será que é amor?

Queridos, recebi alguns e-mails no Consultório que só vou ter tempo de responder semana que vem! A vida anda corridíssima, ficar entre Santos e São Paulo durante a semana me faz perder aí umas 7 horas de vida on the road… Complicado!

Fazendo um resumão do que eu tenho na minha caixa de entrada, notei uma tendência geral de questionamentos em relação aos limites do amor. Quando é que termina a atração e a paixão e começa, de fato, a reinar o tal sentimento nobre em nossos coraçõezinhos? Quando é que os romamnces viram obsessão ou quando é que as coisas começam a ficar meio fora do controle? O amor já teria dado lugar a outros sentimentos? Ou apesar de tantas loucuras ele ainda estaria por lá?

Gostaria de ter respostas pontuais para descrever como o amor se dá, mas é se soubesse de tudo isso esse blog não teria a menor serventia. Não pararíamos para refletir sobre o que é certo ou errado quando o assunto é relacionamentos.

Não consigo definir limites em relação aos sentimentos já que eles tanto podem acontecer em simultâneo, como odiar alguém e ser apaixonado por essa pessoa, como podem vir em separado. Aquilo que está na nossa cabeça (e coração) varia em intensidade ou representatividade de pessoa para pessoa. O que é amor pra mim pode não ser pra você, o que eu sinto pode ser bastante diferente daquilo que você vive, percebe… E sente também.

Posso falar de forma genérica sobre o que NÃO É amor. O que também não é fácil de identificar porque não somos feitos só de amor, ódio, paixão… Somos complexos demais pra colocar em linhas ou tentar definir sentimentos, mas podemos notar alguns padrões de comportamento; e são deles que eu tenho falado por aqui em alguns posts.

O que mais me intriga nisso tudo é essa sede que as pessoas tem em definir as coisas. Quem define, se perde. Se for amor, você vai saber. Vai sentir. Amor é aquele sentimento irracional que te faz querer ser melhor não por você, mas pelo outro. É que faz você ter a consciência de que existem no mundo pessoas mais bonitas, interessantes, inteligentes, fortes, sensuais, mas ainda assim você deseja estar com apenas uma,  imperfeita, que você escolheu para estar do seu lado porque sim. E simplesmente porque sim.

Recebi perguntas sobre traição, sobre trocar ou não de parceiro, sobre pequenas infelicidades que se tornam um problemão, sobre muitas e muitas coisas distintas questionando sobre o mesmo ponto: será que ainda é amor? Será que houve amor um dia? Será que amar é essa porcaria mesmo?

Não posso julgar se é amor, mas posso dizer que questionar-se demais já não é um bom sinal. Sei que amar não é ter sempre certeza, como diria Jota Quest, ninguém é perfeito pra ninguém e disso a gente sabe. Mas entre o sim e o não, entre desejar estar com outras pessoas ou com a que optou por chamar de namorada, noiva, ficante…Entre partir ou ficar, eu sempre sugiro partir. É drástico. É problemático. Traz consequências. Mas é melhor partir e definir-se por não estar que trair. Que enganar e magoar alguém que você pode descobrir posteriormente que amava de verdade. Que era amor. Das mágoas pode-se voltar atrás, das culpas, dificilmente.

E amar não pode ser uma porcaria, não 100% das vezes. Ocasionalmente amar vai ser uma porcaria. Vai doer, vai encher o saco, vai proibir, inibir, constrangir, vai cansar. Mas aí os envolvidos dormem, acordam e tudo passa a valer a pena de novo.

O que é amor, então?

Acho que é ainda ter dentro de si o desejo de não desistir.

*****

Leu? Gostou? Então agora ouve: Será que é amor? Arlindo Cruz na voz do Exaltasamba.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=suMGEbS1P9Y&feature=related]

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pequenas proibições.


Ela sempre foi daquele tipo de mulher que chamava a atenção em qualquer lugar; e sabia disso. Não poupava olhares abusados, roupas provocantes e sabia seduzir com classe mesmo que sem nenhum interesse. Conseguia tudo o que desejava só no jeitinho,  mantinha o mistério sem cair na vulgaridade e poderia ter qualquer homem num piscar de olhos; sem nem mesmo estar no top 5 das mulheres mais bonitas que eu já conheci.

