente.

Faça dos seus filhos sua prioridade. Ou eles não saberão reconhecer quando encontrarem uma por aí.

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Te dedico, Carla Maia.

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murro em ponta de faca.

Qual é o seu limite?

Quantas noites você precisa ficar acordado, com gastrite, queda de cabelo e alergia pra entender que é  hora de parar? De desacelerar, de mudar o rumo para o qual as coisas estão indo? Qual é a linha tênue entre a desistência e o valor de si próprio? Quanto de caos é necessário para que você abra mão, deixe pra lá, abstraia?

Meus limites foram mudando gradativamente e muito tem a ver com a minha satisfação. Aliás, a satisfação é algo que move grande parte da minha vida – eu simplesmente não consigo, e também acho que não devo, me obrigar a coisas que não me fazem feliz. Porém, conforme vamos ficando adultos e percebemos a gravidade que é sermos donos do nosso destino (e das contas que não cansam de chegar pra pagar) mais toleramos as pequenas infelicidades cotidianas: o transporte lotado, a falta de educação daquele cliente, o cansaço que nunca cura. Acho que nos perdemos um pouco entre as obrigações, deixando completamente elástica nossa tolerância. Nos tornamos resilientes, fortes, polidos, mas infinitamente mais amargos. Vamos engolindo as críticas, as opiniões, vamos engolindo um pouquinho de nós mesmos, todos os dias. E nunca pára.

É preciso saber a diferença, a sutil diferença entre desistir e se valorizar. Entre a preguiça de continuar, de seguir em frente e aquele momento em que não há mais para onde nadar, não há mais o que ser feito para consertar essa ou aquela situação. Essa dica vale pra vida pessoal, para a briga de família, para o relacionamento abusivo ou para o mundo corporativo. Esteja atento aos seus sinais, pare de tantas cobranças.

Nem sempre o melhor caminho é seguindo em frente.

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precisamos falar sobre 2015.

Para ler ouvindo:

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Vamos começar esse post no passado porque os anos, ao meu ver, começam e terminam quando os desafios cessam ou se iniciam. E só. E graças ao bom e maravilhoso Jesus Cristo meu ano (passado) terminou exatamente quando o recesso começou – e com ele, o merecido descanso após intensas semanas (meses) sem sono, olhos irritados, constantemente pulsantes e muitas, muitas preocupações.

Posso dizer que trabalhei muito mais que esperava e colhi muito menos frutos que desejava em 2015, como uma criança que faz algo incrível que sequer é visto pelos pais, sabe? Então. Um sentimento horrível de dever cumprido para ninguém além de si mesmo.

Pessoalmente, e de forma que também se refletiu por aqui, 2015 foi um ano duro, ruim, pesado e cheio de mini problemas pessoais insolúveis e chatos, que perturbam, mas não se vão, que incomodam e não há muito a ser feito para solucioná-los por conta própria. 2015 foi o ano da desesperança, de aprender a lidar com o fracasso, com a frustração, com o recomeço. Perdi pessoas incríveis, ganhei pessoas incríveis, mas o saldo permanece aquele 7X1 triste, onde mesmo quando mais nos dedicamos à partida, erramos os passes e não mandamos bem nos pênaltis finais. Sou pessimista realista por natureza e sei que de um ano para outro mudam apenas as folhas de calendário, os feriados nacionais e talvez alguns mini hábitos alimentares (que eu já estraguei na ceia de Natal, claro.) Mas que assim que 2016 pintar em definitivo voltaremos para as rotinas, dessabores e todas as expectativas estranhas e angustiantes da vida adulta.

Não sei quantos de vocês compartilham de tudo isso, mas descobri muitos desses momentos durante esse ano.

Eu sei, não estou mesmo na melhor das vibes para essa virada, mas precisava ser honesta. Precisava falar desse 2015 que passou e não vai deixar nem um pouquinho de saudade.

Para quem sempre pinta aqui pelo blog em busca de novidades, 2015 foi um ano no qual não tive vontade de escrever. Nenhuma, praticamente. E no qual lutei comigo mesma para aceitar que não é tão simples assim gerar conteúdo de qualidade que possa ser publicado, assim, pra o mundo inteiro ver. Bloggar é algo que, por incrível que pareça, exige reflexão. Ao menos para pessoas que sempre exigem mais de si mesmas que dos outros, como é meu caso.

Por último, mas não menos importante, um texto sobre um novo ano não poderia terminar sem algumas promessas, é claro. E esse não vai passar ileso.

Para 2016, quero, principalmente, não sofrer pelo dinheiro que se vai ou por aquele que não vem.

Quero não cultivar sentimento algum de solidão e desamparo, e não quero me importar com quanto custam as coisas que faço pelo meu prazer e pela minha felicidade. Quero gastar com comida, bebida e lazer sem medo. Sem achar que estou sendo irresponsável. Que eu faça tudo para ser feliz e não para ter “estabilidade”, porque, afinal, acho que a tal da estabilidade nunca vem. E que aquele dinheirinho que eu deixar de poupar não me mate de angústia – mas me traga uma barriga tanquinho e uma bunda empinadinha (amém!!!) na tão sonhada aula de Pilates. Acho que mereço fazer isso por mim.

