a beleza das coisas.

Houve um tempo em que todos queriam namorar a Xuxa. Não sei se vocês, que tem menos de 20 anos, conseguem lembrar disso, mas a Xuxa era gata, era musa, era voluptuosa, mulherão, causava o rolê. Os pais só deixavam seus baixinhos verem aquela xaropada na televisão porque a loirona estaria lá, de maiô decotadíssimo, arrasando nas manhãs sem nenhuma censura, pulando com a molecada e mexendo com o emocional de muitos pais de família desse país.

Hoje a Xuxa não atrai mais suspiros e o mundo ficou tão chato – e politicamente correto – que as musas se tornaram muito mais discretas, acreditem. Mas não é sobre discrição que eu quero falar nesse post.

O que os anos 90 me ensinaram, é que a beleza, de fato, se esvai. E mais que isso: é completamente subjetiva. Ninguém mais lembra da Xuxa como um símbolo sexual. Novas e inúmeras musas surgiram e até naquele tempo outras mulheres eram muito mais interessantes – porém, bem menos nuas – que a rainha dos baixinhos. A Xuxa era musa porque era vista como um objeto de desejo inalcançável, fazia sucesso porque misturava duas realidades distintas e incoerentes – a inocência da infância e os desejos da puberdade. Assim como aquela nova funcionária gostosa no seu trabalho ou o cara gato que tem um escritório no prédio ao lado do seu e você, vira e mexe, encontra no elevador (e dá uma suspiradinha), somos atraídos pelo imaginário, pela casca. Pelas projeções que fazemos de uma determinada pessoa e não por quem essa pessoa, de fato, é.

Em um mês o que é lindo pode se tornar terrível com a convivência ou ainda mais encantador. Nossos relacionamentos são muito mais complexos que olhos verdes e peitos duros, muito mais pessoais que uma barriga tanquinho, e embora todos queiramos – ser e ter – Angelinas Jolies e Brad Pitts, podemos ser infinitamente mais felizes namorando Tiriricas. Como você explica aquelas mulheres maravilhosas com sujeitos feios e vice-versa? Garanto que não é só uma conta bancária recheada que torna tudo mais bonito, até porque, convenhamos, não é todo o feio ricasso – ou bem dotado – que faz sucesso por aí (pelo menos não com menos de 60 e pé na cova).

É natural seguirmos padrões. É natural nos sentirmos atraídos pelos lindos e lindas desse Brasil, mas é preciso ter  cuidado. Muito cuidado ao nos envolvermos apenas com belezas clichês. Nós somos os responsáveis pela nossa felicidade, pelos nossos relacionamentos e mais que isso, por aquilo que desejamos.

A beleza se esvai e o que fica é aquilo que temos de mais importante dentro da gente: nossa personalidade, referências, sonhos, planos, nossos próprios e gigantes fantasmas – que às vezes combinam com os fantasmas do outro e insistimos em ficar.

Quando você encontrar alguém feio, meio torto, mas que te faça sorrir com uma piada sem graça e conversar por horas a fio sobre nada – ou sobre coisas que pra você sempre foram importantes, mas que você nunca teve coragem de admitir – dê uma chance. Essa pessoa, certamente, vai te parecer, a cada dia, mais linda.

A beleza é fundamental, claro. Mas a aparência, sem dúvida, é só uma parte dela.

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sobre a intimidade forçada.

Não sei quanto a vocês, mas não tenho paciência pra gente insistente. Sério. Nunca tive.

Acho que forçar uma situação de amizade/intimidade extrema é sempre desagradável, não tem jeito. Para quem força, percebe que está sendo mala e não pára e pra quem precisa absorver toda essa “desenvoltura” alheia. Não existe coisa pior do que viver relacionamentos que não existem, ser simpático com pessoas que te tratam mal e, pior ainda, não dar uma bela cortada em alguém que te xaveca – e por quem você não tem o mínimo de interesse. Essa última, sem dúvida, é a pior das situações.

Não dá pra ser indelicado. Não dá pra ser arrogante pra depois ouvir o clássico “mas você entendeu errado, não queria nada com você”. OKAY. A verdade é que a gente sabe quando alguém está interessado na gente, sabe mesmo. E para os super xavecadores, fica a minha dica: se ainda não rolou uma reciprocidade da gatinha/gatinho, não vai rolar mais tarde. Parem por favor. É menos feio.