Era um algo a mais, um bom humor, o jeito com que ela mexia no cabelo ou contava piadas, a forma leve e desencanada que vivia a vida e falava com as pessoas. Não se importava com julgamentos, não se importava, na verdade, com coisa alguma. Ela apenas queria viver tudo que houvesse para ser vivido. E seguia seus dias livres sem a preocupação de namorar, casar, ter filhos ou conhecer um grande amor, muito diferente das amigas que nos quase 30 começavam a se descabelar.

Um dia encontrei com essa amiga por São Paulo e ela estava mudada, com ares de quem levava consigo um peso maior que merecia carregar. Os cabelo, antes loiros e sempre soltos, davam lugar a uma seriedade de escritório, morena, sóbria, coisa que nunca imaginei que poderia ver. Brincos discretos, sapatos formais, olhar de quem tem dono. Não a vi rir alto no bar ou fazer amizade com desconhecidos, não gesticulava mais ao falar, não era mais a pessoa que eu conheci. Conversamos brevemente sobre a vida, ela comentou que não saia faz tempo, que não encontrava mais com a nossa antiga turma e comentou também sobre um noivado que me pareceu um velório. Era a morte dela mesma.

Descobri no “diz que me disse” que o futuro marido era um ciumento e possessivo engenheiro que ela havia conhecido no trabalho, o famoso “encosto mané”. Nada de telefonemas longos, chá com as amigas, nada de unhas vermelhas. Quem tem dignidade nessa vida tem que pintar sempre as unhas de branquinho noiva e essa não é a primeira vez que vejo um homem exigir esse tipo de coisa. A mulher que ele mesmo apaixonou-se, fez mudar. E ela, cedeu. Ela, que nunca ouvia pai, mãe, ou padre, que nunca se submetia a ficar presa numa gaiola tornou-se mais uma de quase trinta submissa. Amedrontada. Apaixonada. E o mais triste de tudo isso: infeliz.

Não há como estar bem numa situação em que esquecemos de nós mesmas e não há anel de brilhante ou convite de casamento glamouroso que me faça crer no contrário. Das coisas que faziam dela uma das mulheres mais interessantes que eu já conheci, não sobrou nem o olhar. E para quem tanto experimentou, foi, voltou, sentiu e viveu, muito me admirou o fato dela passar a chamar todas essas pequenas proibições de amor.

E a fingir que, de fato, acredita nisso.

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Recl(amar).


Caro leitor,

Se sua namorada te procura para contar sobre as coisas ruins que acontecem na vida dela, escute-a com atenção: as coisas ruins a gente só compartilha com quem a gente realmente ama.

Pode parecer meio confuso, mas ser feliz com quem te faz bem estando bem é muito fácil. Difícil é ser feliz quando tudo na vida anda bem torto e só há um aspecto bom: o relacionamento. Eu sei que quando tudo está meio desandado a tendência da mulherada é usar o outro como suporte, eu faço isso. A gente exige presença, corpo, alma e ouvidos: que às vezes estão até piores do que os nossos, mas eles têm vergonha de admitir.

Dividir dramas é mais difícil que dividir um apartamento.

Quando o outro começa a falar sobre seus dessabores não é esperado que você dê soluções. A gente só precisa de um consolo. Fale também dos seus problemas, se não tiver nenhum, invente. Só pra gente não se sentir tão caótica e exigente, só pra gente se sentir importante em saber algo sobre você que poucas pessoas sabem. Mesmo que isso nem exista.

Os problemas servem pra gente ter sentido pra viver, pra que os dias tenham sabor de vitória. De nada adiantam os erros e acertos sem ninguém na torcida. Namoro é terapia. É saber de todas as fragilidades do outro e não se aproveitar disso numa briga. É saber onde o calo aperta e tentar massagear com carinho pra ele sair de lá. Ou, simplesmente, não encostar nele. Se sua namorada precisasse de juíz ela certamente contaria tudo para alguém que não a conhecesse e, sendo imparcial, lhe desse as diretrizes certas sobre o que fazer.