Ah, sim, óbvio: chega de refrigerante. É isso.

Um beijo, muitos sabores, aromas e amores em 2016 para todos,

Ericka.

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Recalcada.

Entre todas as maravilhosidades que o funk neurótico fez pelo mundo (não me olhem com essa cara), a melhor delas, sem dúvida, foi ter trazido a palavra RECALQUE pra boca do povo. O recalque, fui pesquisar, é tão complexo para a psicanálise, que não consegui nem colocar em palavras leigas o que Freud queria dizer. Não entendi porra nenhuma, pra falar bem a verdade.

De qualquer maneira, para a massa brasileira, recalque é a mais pura e verdadeira demonstração de inveja – se é que pureza e verdade podem ser utilizadas para expressar tal sentimento. É falar mal da outra (ou do outro) por um puro sentimento de desejo, de estar ocupando o lugar do indivíduo tal, enfim, vocês entenderam. Creio que não era exatamente isso que o pai da psicanálise, queria explicitar quando utilizou tal terminologia, mas enfim, cá estamos, dando novos sentidos pras coisas e deixando a nossa língua muito mais interessante, vamo que vamo.

Todo esse discurso bonito era só pra dizer que: estou recalcadíssima ultimamente, no maior sentido Vaslekiano mesmo. É nega que tá lindíssima com o triplo da minha idade, que casou recentemente numa cerimônia de 30 milhões de reais, nego que tá de bar em bar comendo coxinha sem engordar uma grama e postando foto de balada doida TO-DO-O-DI-A, olha, juro. Minha timeline é o jardim das delícias pras recalcadas. A sua também é? Tem sempre aquela galerinha ganhando fortunas nesse 2015 sinistro de crise, fazendo viagens e mais viagens enquanto eu me bronzeio na tela do notebook mesmo, amigos, escrevendo, desenhando e seguindo a canção. Tá foda.

E você, caro leitor (a) não venha se excluir da onda de recalque que assola a humanidade desde o começo do mundo. Não venha querer me convencer que está resolvidíssima aí, ganhando meio salário mínimo, contando as parcelas da Renner e comendo alface na janta, porque eu sei que não está. OK. Mas VAMOS ENXERGAR O LADO CHEIO DO COPO? Um pouquinho de recalque pode fazer coisas incríveis pela sua vida – se você souber canalizar essa energia para o bem, é lógico.

Para finalmente fechar a boca e perder aquelas dobrinhas que te deixam infeliz. Ou, para aceitá-las e ser melhor que isso. Para juntar dinheiro, planejar esse ou aquele sonho que já se adia há anos por sempre ter “prioridades”. Para mudar o que sempre teve preguiça, ou  lutar por aquilo que almeja. Valeska ensinou, Valeska subiu na vida e hoje samba nas recalcadas. Quer maior case de sucesso que ela?

No mais, keep calm e (desculpa, Valeskinha!) mantenha o recal(quinho), baby. Se está fazendo aquilo que precisa para chegar onde quer, ótimo.

Com certeza, por aí, tem alguém recalcado por você. Basta reinar. 😉


 

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as grandes pequenas coisas do amor.

Procure um amor que esteja atento. Acima de tudo, ao que você diz. Que se não souber interpretar esse ou aquele sinal – um olhar cansado, uma carinha meio triste ou uma resposta atravessada – se preocupe com isso. E tente resolver.

Procure um amor que se interesse pelos seus assuntos, mesmo que eles sejam banais. Que você não fique em dúvida o tempo inteiro se está sendo ouvida, ou não, e que ele lembre daquilo que é importante pra você. Procure um amor que faça você se sentir relevante, porque nem sempre nos sentiremos especiais.

Procure um amor que te acompanhe. Que faça as coisas combinadas sem reclamar (muito). Que as faça por você. Mas também procure um amor que esteja disposto a argumentar, discutir, a se colocar e a te entender quando for a sua vez de fazer tudo isso. Procure um amor que busque sempre o consenso, a união, que não brigue, discuta. Um amor do qual você não tenha medo de falar. E que não deixe o silêncio resolver quando nada estiver resolvido.

Procure um amor que te ajude com as coisas do cotidiano. A pagar uma conta, fazer comida, lavar roupa. Um amor que sabe que essas tarefas não são divertidas, prazerosas ou obrigatórias para uma das partes. E que, se são feitas, são feitas por amor. Muito acima de qualquer imposição que a vida coloque.

Procure um amor de pequenos gestos, delicadezas, gentilezas, um amor que te deixa passar na frente, que te protege, que olha por você. Porque, no final das contas, são essas pequenas coisas do amor que te fazem não ser qualquer pessoa. Que fazem você sentir que está vivendo mesmo, de fato e direito, um grande amor.

A gente não precisa de muito.

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da arte de não se importar.