Mas como em terra de cego quem tem olho é caolho, e o ditado não tem nada a ver com o texto, mas eu quis utilizar, que atire a primeira pedra quem nunca deu uma forçadinha consciente seja lá em que situação for. Quem não ficou melhor amiga daquela vizinha chata por conveniência? Ou quem já não esteve lá, movendo montanhas, mundos e fundos por aquela sujeitinho que – bem no raso, e a gente já sabia –  nem tchum pra gente?

É, jovens. Tudo na vida tem dois lados. Às vezes somos os incomodados, às vezes somos àqueles que incomodam.

VAMOS ABRIR O OLHO, PESSOAL.

Se o cara não responde aquela mensagem, talvez ele não queira te encontrar.

Se as respostas, por sua vez, são evasivas, frias, se ele está sempre atrasado, sempre enrolado no trabalho, em outra cidade, sempre encontrando desculpas – semana após semana – para não tomar aquele choppinho, para não repetir o cinema, páre de insistir.

Quem quer, já cansei de falar, dá um jeito. Fica. Remarca. Arranja alguém pra ficar com os filhos, adia até o aniversário da própria mãe.

Sentiu, de leve, que está sendo enrolada? Recue. O mundo está cheio de gente disposta, interessante, interessada e que está afim de estar com a gente.

Chega de querer comer a azeitona salgada da empada seca. Engasga.

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quando não há regras.

Nesses meus anos como conselheira amorosa aprendi uma sábia lição:  as pessoas não gostam de conselhos. Podem gostar muito do amigo ou amiga aconselhador, podem até aceitar que existem doses inquestionáveis de verdade em cada uma das frases proferidas, mas só aceitam a opinião alheia quando realmente procuram e, mais que isso: nossos amigos tem o direito de não se importar com o aquilo que pensamos.

Não existem regras claras para os relacionamentos humanos, não há uma fórmula correta para se agir nos casos, x, y ou z, simples assim. O que fazemos são conjecturas, baseadas em experiências anteriores – e no senso comum – daquilo que pode vir a ser a melhor coisa a ser feita. Ou não. É impossível afirmar com certeza.

Não sei quem foi que disse que para um namoro/casamento/caso funcionar um deve respeitar a individualidade do outro, nem quem afirmou que bom mesmo é ficar o tempo todo grudado. O que cabe a um determinado casal pode, simplesmente, não funcionar pra você. Pode parecer absurdo, exagero, cretinice, mas, olha, pode dar certo, viu? Sempre pode. Só quem está junto pode decidir a medida de todas as coisas e só quem está apaixonado entende o que sente. Ou não entende, mas quer viver tudo o que puder. Sem grandes lógicas.

Mesmo sendo uma pessoa completamente favorável à moderação, na vida como um todo, aliás, acredito que relacionamentos saudáveis são basicamente feitos de concessões para se estar junto. Para fazer parte de alguma coisa que será construída em PAR. Entretanto, tem casais aí aos montes se vendo uma vez por mês. Gente que é casada, com filho e que dorme em casas separadas porque, se ficar muito tempo junto, dá briga. E gente que morre de saudade se deixar de se ver por dois dias. E gente que sente falta de sair sozinho às vezes e precisa disso. E tudo bem.

Tem de tudo, cara, vocês nem imaginam o quanto. E é preciso aceitar as escolhas dos outros sem julgar.

Não entendo quem ama e não quer estar junto. Não entendo mesmo quem namora e não sofre com a possibilidade da ausência. Pra mim, por exemplo, namorar à distância seria mortal. Sou alimentada pela novidade, pelo cotidiano e por tudo na vida do outro que acontece dia após dia. Pelo diálogo, pela troca constante, pela risada de si mesmo. Acho que se muda muito em meio segundo. Que dirá em 6 meses.

Se é pra ter uma vida inteira sem a outra pessoa, que sejam amigos apenas, oras. Sem grandes intimidades e trocas. Ficantes, amantes ocasionais. É assim que funciona na minha cabeça. E mesmo que me digam o oposto – que a proximidade me levará ao tédio, que vou cansar da cara do outro, da vida do outro, do sexo do outro – caguei. Porque pelo menos vou ter aproveitado até secar.

