Monday May 2, 2016 12:12

Relacionamentos bons também tem brigas.

Odeio brigar com as pessoas. Por qualquer motivo que seja.

Odeio criar caso, discordar e odeio tanto, mas tanto isso, que evito emitir opiniões polêmicas mesmo quando elas dizem respeito a mim mesma – sobre o que eu sinto, sobre como eu sou ou sobre como determinada situação me faz sentir. Eu sei, é um erro. Precisamos sempre ser honestos acima de qualquer coisa e nunca – NUNQUINHA – passar por cima dos nossos próprios sentimentos. A vida, os amigos e grande parte dos e-mails que eu recebo aqui no Consultório Sentimental me ensinaram isso. Mas, ao mesmo tempo, sofro de uma submissão quase que inconsciente da qual preciso estar constantemente alerta para combater. Por mais que o outro seja importante, nada, nesse mundinho, é mais importante que eu mesma. E eu vou explicar por que vocês também devem pensar assim.

Eu sou uma pessoa que está sempre disposta. Mesmo. E se não estou, finjo bem estar. Ainda que eu reclame, ainda que eu faça cara feia, ainda que eu esteja doente, cansada, contrariada eu sempre – E DIGO SEMPRE MESMO – tento fazer a outra pessoa que está comigo feliz. Levo a sério o lance da alegria e da tristeza, da saúde e da doença, do mi casa, su casa. Mi divida, su divida, mi rolê, su rolê, e, assim, sempre segui nos muitos relacionamentos que tive nessa vida. Faz parte de mim, não consigo ser de outro jeito.

Não existe nada mais desagradável do que estar com uma pessoa que não topa absolutamente nada, que é antipática, anti social, corta vibes e coisa e tal, mas eu notei que 97% das pessoas que habitam a face da Terra são assim – e que o egoísmo é tão importante para o sucesso de um bom relacionamento quanto o altruísmo. Pois é, chocante, não?

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro, a canção estava certa. E ninguém consegue. Sabe, eu trabalho 7 dias por semana, quase que 12 horas por dia. Eu sou bem workaholic, tenho um senso de urgência, de solução, de responsabilidade que me dá prazer e me consome na mesma medida. Minha relação com o trabalho é altamente controversa, mas isso é assunto para outro post, enfim, vamos nos focar aqui.

Eu gosto de viver, gosto de gente, mas, às vezes, tudo o que eu queria era não ter que lidar com pessoas no final de semana, eu só queria ficar em casa, curtindo um edredon, vendo Netflix e comendo pizza. Não queria ir no job, na reunião com os ~ broders ~, não queria curtir balada, barzinho, nada disso. Eu só queria ter a obrigação de fazer as coisas por mim, única e exclusivamente por mim. E isso, ao mesmo tempo que parece óbvio, é inviável para uma pessoa que é altamente sociável e gosta de agradar aos outros como eu. Portanto, vejam bem essa contradição que habita em mim e esse problema: quem faz tudo por todo mundo sempre é cobrado por isso.

Eu PRECISO estar em Santos, com os amigos do trabalho, com a minha família, com a família do meu namorado, no rolê da academia e em qualquer outro evento social que surja pelo caminho. Sempre. E em todo o tempo livre que eu tiver. E em todos os finais de semana. Porque fui eu quem instaurei esse limite sem limite para as pessoas, eu mesma coloquei na cabeça que não tinha o direito de ficar ~ de boas ~ e sofro horrores com isso.

Ando cansadíssima, meio doente, e eu já disse que esse ano seria o meu ano, do qual eu faria coisas por mim – pela minha saúde, pela minha felicidade, mas na prática, até as coisas que arranjei para o meu próprio prazer e satisfação viraram obrigação. Sabe, é muito difícil agradar esse mundo de gente que eu tento agradar e ainda agradar a mim mesma – pra não dizer que é impossível.

Então, amiguinhos, por que estou escrevendo tudo isso? Porque apesar desse cenário psicológico descrito acima, eu tenho um namoro muito incrível. E pessoas muito maravilhosas e compreensíveis ao meu redor que, por mais louca que eu seja, sempre estarão lá por mim, tentando entender o que eu sinto. Em bons relacionamentos – de todo o tipo – também existem brigas. E faz parte. Se você, assim como eu, se culpa por todo o mal do mundo e acha que tudo está perdido porque deu uma gritadinha com o namorado, fica calma aí. As pessoas que estiverem dispostas vão entender seus surtos. Podem não gostar, podem discordar, podem não entender porque diabos você se sente assim, tão reprimida com um cenário que você mesmo se enfiou, mas enfim… Vão entender.

E tudo vai ficar bem no final das contas, tá? Eu prometo.

