precisamos falar sobre traição.

(para que as pessoas parem de se sentir diminuidas quando vivem isso).

As pessoas traem. Por uma série de motivos.

Poderia falar aqui de caráter, de valores, de predisposição ou de família. Poderia falar horas sobre como a traição é um ato egoísta ou de como somos responsáveis pelo outro quando estamos em um relacionamento – e que simplesmente nos deixamos levar por uma série de fatores que poderiam ser resolvidos a dois, mas, enfim, vou me ater ao óbvio: acontece.

Nas melhores famílias, com as mais tradicionais pessoas. Dói (acredite, para os dois lados), faz a gente perder a fé na humanidade. Mexe com a cabeça, com o bolso, com a lógica. Nos deixa sem chão até quando no fundo a gente já sabia.

Gostaria muito de fazer uma lista de indicativos que revelam quando seu marido/esposa/namorado (a) está enganando você, mas essa lista só existe com base na novela das 20h, porque na vida real não há razões exatas para uma traição, ainda que tenhamos essa tendência de justificar todas as coisas.

Queremos encontrar culpados. Nos culpamos, culpamos o outro, a outra, ficamos putos com o rumo das coisas. Nos vemos obrigados a perdoar e, no minuto seguinte a achar ultrajante qualquer ato misericordioso – a traição nem sempre acaba com o amor. Aliás, quase nunca.

Não, não é sinal de que um relacionamento vai mal, que o sexo está morno ou que a vida mudou com os filhos. Essas coisas fazem parte da vida, da nossa existência e se a gente não cultivar alguns pequenos rituais aqui e ali e estiver desatento ao que os nossos sentimentos se tornam – e que funcionam de forma diferente para cada casal – pode dar bosta. É isso.

Há pessoas que, simplesmente, não nasceram para ser monogâmicas, o que pode servir de consolo (e modo de vida) para muita, muita gente por aí. E há pessoas que cometeram deslizes. Que acabaram encantadas por uma vida que não era a que tinham “em casa”. Que fizeram das suas traições novos relacionamentos ou que se arrependeram profundamente do que fizeram.

Não há como julgar e sempre há muito a se perder, mas faz parte.

Já traí e já devo ter sido traída. Me questionei sobre todas essas coisas muitas vezes e a única conclusão que eu pude chegar é que as pessoas – e os relacionamentos – precisam ser sempre nutridos. Estimulados. Cuidados. Nada é definitivo e só se está com alguém porque se quer estar.

Que cada um valorize o que tem pelo tempo que tiver que durar, porque o poeta tem razão: sempre é eterno enquanto se vive.

 

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da arte de não se importar.

Nunca me preocupei com as (más) interpretações do amor.

Sempre chamei pra sair quem eu queria e disse o que tinha vontade. Nunca me importei em ser tida como louca, carente, apegada ou desesperada. Nunca me preocupei também se seria julgada como vagabunda, piranha, galinha, “dada”, aliás, acho que todos nós podemos ser o que quisermos, quando quisermos e com quem quisermos. Que preguiça tenho de gente que acha que todo o ser humano é uma coisa só, que cabe numa caixinha de definições e previsibilidades entediantes. Se você ainda não errou, vai errar. Se você ainda não teve vontade, vai ter. Se não esteve no lugar que mais julga errado, complicado ou imoral, vai estar. E que pena se você nunca viver um desses papéis. Vai perder um bocado.

Não vim para essa vida à passeio, definitivamente. Se cheguei, se amei, se estou aqui, que seja para dar a cara à tapa. Se o outro se incomodar com essa ou aquela atitude, com essa ou aquela opinião, palavrão, ou resposta ácida, já não me serve. Às vezes, nem para ser amigo. Em pouquíssimos casos minhas atitudes se reverteram em algo desagradável ou desastroso, não sei, na verdade. Meu processo de seleção de pessoas para conviver é bruto, direto, não deixa nada sem pingos nos is.