Entenderam quando eu digo que só se absorve aquilo que tem relação com as nossas histórias pessoais? Que por mais que alguém queira dar pitaco na divisão da conta do restaurante, no rolo do outro, na briga da família, na traição, na falta de respeito ou no raio que o parta, só dá pra engolir quando a gente não tem convicção daquilo que sente? Quando há dúvida sobre o que deve ser feito?

Escrevo sobre regras porque elas não existem. Ou porque são infindáveis. Ou porque também busco tornar racionais as coisas que não cabem dentro de uma caixa.

Que chato seria uma vida toda num cubo.

Que seja disforme. Que seja errada. Que evapore; mas que seja. E que os outros também tentem ser.

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vadias s.a.

 

Desde já vai meu aviso: esse post é polêmico. Se você é muito conservador (a), esqueça. Talvez meus pensamentos te ofendam, talvez você nunca mais volte a ler esse blog novamente. Entretanto, se você está disposto, curioso e com a mente aberta… Fique à vontade. E claro, dê sua opinião. Se tudo o que eu escrevesse fosse certo… Minha vida seria perfeita, não é?

 

Toda mulher é uma vadia em potencial. Das mais castas, às mais soltinhas. Das mais novas, às mais velhas. Das magras, das gordas, das neuróticas às tranquilas; qualquer uma, sem exceção. Algumas enxergam isso e aceitam sua condição. Outras não. Toda a mulher já xingou, mesmo que mentalmente, pelo menos 5 mulheres por coisas que ela mesma já fez. Ou faria. Ou já viu a melhor amiga fazer e achou o máximo.

Toda mulher já chamou outra de gorda. Já achou o marido alheio gato. Todas elas. E isso não significa nada. Apenas que é preciso ponderar antes de sair por aí julgando quem a gente mal conhece. A vadia de hoje, é a sua irmã amanhã. A vadia de hoje, pode ser você. Será provavelmente.

As mulheres são, constantemente, hipócritas. E seus julgamentos tem ligação direta com suas relações pessoais. Se a prima fez, não é tão ruim. Se a atual do ex fez, é terrível, abominável. Como alguém pode ser assim tão desprezível, não é mesmo? Pensamos.

E somos cruéis. Não nos basta apenas pensar o mal, temos que agir contra esses “absurdos”. Temos sede de “justiça”. Queremos que a outra morra, que seus peitos caiam, que a bunda encha de celulite. E maldizemos a piranha até o infinito, não adianta negar. Aquela galinha, maldita, aquela vaca vesga, porca, suja. E por aí vai.

Com o passar dos anos, e conforme vou conhecendo as pessoas, passei a julgar mais e mais rapidamente. Não deixei de cometer meus julgamentos equivocados, muito pelo contrário. Me tornei mais ácida. Mas também predisposta a mudar de ideia se me provarem que não é bem por aí.

Na vida real, ao contrário das ciências exatas, onde conseguimos controlar os resultados, nada é preto no branco. Somos movidos, o tempo todo, pelos sentimentos, pelas circunstâncias e pela razão também, claro. Ou pela falta dela. Todo mundo está sujeito a uma cagadinha aqui ou ali. Todo mundo. E se é assim, porque somos tão pesados ao olhar para quem desconhecemos? Porque não olhamos as situações com a nossa dose de discernimento e filtros que aplicamos àqueles que nos importam?

Sejamos conscientes. Por favor.

E menos cagadores de regras.

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deixe para trás.

A verdade é que a gente escolhe ser feliz. E que a felicidade, sinto informar, é um pouco egoísta.

Não dá pra ser feliz e continuar a cultivar o que a gente não ama mais. Seja no trabalho, seja na família ou na vida a dois. Não dá para querer ser feliz e agradar os outros. Felicidade é única, pessoal e intransferível, que nem impressão digital. Que nem bunda. Você pode até admirar a da outra, mas tem que investir mesmo é na sua.

Ninguém pode tomar decisões difíceis pela gente, ninguém pode obrigar o outro a ficar ou a suportar essa ou aquela situação ruim no nosso lugar. Ninguém pode engolir os nossos sapos, nem saborear os nossos amargores, infelizmente. E ainda assim, sempre sobra um pouquinho de dor pro outro. Práquele que não tem relação direta com a nossa vida, mas que já está lá. Disposto. Sendo altamente influenciado por aquilo que a gente faz.