Amar, às vezes, é sobre não fazer nada.

Porque não basta ter alguém pra esquentar os pés nas noites chuvosas a gente quer alguém pra aquecer o coração.
E fazer o corpo descansar num porto seguro por pelo menos alguns momentos sem se sentir só.

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sem memória.

Desde que eu comecei a usar aparelho notei que não tenho memória pra dor. Coloco um elástico aqui, aperto dali, como algo mais duro e a minha boca rasga INTEIRA. Juro que na hora sinto dores TERRÍVEIS que, depois, eu nem lembro direito como foram. Se eu tivesse que descrever como é usar aparelho, não saberia ao certo como dizer. Poderia falar que é ruim, mas que, no final das contas, vale a pena a dor em relação ao benefício, mesmo tendo consciencia que já desejei arrancar no dedo, inúmeras vezes, cada uma dessas pecinhas malditas.

Será que é isso que acontece com os assuntos do coração? A gente se machuca, sabe que foi terrível, mas o tempo passa, as coisas cicatrizam e, quando não ficam marcas, a gente nem lembra mais que elas estiveram lá? Será que deveríamos ser assim?

Quando um namoro é saudável e os bons momentos superam as dores acho natural (e também correto) dar uma esquecidinha involuntária na parte ruim do que se viveu. Mas e quando o amor não tem cara de amor? Quando as mulheres apanham dos maridos, são abusadas pelos pais, traídas, inúmeras e inúmeras vezes? Ou quando sentem-se diminuídas, excluídas, esquecidas ao ponto de todo mundo saber que elas não deveriam mais estar vivendo tudo aquilo, mas elas estão? O que fazer? Por que essas mulheres não apresentam a menor recordação da dor?

Há quem diga que é questão de auto-estima. Que elas amam-se tão pouco que atribuem a si mesmas a culpa pelo que recebem. Acho  cômodo pensar assim. Nós não somos árvores, podemos mudar o rumo das nossas vidas à todo o momento, não precisamos ficar lá, com raízes fincadas em solo podre. E, por muitas vezes, ficamos. Insistimos em nos calar para não gerar uma briga, insistimos em não nos separar para poupar os filhos ou a imagem no trabalho, temos medo que mudar seja ainda mais doloroso que suportar.

Quero que essas mulheres (homens, crianças, adolescentes…) pensem que aceitar situações que nos fazem sofrer diariamente não é prova de coragem. É prova de que alguma coisa dentro da gente acha que precisa de punição, sem sequer existir a menor lógica de culpa.

Se você andou sofrendo mais do que merece, com certeza já aprendeu a sua lição de vida, seja ela qual for. Agora chega de ter medo de virar essa mesa. É hora de agir por você (o mais rápido possível.)

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falsidade ideológica.

Falei aqui que nós mulheres somos excelentes atrizes, não falei?

Então, homens, fiquem atentos a isso.

Nem sempre aquela mulher que usa vestidinho curto, mais justo que Deus quando repartiu os pães e os peixes, é biscate. Arrisco dizer que nem sempre, quase nunca.

É claro que depende muito da faixa etária em que isso acontece. Se ela tiver cara de mãe de família e corpo de menina de 20 anos você trate de desconfiar: é uma cilada, Bino.

Não sei por que em algum momento da vida as mulheres começaram a achar bonito usar micro-mega-saia-justíssima-preta-de-vinil. Não sei mesmo. Aliás, sei sim. Porque vocês, homens, adoram. E como vocês ultimamente andam super fechados para relacionamentos sérios e nós gostamos de nos sentir desejadas, o negócio desanda. E algumas não conseguem equilibrar os atributos físico-intelectuais e partem pra guerra.