Acho que alguns seres humanos talvez não estejam preparadas para o sincericídio, não foram treinados para lidar com ele. Viver é coisa forte, cara. Quando você se deparar com a intensidade das relações (e sentimentos, e palavras, e atitudes), e um dia vai ter que lidar com isso, não pode ficar apático. Ou se é, ou não se é. Ou está, ou não está. Quando somos impulsivos, podemos perder muito. Ou fascinarmos quem merece, tornando todo o processo de encantamento e paixão muito mais divertido – e recíproco – ainda que lá pra frente (e quem se importa com lá pra frente?) não dê em nada.

A sedução é direta. Ao menos pra mim, sempre foi.
As conquistas pedem ousadia, pedem um pouco de medo, pedem fôlego.

Se não é para provocar nada no outro, nem comece. Não vai valer a pena. Pode confiar em mim.

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O que é o amor, afinal?

Soube pela primeira vez o que era amor bem cedo. Quando, de súbito, parei de respirar na beira da piscina e engoli toda a água ao meu redor. Veio o amor, apavorado e sem jeito, tentar me fazer respirar de novo. E conseguiu. E me abraçou exacerbado, achando que seria ali o final de tudo que não se sabia.

E depois, em outros carnavais, fiquei sem ar em consequência desse mesmo amor; com ódio, com aflição, com medo de perder, com risos desmedidos e palpitações. Encontrei com o amor muitas vezes e tive que aprender a interpretar suas diversas formas: às vezes falava baixinho, às vezes se mostrava para o mundo e gritava, rugia, se exaltava. O amor, certa vez, mexeu com a minha razão. Me fez trocar o certo pelo duvidoso. E por ele já gastei mais do que devia e economizei mais que podia. Já chorei de amor, sorri de amor, sofri de amor. Sonhei por amor, com amor e, em vão, tentei viver sem ele.

O amor, dizem, é aquilo que te dá razões para prosseguir sozinho. Contraditório, não é? É o sentimento que te leva pra frente, que transpõe barreiras, vidas, pessoas. É o que te motiva. E que, às vezes, incomoda. Se ama sozinho. Se ama em conjunto. Dá pra amar tantas coisas, pessoas, vidas, que não sabemos ao certo definiro amor: a gente só sabe que sentiu, geralmente, depois que o perde. E aí, entende sua imensidão e complexidade ainda que não aprenda nada sobre ele.

O amor não avisa. Não é possível guardar. Se decide. Ninguém é acometido pelo amor, opta-se por ele – ainda que movido pela paixão, ainda que movido pelas circunstâncias, ainda que inconscientemente.

O amor não é fogo, como diz o poeta. Porque às vezes não queima, não dói, não oprime, machuca, ou incomoda como alguns insistem em dizer.

O amor é bom, suave, e da esperança. Ele, apenas, está lá.

E é maravilhoso quando a gente o reconhece.

Essa é uma blogagem coletiva do Rotaroots em parceria com o Indiretas do bem. Você pode falar sobre amor de namorado(a), de amigo, de mãe/pai, do seu bichinho de estimação, sobre a falta do amor, sobre empatia…Você é quem define! Participe! <3

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dos conselhos alheios.


Nada me irrita mais do que gente que quer dar opinião sobre o relacionamento alheio. Nada.

Entendo que quando estamos tristes, precisamos desabafar, conversar com aqueles que confiamos e pedir um overview sobre nossas dores e desgraças pessoais, faz parte, mas até mesmo nesse hora (inclusive nessa hora), precisamos selecionar bem quem pode acrescentar – e ajudar de fato a chegarmos a uma conclusão – ou quem só quer ver onde é que a coisa vai chegar. Esse segundo tipinho, costuma destilar meia dúzia de abobrinhas, aumentando bem a altura da fogueira, as ansiedades do seu coração e óh,  em termos bem reais, acaba ca-gan-do o seu rolê.