Quando se escolhe um determinado caminho é preciso abrir mão de toda uma cadeia de acontecimentos que se sucedem, bons ou ruins. Se um namoro acabou por falta de amor (ou excesso dele) temos a família alheia pra encarar. Às vezes pra aguentar, outras para ainda tentar impressionar; pra que àquela magia do que um dia foi – e hoje já não é mais – não se perca. Uma pena que não exista essa possibilidade. Quem agrada dois senhores não agrada nenhum. Ou pior: acaba por desagradar a si mesmo, o maior afetado da coisa toda. Quem, realmente, importa.

Sabe aquele lance de amar a si mesmo em primeiro lugar? Entra nessa hora. O quanto antes nos desfizermos das nossas amarras, libertarmos a nós mesmos (e os outros) dos nossos fantasmas do passado, melhor. Se é pra frente que se anda, não há sentido em olhar para trás. Não há, aliás, chance de sermos outra coisa quando ainda vivemos das sombras do que não nos faz satisfaz. Se você chama as coisas ruins, tem que estar disposto, também, a lidar com elas. Com as assombrações que você mesmo não tratou de exuzar.

Não dá para prosseguir sem desapegar. Não dá para evoluir sem sofrer.

Como tudo na vida, as coisas ruins também passam. E com as atitudes corretas, uma dose de paciência e muita fé no hoje, muito mais rápido.

Se é para viver um grande, novo e verdadeiro amor, que seja por completo. Porque pela metade já basta o que não nos cabe mais. E isso a gente doa, vende, troca, sejam as roupas, os objetos ou aquilo que a gente tem de mais frágil dentro da gente: os sentimentos. E esses, às vezes, se esgotam.

Cuidem bem de 2014. E que venham vidas inteiramente novas para vocês.

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quando a gente deixa pra lá.

Alguém me disse, certa vez, que relacionamentos longos têm ligação direta com a desonestidade. Que quando você está há muito tempo com alguém começa a deixar de falar algumas verdades – e a ignorar aquilo que já não está tão bom assim.

Não se importa mais com o cabelo bagunçado, com a roupa amassada e deixa de apreciar, também, os tais dos detalhes tão pequenos de nós dois que são citados naquela famosa música. Tenho pra mim que é exatamente por esse relaxamento em relação ao amor que as coisas começam a desandar.

As pessoas, então, passam a estar juntas por pura inércia, como num barco; até dá pra pular, mas tudo vai ficar tão movimentado (e molhado) que é melhor continuar onde está. No marasmo rumo à nada, onde não se pode dar um próximo passo, nem se casa, nem se separa. Nem se renova, nem desiste. É triste. É chato. E acreditem: é muito mais comum ser infeliz no amor estando com alguém do que dizem as estatísticas de casais estáveis por aí.

Aliás, vamos falar de estabilidade. Não existe, ao meu ver, um relacionamento mais chato do que aquele que é estável. Daqueles nos quais você faz sempre as mesmas coisas porque sim. Porque habituou. O mesmo beijo, a mesma posição na hora do sexo, o mesmo restaurante, a mesma sobremesa, a mesma visita familiar de domingo, o cinema de quarta. Me dá preguiça só de escrever esse texto.

Odeio estabilidade – em todas as áreas da vida – da emocional à financeira, juro. Não há nada pior do que deixar pra lá aquela coisa de fazer surpresa, elogio, de marcar uma viagem, de sair com os amigos pra um rolê, porque… Huummm…Estabilizou. Não há coisa mais terrível que sofrer o carma de estar o resto da vida com alguém que nunca muda, que não se reinventa. Precisamos de um esforço danado pra nos mantermos sempre iguais.

Jovens, não façam isso, não. Jamais.

Se está chato com 26, imagina lá pros 50. Se tá um marasmo louco agora, no auge da vida loka cabulosa, imagina gente, imagina na Copa quando as coisas ficarem realmente zuadas. Sério.

Melhor que a morte seja rápida e indolor antes, né? Ou melhor escolher logo ser feliz.

Vai doer bem menos no final das contas. Eu acho.

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lanchinho.

Os homens não falam com as mulheres apenas por uma noite de sexo. É isso. Ponto final. Parem com esse argumento.

Se fosse apenas por sexo, eles não falariam nada. Não se dariam ao trabalho de te conhecer, de saber do que você gosta, de te levar pra jantar ou de insistir para tomar aquele café. Para aqueles que querem sexo e só, quanto menos envolvimento, melhor, viu? Anotem isso aí.