Nunca me preocupei com as (más) interpretações do amor.

Sempre chamei pra sair quem eu queria e disse o que tinha vontade. Nunca me importei em ser tida como louca, carente, apegada ou desesperada. Nunca me preocupei também se seria julgada como vagabunda, piranha, galinha, “dada”, aliás, acho que todos nós podemos ser o que quisermos, quando quisermos e com quem quisermos. Que preguiça tenho de gente que acha que todo o ser humano é uma coisa só, que cabe numa caixinha de definições e previsibilidades entediantes. Se você ainda não errou, vai errar. Se você ainda não teve vontade, vai ter. Se não esteve no lugar que mais julga errado, complicado ou imoral, vai estar. E que pena se você nunca viver um desses papéis. Vai perder um bocado.

Não vim para essa vida à passeio, definitivamente. Se cheguei, se amei, se estou aqui, que seja para dar a cara à tapa. Se o outro se incomodar com essa ou aquela atitude, com essa ou aquela opinião, palavrão, ou resposta ácida, já não me serve. Às vezes, nem para ser amigo. Em pouquíssimos casos minhas atitudes se reverteram em algo desagradável ou desastroso, não sei, na verdade. Meu processo de seleção de pessoas para conviver é bruto, direto, não deixa nada sem pingos nos is.

Acho que alguns seres humanos talvez não estejam preparadas para o sincericídio, não foram treinados para lidar com ele. Viver é coisa forte, cara. Quando você se deparar com a intensidade das relações (e sentimentos, e palavras, e atitudes), e um dia vai ter que lidar com isso, não pode ficar apático. Ou se é, ou não se é. Ou está, ou não está. Quando somos impulsivos, podemos perder muito. Ou fascinarmos quem merece, tornando todo o processo de encantamento e paixão muito mais divertido – e recíproco – ainda que lá pra frente (e quem se importa com lá pra frente?) não dê em nada.

A sedução é direta. Ao menos pra mim, sempre foi.
As conquistas pedem ousadia, pedem um pouco de medo, pedem fôlego.

Se não é para provocar nada no outro, nem comece. Não vai valer a pena. Pode confiar em mim.

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O trabalho, o tesão, a faísca.

Terminei o colégio com a certeza de que havia encontrado minha vocação na vida.

Bem pouco tempo depois, percebi que essa coisa de vocação era muito maior do que apenas encontrar uma profissão — e que circulava por muito mais nuances da minha personalidade das quais eu poderia prever.

Desde aquela época eu já era apaixonada por artes, por letras, já ficava fascinada em entender os humanos, suas necessidades, complexidades, em como as obviedades do nosso cotidiano, que pareciam fruto do acaso, de nada eram ocasionais.

Quando conclui a graduação de Jornalismo, me sentia vazia de lógica. Os livros e referências só ampliaram em mim a necessidade de entender mais sobre as relações humanas e aquele sistema de escrita, de negócio, aquelas regras e estruturas, ensinadas e pregada sem fim, me pareciam entediantes, previsíveis e completamente insuficientes para expressar as tantas muitas coisas que eu queria — mas não sabia entender, ainda.

Tudo fez sentido, eu lembro bem, quando já na minha segunda graduação, em Desenho Industrial, vi uma palestra incrível sobre tendências, da Electrolux. Descobri, ali, que queria ser cool hunter, embora ainda não seja. E que havia nascido com aptidão pra isso, se é que isso de aptidão existe.

O meu negócio era prever o desejo dos outros, despertar esse desejo, planejar coisas para que as pessoas, assim como eu, se tornassem fascinadas por algo — fosse um objeto, uma banda, uma carreira, ou um novo eletrodoméstico — naquele caso.

A vocação é um negócio que transborda de você. Que faz com que cada parte do seu corpo trema com uma nova ideia, com um conceito que tenha relação com o que te interessa. É o que te inspira, te faz sair do lugar comum, pesquisar sem fim coisas que, aparentemente, não tem relação nenhuma e que, no fim das contas, tem tudo a ver.

É aquela banda estranha que só você gosta. A mania de fazer listas. O hábito de escrever cartas. As sutilezas sobre você que você mesmo desconhece (ou desconhecia). É o que não te deixa dormir de excitação. E te faz ter gastrite, morrer de nervoso, de paixão, de tesão.

Demorei algum tempo para encontrar esse tesão no que faço. Demorei, aliás, pra entender que o tesão tem que estar em mim e ser transferido para as demais coisas. Todas elas. E, aos poucos, na rotina, tento fazer com que outras pessoas, aqui e ali, sejam picadas pelo mesmo mosquitinho que eu. E que encontrem nas suas tabelas, imagens, estatísticas, naquilo que fazem mecanicamente, sem nem entender por que, sabe-se-lá, uma faísca. E que também se sintam incendiadas a ser muito mais que um dia imaginaram que poderiam ser.

Sabe, a vida é mesmo incrível quando a gente sabe o que quer. E somos capazes de absolutamente tudo.

Ao menos eu penso assim.

 

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