Entendo, inclusive, que as pessoas não façam isso por mal. Elas amam você. Elas querem que você fique bem, fique feliz, saudável, que sua vida entre nos eixos. Só que tem coisas que a gente pode até achar sobre a vida do outro, mas não pode sair por aí julgando. Que me desculpem os santos e santas desse Brasil, mas aquele que nunca fez um CAGADONA com alguém que ama não merece nem se manifestar sobre a minha vida, honestly. E não, não vai ter o mínimo de sensibilidade para se colocar no meu lugar, no lugar do outro, pra analisar friamente seja lá que diabos o que alguém (ou você mesmo) fez.

Fica a dica.

Não é porque você foi louca e surtada por um motivo babaca que não seja uma pessoa legal. Não é porque cometeu um erro que nada mais pode dar certo. Eu e você podemos até já ter nos sentido assim alguns dias, algumas vezes, mas não é real. Por essas e outras que eu também nunca, JAMAIS, conto qualquer briga sinistra com o namorado ou amigas(os) pra minha família, ou pra quem já tem propensão a ser uma pessoa odiadora. Como eu fico depois que a poeira baixar? Quando eu racionalizar meus sentimentos e quiser manter meu relacionamento seja lá qual for? Como fazer quando, no íntimo, a gente sabe que quer ficar, que precisa dar outras 45 chances, que sejam, e já proferiu pelos quatro cantos desse planeta nosso ódio e rancor por quem talvez não merecesse tanto assim?

Num conflito eterno, né? Pois é, rapaz.

Quando escrevo aqui, falo sobre sim. Sobre o que eu já vivi, senti, sobre como eu penso que as coisas sejam. Não estou aqui para cagar regras, para dizer como você deve agir se foi traído, se foi enganado, se sofreu ou se foi quem fez as piores atrocidades com a pessoa que amava. Aliás, ninguém pode dizer nada, querido, depende de você. E do que você sente e já viveu. E da avaliação que você precisa fazer friamente sobre si, sobre o outro e sobre quem é quando está em um relacionamento.

Não existem culpados e inocentes. Não existe ação sem reação. Mas acho, de coração e peito aberto, que recomeços são bem vindos e que podem (muito mais que fins), serem providenciais ao longo da vida.

Pense sobre isso.

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confesso que me excedi.

Confesso que nesse final de semana eu caguei. Errei rude. Pisei na jaca. Perdi a linha.

Me excedi nas palavras, nos gritos, falei o que nem queria dizer. De vez em quando dou dessas mesmo, pago de louca. Viro 100% emocional e atropelo quem estiver na minha frente como um caminhão. Não sei muito bem porque isso acontece, mas desconfio que tenha uma relação direta com aquele sem número de coisas que engolimos para evitar conflito. E com a TPM, lógico.  Tem a ver com aquelas coisinhas pequenas, irrelevantes, 100% superáveis, que, num minuto de surto psicótico, parecem um problemão.

Eu odeio brigar. Odeio discutir. Odeio sentar, ter aquela conversa desconfortável sobre os meus, os seus erros, os erros da humanidade, os caminhos do nosso relacionamento, etc, etc. Acho um saco, um porre, coisa de gente que perde mais tempo falando que amando, mas óh, faz parte. Conversar é preciso, dormir brigado é uma porcaria.

Só tem um problema nisso tudo: sou catastrófica. Acho que o amor vai acabar, que meu relacionamento está fadado ao fracasso, que eu fiz uma merda, assim, irreversível. Me sinto péssima, me culpo, faço aquela auto-análise e me dou conta que sou maluca mesmo, inadequada para a sociedade, para o convívio entre os demais seres vivos, olha, fico na madruga bo-la-do-na, é complicado.

Aí, nessas horas em que a gente precisa de uns tapas na cara pra recolocar a vida nos eixos, apelo para as amizades femininas. Aquelas que não falham nunca. Que vão ouvir sem julgamentos você dizer que exagerou e que, quando caiu novamente em si, já estava pulando na jugular alheia com as pupilas pra fora, salivando que nem cachorro raivoso. É.