Nem sempre aquela garota que cai na noite como se fosse pra zona é a mais cachorra do mundo, mas ela gosta de se sentir assim…Observada. E ela também tem a certeza de que aproximadamente 87% dos homens em algum momento da festinha vai se aproximar dela. O mercado anda bravo, a concorrência desleal e nós, meus caros, somos sábias. Estamos cansadas de saber que machos são visuais e que basta uma alcinha de sutiã vermelha aparecendo que mil e uma histórias de amor pornográficas se materializam na mente de vocês. A mulher pode ser burra quando apaixonada, mas é uma artista na hora da caça.

O problema, no final das contas, é quando por detrás de toda essa aparente safadeza a mulher é uma virgem. Tenho amigas que são totalmente voluptuosas na balada e que nunca viram um órgão sexual masculino (pra num dizer outra coisa) nem em foto de catálogo de cueca. Passam a mensagem errada e mantém a fama de solteironas na pista, mas na hora do vamos ver… Não rola nem mão boba, elas travam. Porque o homem já chega chegando, trabalhado na má intenção.

É óbvio que também existe também o tipo contrário: a que se faz de santa, mas já deu mais que xuxu na serra. Mas daí vocês adoram e querem casar. Nada melhor que ter uma mulher “de família” pra andar de mão dada no shopping.

Quando o homem for seguro de si e te quiser de verdade você não vai ter porque mentir. Ou, pelo menos, não vai ter que ter essa conduta 8 ou 80 que eu ando vendo aos montes na mulherada.

Não é  muito mais vergonhoso ter fama de vagabunda de graça que admitir, em meio a essa sociedade podre, que vai casar virgem e prefere que seja assim? Porque os valores estão tão invertidos? Pensem bem. Virgindade e santidade são coisas diferentes. Porque a sacanagem vai muito mais além que um vestididinho curto, uma insinuação ou uma palavra baixa. Ser sensual é uma coisa, ser sexual é outra e ser vagabunda de beira de estrada, outra. Não procurem os extremos.

A gente sabe que anda difícil encontrar homem decente no mundo. O nerd bacana nunca vai chegar numa mulher bonita, inteligente, bem resolvida e difícil. Não vai. Amedronta. Agora, se a casta puritana pagar de devassa… Pode ser que encontre um cara que realmente a queira fazer feliz, porque ele não vai ter medo de tomar um fora. E se ela for mesmo interessante  – e ele, coerente –  não vai ter essa de quantos ela beijou ou esteve na cama; ele vai se importar com aquilo que ela é.

Já vi muito homem se apaixonar por prostituta, daquelas de verdade mesmo, que trabalha na noite. Então vamos parar de julgar a embalagem, atentar mais para o conteúdo e começar a viver como realmente somos?

Seria o começo de um mundo melhor.

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climão.

Sou daquelas que acha que a culpa de tudo no mundo é minha.

A crise economica mundial, a crise economica da minha casa, o atraso, o bar que deu errado, o trabalho da faculdade, algum esquecimento…Tudo, absolutamente TUDO, é minha responsabilidade. Não sei relaxar. Não sei esperar as coisas se resolverem sozinhas. Vou lá, falo tudo que tenho pra dizer e fico esperando alguma palavra que seja (de preferência, consoladora…) em troca.

Me acostumei tanto ao fato de carregar pequenas cruzes que já assumo erros que nem são meus e peço logo desculpas pra não ficar com aquele gosto amargo na boca ou com o meu estômago borbulhando de tanta ansiedade; mesmo que eu saiba que esse lance de culpados e inocentes é complicadíssimo, principalmente quando falamos em amor. Amor são dois, não um. Logo, de forma geral, se um erra e cai foi porque o outro tropeçou. Num tem outro jeito.

O que me incomoda mais é algo que vai além disso tudo: o fato do outro se importar. A gente pede perdão porque realmente enxerga a nossa parcela de culpa nas situações e se importa quando o outro está magoado. Eu, pelo menos, sou assim. Só que não podemos obrigar ninguém a se importar com a gente. Mesmo que você esperneie, e o outro comece de fato a ligar praquela papagaiada toda, isso não é valido porque não é natural.

Você provocou o efeito, você foi a causa. O amor deve ser causa e efeito por si só.