Os homens querem sexo, é claro. As mulheres também. Mas nem todos os encontros casuais se resumem a isso.

Se o cara te faz um elogio, aceite. Pare com esse papo de “ai ele nem acha isso, ele só quer mesmo é me comer“. PARE. Você não é obrigada a fazer nada que não queira. Somos 100% responsáveis por decidir, afinal, se vale a pena ter uma noite com esse ou com aquele sujeitinho xis. Por diversos fatores.

Se rolou e se o cara só quis mesmo te comer, e isso acontece até com uma certa frequência,  ele é um babaca, tem aos montes por aí. Mas tudo bem. Não é isso que faz de você uma pessoa melhor ou pior, uma iludida, uma inocente e desprotegida donzela.

Você deu, o cara sumiu, legal. E se foi excelente, melhor ainda. Você aproveitou, ele aproveitou, ao meu ver esse placar está empatado, babe, 1X1. Você não é menos merecedora de amor, uma vagabunda ou uma qualquer. Por que toda essa culpa?

Só não era o cara, a noite, a hora. E isso acontece nas melhores famílias embora pouquíssimas admitam.

Existem inúmeras justificativas que fazem uma mulher se envolver sexualmente com um sujeito. Só não usem a poderosa lábia deles como justificativa para toda e qualquer cagada.

Às vezes não é o carinha que queria te comer; era você mesma que queria ser comida, simples.

Se temos mesmo os mesmos direitos, se somos mesmo seguras das nossas decisões, se queremos aquela tão sonhada igualdade entre os sexos, precisamos lidar também com o que vem depois, sem chorumelas.

Se não funcionou, que ao menos sirva de lição.

E fim de papo.

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coragem.

Às vezes o que nos falta é coragem. De dizer para o outro que as coisas já não estão mais tão boas assim. Coragem para partir sem garantia nenhuma de um novo futuro com alguém. Coragem de ficarmos a sós com a nossa própria vida.

Nos falta coragem para sermos honestos, transparentes, leais. Não há nada mais nobre que ser completamente sincero com as pessoas das quais nos importamos. Não amamos mais da mesma forma, não dá mais certo conviver como um casal. Mas olhar nos olhos de quem espera sempre o melhor da gente para dar uma notícia dessas, eu sei, é difícil.

E extremamente necessário.

E nessas horas agimos como loucos. Trair parece mais fácil, menos problemático, quase que indolor. Mas não é. Inventar discussões sem fundamento, gritar sem razão aparente, dar desculpas para essa ou aquela cara de descontentamento parece mais simples. Mas não é.

Até porque, quando só uma das partes acha que não vale mais a pena continuar, a outra sabe.Mas insiste em insistir.

Temos mais medo de fazer o outro sofrer que em sofrer por nós mesmos, até porque, durante os dias, meses e anos nos tornamos também parte do outro. Nos sonhos que não foram realizados, na esperança dos sentimentos há tanto proferidos – e há tão mais tempo já não sentidos.

E então permanecemos lá, inertes, talvez até interessados em outro alguém. Torturados pelas tantas mil possibilidades que se apresentam para quem não tem amarras, para quem ainda tem um mundo de planos para fazer com outras, quaisquer que sejam as mai de 6 milhões de pessoas do mundo.

Nos dá um medo terrível de estar fazendo, talvez, a escolha errada. De jogar para o alto algo que um dia foi realmente bom.

A verdade é que se cogitamos partir, já chegamos ao fim.

E como eu disse, o que falta mesmo, meus caros, é a coragem.

De admitir que todas as nossas promessas não eram, de fato, pra sempre. E que ser feliz, é preciso.

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1+1 = 0

Insistem na busca pela alma gêmea. Na ideia de que um dia encontraremos uma pessoa que nos completará e nos fará ser melhores que somos. Insistem também no papo de que quando amamos muito alguém mudamos to-das-as-nos-sas, atitudes sem nos importar com quem estamos nos tornando. Acho que essa, de todas as afirmações relacionadas ao amor, é a que mais me incomoda; ninguém muda sem cobrar nada em contrapartida. E mais que isso: ninguém muda instantaneamente.