Essas pessoas vão te entender porque já fizeram igual. Uma, duas, 150 vezes. E você se sentirá acolhida por esse grupo de psicopatas, sentirá que amar também é um pouco ter medo. Se sentir insegura. Se questionar. E que no dia que você tiver todas as certezas sobre si e sobre o outro talvez essas certezas sejam ruins. Sejam algo que você não queira encarar. Ainda bem, graças a ALÁ, que não tenho certeza de nada.

Esse texto, portanto, é pra agradecer. E pra dizer que se você também deu uma pirada na batata nesses últimos meses, fica bem, fica em paz, força na peruca que vai dar tudo certo. E a vida vai se encarregar de mostrar que uma sacudida (de vez em quando, ok?) vem para colocar algumas coisas no lugar que lhes são devidas.

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as desamarrações do amor.

Confesso que tenho uma imensa curiosidade em saber como funciona esse lance de trazer o amor de volta em sete dias (ou em três horas). Deve mesmo existir por aí um sem número de pessoas que, na hora do desespero, apela até pros deuses celtas, pros búzios e pro tarô, mergulha o Santo Antônio no leite morno, toma xixi, faz banho de arruda e dá início à reza mais forte que conseguir encontrar.

Uma pena que em vão.

Pode me chamar de cética, de descrente. Pode me chamar de mulher de pequena fé, mas além da morte e da vida, o amor é uma das coisas que menos temos o poder de controlar. Se perdemos tempo, se pisamos na bola, se negligenciarmos as coisas – ou fizermos tudo como manda o figurino – ainda assim, estamos sujeitos ao acaso. Ao acaso das desamarrações do amor.

Maior que o medo de perder um grande amor, sinceramente, é o de tentar prendê-lo a qualquer custo. Alguns nós, às vezes, são tão apertados que machucam. Melhor deixar a coisa desatar, se assim tiver que ser, que insistir pra que ela permaneça ali, sem opções de ir embora.

Sei também que é fácil falar assim, quando se está na zona de conforto. Não perdi meu grande amor, muito pelo contrário, ele está bem aqui, dentro do peito, quentinho, do outro lado da cama, onde deve mesmo estar. Quem sou eu, então, pra julgar àqueles que já não quiseram profundamente que as coisas voltassem a ter o sabor do começo, não é mesmo? Pensando no âmbito psicológico da coisa, creio que o esforço para retomar aquilo que um dia tivemos é uma das partes cruciais do desapego.

Sim, somos mesmo contraditórios pra dedéu.

Dos superpoderes que gostaria de ter, não queria, afinal, esse de amarrar os sentimentos alheios. Talvez o de voltar no tempo, talvez o de ser invisível, talvez o de apagar algumas memórias ruins – não sei, esses me parecem bons. E você, amante desesperado, apelão de mandingas, deveria começar a pensar assim.

Só se insiste nessa coisa de querer a todo custo o que já há muito se perdeu quem não consegue se moldar e conviver com o que muda, com o que vai e pode ser ainda melhor.

E estar vivo, meus jovens leitores, é mudar todos os dias. Mesmo que no começo (e talvez no meio), doa.

Desamarrar é mesmo difícil, mas depois alivia.

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Aquela vez, na festinha…*

Cometi o erro, uma vez, de achar que tinha me apaixonado por um menino de balada. Acredito que o amor possa florescer até nos terrenos mais inférteis, não é isso. Mas aquele não era o contexto, o clima, não era a vez das coisas darem certo.

Lembro-me que vivia uma fase alucinadamente solteira depois de um longo e sucessivo período de idas e vindas de um relacionamento anterior. Estava mais simpática que o normal, mais ousada que o normal, mais empolgada que o normal e, provavelmente, mais alcoolizada que o normal. Acho que os momentos onde temos a maior capacidade de sedução são aqueles em que não estamos dando a mínima pra isso, que não estamos com foco em nada a não ser nós mesmas, na música e no “seja o que Deus quiser”.