Conversando com a Mari, que assim como 70% das mulheres desse país vive uma situação parecida com a minha, surgiu a teoria de que nos desculpamos não porque nos sentimos culpadas e sim porque somos superiores – e preferimos assumir logo a culpa do que levar a situação à ferro e fogo. Eu bem gostaria de dizer que sou superior, amiga, mas eu sou mesmo é AGONIADA.  Detesto um climão. Principalmente com as pessoas que eu realmente me importo.

Acho que no final tudo isso tem a ver com o quanto somos especiais para alguém e o resto é consequência. O que torna tudo isso ainda bem mais triste.

Não?

*****

Pessoal, minhas aulas começam hoje (aaahhhhh!) o que talvez torne um pouco mais difícil eu responder todos os comentários por aqui! Me perdoem? E assim que eu tiver um tempo maior, responderei a TODOS que me enviaram e-mails no Consultório, okay?

Beijão!

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o amor no cotidiano.

Uma mulher liga pra outra, desesperada:

– Menina, você não sabe!
– O quê?
– Hoje o dia foi um terror, me aconteceu assim, a desgraça das desgraças.
– O que??????? Aquela vaca da outra sala tava com a mesma saia que você? Encontrou com o ex na rua?
– Não, amiga, roubaram a minha vaga.
– CO-MO A-S-SIM?
– ROUBARAM A MINHA VAGA. Cheguei lá no trabalho pra estacionar, atrasada, claro, e tinha um Corsa preto na vaguinha do meu Gol. UM CORSA, VOCÊ ACREDITA?
– Men-ti-ra. E o que você fez? Furou o pneu do cara?
– Deu vontade, viu? Mas tava atrasada, alguém podia ver, num arrisquei. Pensei em arranhar a lataria do sujeito de ponta à ponta, onde já se viu? O cara pegou  A MINHA VAGA. Tive que andar 4 quarteirões de salto alto num calor dos in-fer-nos. Quis MORRER.
– Ai,amiga, posso imaginar, que fase. Deve ser um gordo, maldito, sedentário. Só pode. E de resto, tá tudo bem?
– Tudo. Comprei um vestido lindo.
– Aquele azul?
– Não, aquele verde que eu vi no shopping. Final de semana eu ponho pra você ver.
– Ai, então tá ótimo. Me liga mais tarde?
– Ligo.
– Super beijo!

A mulher chega em casa e comenta a situação com o marido:

– Amor, tive um dia terrível.
– Ah, é?
– Cheguei no trabalho atrasada e um cara tinha roubado a minha vaga. Amdei quatro quarteirões de salto alto por causa desse infeliz. Liguei pra Patricia e contei tudo. É um absurdo, né? Como pode um negócio desses? Fui no shopping e comprei aquele vestido verde que eu tava querendo, ficou lindo. Precisava desestressar.
– Hum.
– Ah! Meu cartão de crédito não passou na loja, usei o seu, tá?
– COMO ASSIM USOU O MEU?
– Ai, num seja insensível. Meu dia foi uma bagunça total, num vamos falar em dinheiro agora, okay? Depois eu pago tudo pra você, num entra em crise.
– Agora fazer o que, né? Já usou mesmo o cartão. E quanto foi o vestido?
– 300 reais, tava na promoção.
– Na promoção PRA QUEM? E que tal ao invés de reclamar que o cara roubou a vaga que é da rua e não SUA, chegar mais cedo no trabalho pra garantir que ela ainda esteja lá?

– Nossa, com você não se pode nem conversar, hein? Estúpido.
– (…)

Tô mentindo que é assim?

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coisa de macho.

Meu vô é do tempo que mulher era parida pra servir. Que fosse o prato, a mesa, que fosse lavar a roupa, pegar uma água e manter a casa sempre em ordem. Sempre. Não podia em hipótese alguma atrasar o jantar ou trabalhar fora. Não podia sair depois das 6 e meia da tarde desacompanhada, não podia ficar trazendo muita visita em casa porque a vizinhança  já logo mexericava. E a minha vó, que morreu de saco cheio de tantas regras, nunca teve sequer a chance de olhar para os lados. Nem se quisesse.