Todo mundo possui uma referência sentimental, aquele casal de amigos incrível que se dá bem há anos e se trata com muito amor, respeito e carinho. Esse é o tipo de relacionamento onde 1 + 1 = 2. Onde há uma junção de personalidades, gostos, onde um se diverte com aquilo que vê no outro e procura tratar as diferenças – que obviamente existem aos montes – com muito diálogo e compreensão. Essas pessoas não são iguais e também não se completam. Gente que sabe lidar com o que existe de diferente no outro não nasceu pela metade, já é inteira.

Há também aquele outro tipo de casal que quer tanto fazer com que o relacionamento funcione que teima em  aceitar todas coisas – e se conformar com a não satisfação de quase 100% das suas expectativas. Esse casal foge da lógica, ignora as teorias matemáticas e, nesse caso, 1+ 1 = 0. As forças se anulam. Ao invés de um trazer para o outro o melhor de si, e somar para construir, esse casal é morno. É triste. E parece que está fadado a um relacionamento sem sabor quando cada uma das partes é completamente responsável pelas próprias escolhas.

Casais que se anulam tem problemas de auto-estima. Acham que não vão encontrar por aí alguém que os aguente, que os trate bem e que queira viver algo que vá além da mera sucessão de dias e de encontros clichê.

Namorar não é obrigação. Não é fardo. E também não é o padrão de relacionamento que funciona melhor para todo mundo.

Um rolo, um caso sem compromisso, um peguete sério, não importa. Quando ambas as partes se dispõem a transformar àquilo que existe nos tornanamos pessoas muito melhores.

Nem que seja para não repetir os mesmos erros quando encontrarmos um outro amor.

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Manual para o bom (mas nem sempre possível) viver.*

Não fale mal dos outros.

Se for inevitável, fale mal apenas em momentos de raiva e só para aqueles três amigos que você pode confiar. Ah, sim! Tenha três melhores amigos, todos diferentes entre si e todos maravilhosamente incríveis.

Acredite que ainda existem pessoas dispostas a se doar no mundo, mas não seja ingênuo. Entenda que sempre existirá alguém que irá te trair, te magoar, te passar a perna ou todas essas coisas de uma só vez. Não confie fácil, mas mantenha o coração aberto.

Não espalhe fofocas desnecessárias, principalmente as que envolverem pessoas que você ama. Cultive boas ações, ajude sempre o outro e faça isso de graça. Não espere reconhecimento e não busque méritos, mas faça sempre o seu melhor. Fale muito pouco sobre seus problemas, tente entendê-los longe da dor, porque ela faz todas as coisas parecerem insolucionáveis.

Beba suco, coma verduras e faça exercícios, não necessariamente tudo nessa mesma ordem e não necessariamente tudo isso de uma vez. Pelo menos uma vez por dia agradeça até mesmo pelas desgraças. Geralmente quando a gente acha que a vida tá uma merda, a gente fica mais na merda ainda, repare. Aliás, olhe ao seu redor. Reconheça que todo mundo merece uma segunda, uma terceira, infinitas chances pra recomeçar. Você nunca está tão certo quanto pensa e nem tão errado como imagina.

Quando houver discussões escute o coração. Não tenha orgulho se houver amor. Não tenha compaixão se houver desrespeito. Saiba que a vida só tem um caminho e que ele segue pra frente. O que você disse, já passou, o amor inesquecível, já foi, a viagem dos seus sonhos, só ficou na memória. Se possível, só lembre das coisas boas, das pessoas importantes e dos momentos felizes. Não se vingue de ninguém, e não queira mal seus inimigos.

Guarde cartas, fotos, livros, ursos de pelúcia, tudo que puder. Tenha história. Aceite que todas as situações que você passou existiram, que te fazem melhor do que você foi ontem e irão te fazer ainda melhor amanhã.

Não tenha pena dos outros, não tenha pena de si mesmo. Não seja vítima para ser alguém. Seja você, construa seu muro (permeável) de proteção e baste por si. Já disse que não é bom falar mal dos outros? É bom reforçar. Acabe com o mau humor, com a preguiça, com o egoísmo e com a inveja. Principalmente com a inveja, campeã absoluta de discórdia entre as mulheres.

Não compre tudo que tiver vontade, não coma tudo sem parar. Exageros, nunca são bons…Devo ser sincera. Ame. Sempre. A vida, as situações que se apresentam diante de você, as pessoas. Elas (boas ou más) são a chave de toda essa complexa rede de sentimentos que temos dentro de nós.

Realmente, é impossível ser feliz sozinho.

 

*Dos meus arquivos pessoais – mar.2008

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