A situação durou uns 3 meses de namorico estranho. Descobri que tínhamos muitos amigos em comum, descobri que talvez fôssemos primos, já que compartilhávamos o mesmo sobrenome, descobri também que o sujeito era meu vizinho, que nossos pais se conheciam, tudo lindo, parecia coisa do destino, só que não: tinha cara de pesadelo. Soube da vida dele inteira em uma semana, com aquela capacidade incrível que me é peculiar, falei um pouco de mim, prometi algumas coisas que não deveria e chegou num momento, o fatídico momento, em que cansei de tanta intensidade, intimidade e velocidade numa coisa que era pra ter durado uma noite. E só. E que eu  já tinha total ciência, mas que deu uma preguiça infinita de agir.

Preferi deixei rolar.

E ele era lindo. De verdade. Talvez um dos caras mais bonitos que eu tenha conhecido na vida, talvez um daqueles casos únicos em que damos sorte. E inteligente também, trabalhador. Não entendo ao certo como as coisas se dão quando falamos do coração, mas uma coisa é certa: facilidade demais é chata. Paixão veloz, efêmera.

E acima de tudo: amar exige mais que afinidade, disposição e um carinho aqui ou ali.

E nem sempre nos damos conta rapidamente disso.

* Nos idos de 2012, escrevia para um ilustre e delicioso blog chamado “Dona do Meu Nariz” – que, infelizmente, acabou acabando por falta de tempo das envolvidas. Resolvi republicar alguns textos escritos lá por aqui, afinal, recordar é preciso. =)

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o voodoo nosso de cada dia.

Algumas coisas são bastante difíceis de encarar, eu sei. Sei também que quando estamos no olho do furacão enxergamos tudo pelo nosso ponto de vista – seja da dor, seja do amor, seja do ódio – e que distorcemos todas as coisas para tentar contornar emocionalmente seja qual problema for. Mas tem uma coisa, uma única coisinha nessa vida, que eu não consigo admitir: que as pessoas façam barraco. É a prova maior da ausência de auto-estima.

E não estou falando aqui daquele barraco que, vez ou outra, acomete a vida de uma mulher injustiçada, não estou falando de mi mi mi entre quatro paredes, crise de choro ou uma lavagenzinha de roupa suja. Estou falando do barraco estilo “Casos de Família”, onde é tudo puta e viado, onde se perde o nível, a noção e as estribeiras passam longe. Onde se faz ameaça de morte, voodoo, escândalo no shopping, indiretinha no Facebook com mentira atrás de mentira marcando os envolvidos, expondo a família, os amigos, os filhos, a comunidade cristã, budista, os monges do Tibete, o SAMU, chamando todo mundo praquela maravilhosa torta de climão que está a sua vida. Apenas parem com isso. É feio, sabe? É deprimente. E mais que isso: não conserta nada. Não traz seu amor de volta em 7 dias, não te faz sentir menos corna, nem deixa ninguém mais ou menos culpada por absolutamente nada, garanto. E digo mais: é cansativo, faz mal. E não afeta a felicidade de quem está verdadeiramente feliz. Chega de voodoozar a vida alheia, ordinária, vai dizer que não sabia que as coisas iam terminar mal? Sabia sim. E se não fez nada enquanto podia (ou fez de tudo o que podia pra contornar e num deu), pode parar de causar agora, faiz favô.

Dignidade já.

Chega de ficar alimentando sentimentos ruins e sendo incentivado a tomar providências por coisas já findadas e sem solução. Geralmente sofremos não por aquilo que podemos resolver, mas pelo o que sabemos que já não há mais como reverter. Fez uma cagada? Assuma a culpa e fique quieta. Foi desrespeitada? Leve como lição para não permitir que as coisas cheguem às vias de fato. E é isso. A vida ensina, a vida segue. E não, bixo, não se resolve tudo no grito, na peixiera, no babado e confusão. Você sabe.