Hoje os homens cozinham. Lavam as roupas (até as cuecas), alguns cortam as unhas dos próprios pés. Um avanço de eras. Já vi homem ficar em casa cuidando dos filhos enquanto a mulher trabalha fora,  impressionante. Hoje a gente pode olhar pro lado, pra cima, pra baixo, sair de casa depois das 3 e 45 da manhã pra encontrar com as amigas. Pode, mas, nem sempre, faz. E apesar das mudanças de comportamento faltam algumas outras na mente.

Não é que eles não reconheçam o lugar das mulheres no mundo, eles sempre souberam que ser dona de casa não tem a ver com destino, mas sim com escolha. A gente é que opta por ser mãe e amante. Esposa e trabalhadora. Santa e puta. Porque se é muito um, ou muito outro, já não presta.

Homem sabe que quando mulher quer, revira o mundo. Mas sabe também que, via de regra, elas preferem não cutucar o formigueiro. Alguns entendem nossas necessidades, alguns se adaptam, equilibram-se, tornam-se até meio feministas. MEIO. Porque de vez em quando entram em crise.

Se um homem chama uma mulher de gostosa e ela retribui com um elogio do mesmo “calibre”, pode crer que eles já enxergam nessa uma laranja podre, vagabunda de vida fácil. Nem se ela lavar, passar e cozinhar como ninguém importa, isso torna-se secundário. Pra casar, os valores que qualificam uma mulher de verdade devem ser a “dignidade”, que possui um termômetro de ações. São as palavras, roupas, gostos, atitudes… E o histórico de vida. Quanto mais rodada, mais imprestável. Se puder ser virgem aos 29, melhor ainda. Essas são as ideais.

É por isso que nós, mulheres, nos tornamos excelentes mentirosas. Se tudo fosse colocado em pratos limpos, ninguém formaria família por aí, sem sombra de dúvida. Nós sabemos ser realmente teatrais se precisarmos, questão de sobrevivência. Saibam disso.

Os anos passaram, mas tudo continua igual. Eles não falam, mas gostam da comida feita, da roupa lavada, da casa em ordem, dos filhos (se houverem) educados. Gostam da idéia de submissão, de estarmos disponíveis para essas funções domésticas. E a gente cede, muitas e muitas vezes, e a gente até acaba gostando de ser assim.

Os primórdios falam muito sobre a sociedade de hoje, e nós também não pode negar que gosta quando eles são do tipo bem trabalhador. Que mulher não gosta? Que mulher não se encanta com um homem que assume o comando da casa? Qual prefere passar horas no escritório a horas num bom restaurante? Ou fazendo uma viagem? Ou curtindo um spa?

É óbvio que esse post todo é um exagero. Existem sim as exceções femininas e masculinas que em em pleno século XXI muita coisa  já entenderam sobre seus papéis sociais, mas tentem entender mais a fundo o que eu quero dizer.

A culpa não é deles. Mas a medida que tudo isso acontece, o grau de domínio que um homem tem sob uma mulher, isso sim, é responsabilidade nossa. E pra analisar o que é certo e errado quanto aos valores machistas de um relacionamento só se perguntando se ser assim, Amélia Moderna, te faz feliz.

Faz?

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clube das mulheres.

Para ler ouvindo:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=oZcGDkvbAJ4]

Minha mãe recebeu um convite pra ir ao clube das mulheres. Achei ridículo. Aliás, mais ridículo que aceitar um convite pra ir ao clube das mulheres é mandar esse convite pra uma mulher casada, com filho e no auge dos seus 56 anos. Quer dizer, ela já poderia ser avó, veja bem. E ainda recebe convite pra ir em clu-be-das-mu-lhe-res? Pelamordedeus. Fiquei chocada. Depois revoltada. Depois pensei: onde esse mundo vai parar? E, por fim, refleti. Calma aí. Clube das Mulheres num passava de domingo à tarde no programa do Gugu? Num tinha um sujeito que ia sempre fazer umas performances bem toscas por lá? Um loiro fortão (Lembraram? Marcos Manzano? Oi?)  E confesso que pensando sobre isso me vi preconceituosa em relação ao tal clube. Preconceituosa, porém, ainda sem aceitar a idéia de ver a minha mãe por lá.