Os seres humanos, infelizmente, cometem erros. Um dia da caça, outro do caçador. O mundo dá voltas, a vingança é um prato que se come cru, praga de urubu não pega em beija-flor, eu não sou tuas nêgas, e todas essas frases de efeito existem por um único motivo: aqui se faz, aqui se paga (olha aí, usei mais uma). Calma lá, queridinha. Se você quer tanto destruir o mundo de alguém porque o seu foi devastado está sendo exatamente igual a quem te fez mal. Ah, sim! E isso também vai ter volta, viu? A regra é clara, Arnaldo.

Nada melhor do que desapegar-se para viver. Afinal, todo mundo nessa vida vai carregar uma cruz.

Vamos parar de chutar a alheia?

Já estive dos dois lados e garanto: tudo se transforma. E geralmente, no melhor para todos s envolvidos. Pode crer.

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uma questão de sorte.

Estava eu lendo um post da Marcella, quando comecei uma discussão no trabalho sobre solteirice. Comentei que a achava tão incrível, que era impensável uma mulher como ela estar solteira (veja bem, nem tenho certeza se está); que, de alguma forma, ela deveria ter problemas com os homens – ou que talvez, simplesmente, não tenha encontrado nenhum à sua altura. Pensei ainda em uma terceira e mais aceitável opção: talvez ela nem queira, no fim das contas, encontrar essa tal pessoa. E foi assim que comecei a pensar sobre isso.

O fato é que esse tópico incomodou. Não porque estejamos interessadíssimo em saber se Marcella tem ou não namorado, é que todo mundo, ou pelo menos os entusiastas dos relacionamentos, como eu, busca a fórmula certa para o amor. Para a felicidade. Para uma vida bacana com alguém e seu por quês.

É pessoal, é mesmo verdade isso aí, não está fácil. Pra ninguém eu diria. Se Grazi não tem mais Cauã em suas mãos, quem somos nós pra desejar um príncipe encantado (ou apenas um homem para chamar de nosso), não é mesmo? Não, não é mesmo. A gente pode e deve desejar àquilo que quiser. O problema é encontrar alguém que seja interessante e interessado ao mesmo tempo.

uma amiga disse uma coisa que talvez seja verdade: pode ser que tudo seja mesmo uma questão de sorte. De estar no lugar certo, com as pessoas certas, de passar a mensagem certa para o carinha certo, não sei. Gostaria muito de ter os segredos para a conquista, de explicar por A + B + C porque eu sempre estou namorando alguém e por encontrar um sem número de pessoas bacanas pelo meu caminho, mas não sei dizer. Não sei mesmo. Então, ao invés de ficar buscando justificativas comportamentais para uma determinada cadeia de acontecimentos de como encontrar alguém (exatamente o que faço nesse blog), se interessar por essa pessoa, beijar, namorar, noivar, casar, juntar, ter filhos, ou seja lá a ordem que você preferir, serei simplista. Talvez eu seja mesmo uma pessoa sortuda e nunca tenha me dado conta.

A vida nunca me deixou sem romance. Nunquinha. Não faço a menor ideia do porque. Mas sempre acho que somos muito mais responsáveis por aquilo que atraímos do que conseguimos compreender – ou explicar – com quaisquer que sejam as teorias – não me conformo apenas em ter sorte.

De qualquer maneira, se assim for, desejo aos meus amigos e leitores muita muita sorte. Para um amor tranquilo, pra saúde em dia e pra encontrar algo que possam se apaixonar além de um ser humano – pode ser uma causa, um bicho, o que for – acho isso importante pra vida de um modo geral, pra cabeça da gente.

E que essa tal sorte nos traga tudo o que se espera de bons relacionamentos. Vai ver que é, nessa hora, que começam as minhas tais teorias. E a vida fica mais difícil pra quem tem só sorte.

 

[UPDATE: No final das contas minha amiga não quis dizer nada disso e eu entendi tudo errado, mas funcionou pra fazer minha cabeça funcionar gerar um texto, né? HUAHAUHAUHAHAUHU…]

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quando não há regras.

Nesses meus anos como conselheira amorosa aprendi uma sábia lição:  as pessoas não gostam de conselhos. Podem gostar muito do amigo ou amiga aconselhador, podem até aceitar que existem doses inquestionáveis de verdade em cada uma das frases proferidas, mas só aceitam a opinião alheia quando realmente procuram e, mais que isso: nossos amigos tem o direito de não se importar com o aquilo que pensamos.

Não existem regras claras para os relacionamentos humanos, não há uma fórmula correta para se agir nos casos, x, y ou z, simples assim. O que fazemos são conjecturas, baseadas em experiências anteriores – e no senso comum – daquilo que pode vir a ser a melhor coisa a ser feita. Ou não. É impossível afirmar com certeza.

Não sei quem foi que disse que para um namoro/casamento/caso funcionar um deve respeitar a individualidade do outro, nem quem afirmou que bom mesmo é ficar o tempo todo grudado. O que cabe a um determinado casal pode, simplesmente, não funcionar pra você. Pode parecer absurdo, exagero, cretinice, mas, olha, pode dar certo, viu? Sempre pode. Só quem está junto pode decidir a medida de todas as coisas e só quem está apaixonado entende o que sente. Ou não entende, mas quer viver tudo o que puder. Sem grandes lógicas.

Mesmo sendo uma pessoa completamente favorável à moderação, na vida como um todo, aliás, acredito que relacionamentos saudáveis são basicamente feitos de concessões para se estar junto. Para fazer parte de alguma coisa que será construída em PAR. Entretanto, tem casais aí aos montes se vendo uma vez por mês. Gente que é casada, com filho e que dorme em casas separadas porque, se ficar muito tempo junto, dá briga. E gente que morre de saudade se deixar de se ver por dois dias. E gente que sente falta de sair sozinho às vezes e precisa disso. E tudo bem.

Tem de tudo, cara, vocês nem imaginam o quanto. E é preciso aceitar as escolhas dos outros sem julgar.

Não entendo quem ama e não quer estar junto. Não entendo mesmo quem namora e não sofre com a possibilidade da ausência. Pra mim, por exemplo, namorar à distância seria mortal. Sou alimentada pela novidade, pelo cotidiano e por tudo na vida do outro que acontece dia após dia. Pelo diálogo, pela troca constante, pela risada de si mesmo. Acho que se muda muito em meio segundo. Que dirá em 6 meses.

Se é pra ter uma vida inteira sem a outra pessoa, que sejam amigos apenas, oras. Sem grandes intimidades e trocas. Ficantes, amantes ocasionais. É assim que funciona na minha cabeça. E mesmo que me digam o oposto – que a proximidade me levará ao tédio, que vou cansar da cara do outro, da vida do outro, do sexo do outro – caguei. Porque pelo menos vou ter aproveitado até secar.

Entenderam quando eu digo que só se absorve aquilo que tem relação com as nossas histórias pessoais? Que por mais que alguém queira dar pitaco na divisão da conta do restaurante, no rolo do outro, na briga da família, na traição, na falta de respeito ou no raio que o parta, só dá pra engolir quando a gente não tem convicção daquilo que sente? Quando há dúvida sobre o que deve ser feito?

Escrevo sobre regras porque elas não existem. Ou porque são infindáveis. Ou porque também busco tornar racionais as coisas que não cabem dentro de uma caixa.

Que chato seria uma vida toda num cubo.

Que seja disforme. Que seja errada. Que evapore; mas que seja. E que os outros também tentem ser.

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