Deixando de lado tudo o que acho sobre o local, 70% do meu círculo de amizades já visitou o estabelecimento pelo menos uma vez. Homens, nós não gostamos de ver vocês peladões, não distorçam as coisas. Não existe uma Love Story versão feminina, viu? Só pra constar.

Tem coisa mais lamentável do que um homem pelado fazendo pose? Tem. Um homem pelado, de 40 anos, vestido de cowboy, achando que é lindo fazer pose. E é isso que você encontra no clube das mulheres. Além de, é claro, muita bebida grátis. Lá é lugar pra tirar sarro da vida se sentindo libertinazona e soltar a franga sem medo de ser feliz, tipo um stand up comedy, sabe? Lá você pode rir alto, bater palma e fazer comentário levemente pornográfico com aquela sua colega de trabalho sem ser recriminada. Lá você vai encontrar pessoas de 17 à 60 anos conversando de igual pra igual, assim, na tranquilidade. Cházão da tarde.

Se eu já fui no Clube das Mulheres? Nunca. Se eu pretendo ir no Clube das Mulheres? Jamais.

Mas que com certeza vou pedir registros detalhados caso a minha mãe vá com as amigas curtir o auge da rebeldia feminina por lá… Você pode crer.

E deixo aqui tudo pra vocês lerem também.

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não depende de nós.

Uma amiga leu um livro que falava sobre a auto-estima. O autor afirmava que aquilo que sentimos em relação a nós mesmos é baseado em coisas que acontecem de verdade na vida da gente, nas nossas não-frustrações. Por muito tempo achei que auto-estima era questão apenas de ponto de vista, do modo como você encara a sua vida e as coisas ao seu redor, mas isso não necessariamente acontece. Se você trabalha, tem retorno financeiro por isso e, de quebra, é elogiado, começa a acreditar que é bom no que faz. Reação baseada num fato. Se você se relaciona com alguém, obtém um retorno positivo, uma ligação, um SMS ou coisa do tipo, acredita que agradou o outro. E passa a ser convicta de que relacionamentos valem a pena, funcionam e continua investindo para que eles dêem certo. Se não, acha que o problema está em você; é a ordem natural das coisas.  A questão é que quase nenhum aspecto da vida depende única e exclusivamente das nossas atitudes. Relacionar-se ou trabalhar não depende exatamente só de você.

Quantas vezes você já se sentiu inadequado? Perguntou por aí o que faz de errado? Por que ninguém te liga no dia seguinte, por que nenhum emprego te dá retorno, nenhum estágio funciona? Inúmeras, não? E isso tudo se aplica a muitas outras áreas da vida, aos amigos, à família, nos aspectos religiosos… Enfim, tudo no mundo é uma combinação daquilo que você faz com aquilo que os outros fazem. Às vezes, não existe um problema com você. Às vezes, foi o tempo e o espaço que não contriubuiram para que tal coisa acontecesse; a pessoa não era aquela pessoa, a oportunidade não era pra ser, aquela não era a vida destinada à você. Sim, eu sou clichê, eu acredito em destino. Na verdade, acredito em algo chamado predestinação, mas isso é assunto para outro post. O que eu quero dizer é que a sua auto-estima é mesma baseada em fatos, mas você  não deve se sentir 100% responsável pelos seus fracassos. Achar que quem luta sempre consegue e quem corre atrás sempre conquista, tem sentido. Mas não vale  se menosprezar quando as coisas não funcionam, porque NEM SEMPRE, quem acredita sempre alcança. Mas, é claro que o sol vai voltar amanhã.

E haverão ainda um sem número de chances para ser feliz. Basta não desistir.

UPDATE>>

A leitora Ana, (@ana_cherrylips) recomendou uma música que tem TUDO a ver com post! Aí vai:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=s4Rax2PXiWA]

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