Wednesday March 30, 2016 14:23

Amor e Orgulho*

O orgulho e o amor próprio são coisas diferentes. E igualmente destrutivas quando ou ausentes ou em excesso em qualquer relacionamento.
Ama a si mesmo aquele que mesmo gostando verdadeiramente do outro, opta por não continuar um relacionamento nocivo. Aliás, ama tanto, que prefere guardar apenas a parte boa do que foi vivido, sem ocasionar ainda mais mágoas que àquelas que o coração foi capaz de absorver.

Tem paixão por si aquele que abre mão de ser violentado moralmente, intelectualmente ou, até mesmo, fisicamente. Tem autoestima aquele que não se deixa levar pelas revistas, pelos padrões e que possui personalidade forte o suficiente para separar crítica de ofensa, bom de ruim, e mais que isso: tem força para recomeçar. Isso não é, de longe, ser orgulhoso; é ser sensato. Orgulho é não admitir erros, não aceitar elogios. É ter aquela necessidade de estar sempre sob o controle de tudo, de não ceder aos pequenos e breves prazeres da vida por se julgar superior a isso. É não ligar, não explicar, não pedir, não sentir.

É orgulhoso aquele que não dá o primeiro passo, que não pede desculpas, não sabe o significado de uma nova chance. E o orgulhoso não se afeta com situações grandes, preocupantes, é tudo bem pequenininho, bem simples, coisa de birra mesmo.

O orgulhoso prefere ter razão que ser feliz.

Briga e dorme sem querer reatar, mesmo sabendo que aquilo dentro do peito vai corroer, vai minar o que há de bom. E, às vezes, até se dá conta disso, mas não sabe como se livrar. O orgulho é feio. É o disfarce da alma cansada, que já apanhou demais por aí e que agora não quer mais saber: vai se proteger de todas as formas para não correr o risco de ser feliz.
Viver dói, pessoal.
E é melhor que seja sem arrependimentos por nossas próprias atitudes.
*texto originalmente publicado no Blog Lumagga

…e outras porcarias também.

Aliás, me conta aí, porque você tem vergonha de admitir que ADORA Zeca Pagodinho? Qual o problema de ir a um show do MC Guimé? Porque todo mundo tem que ser cult, inovador, hipster, lançador de tendências e gostar de coisa triste? Porque só rock internacional é bacana e música da favela é um lixo? Porque falar de bunda na música da Rihanna é legal, mas na música do Catra num pode? Façam-me o favor.

Que porra é essa de só comer o que ninguém come, vestir o que ninguém veste e ser ~diferentão~? Acima do bem e do mal pra quem é comunzão?

Que mania cretina de querer ser mais do que é, gente. Chega disso. Ninguém precisa usar Adidas Originals não, tá? Ninguém precisa gastar 3 salários numa mochila da Vans. Assim como não precisa ser magra, lisa, alta, gorda ou baixa. Ninguém taí colocando uma arma na sua cabeça e determinando o que é melhor ou pior na gastronomia, na música ou na moda (ou até está, mas de um jeito mais manipulador e invisível, e esse é assunto para outro post).

De qualquer maneira, tenha em mente que nada é tão seu quanto as coisas que você acredita, compra, veste, que aquilo que você é. Então faça o que quiser, goste do que quiser, vá onde você se sente à vontade.

Caguei pro glamour, pra sua opinião, pras regras da boa músicaZZZzzZzZzZzZZzZ…

E pode reparar: cada amante de música “ruim” que se assume leva pelo menos dois roqueiros outros consigo. Ou aprende que a tolerância e a flexibilidade quando falamos daquilo que é bom pra alguém (ou para nós mesmos) é a melhor coisa que existe no mundo.

Friday February 26, 2016 10:23

desconhecidos.

Existe um fenômeno que acomete a minha vida diariamente e eu gostaria muito de saber se ele também acontece na vida de vocês. É o seguinte: eu tenho vontade de elogiar desconhecidos. O tempo inteiro. Geralmente enquanto estou no transporte público. A sandália, o cabelo, aquele brinco INCRÍVEL, o relógio que eu não consigo parar de olhar. Ocasionalmente, inclusive, eu acabo falando com algumas pessoas, perguntando qual o creme que dá esse volume todo no ~picumã~, o nome do esmalte, ou que perfume é esse cara? Essas coisas.

No geral, as pessoas são bem receptivas, sorriem e eu acabo fazendo algumas “amigas de  busão” aqui e ali (depois vou falar sobre isso em outro post), mas é IMPRESSIONANTE como outra parcela, principalmente a feminina que eu costumo abordar bem mais por motivos óbvios, não sabe lidar com um elogio. Fica desconcertada. Diz que a peça foi baratinha, está velha e que o perfume é Avon. Às vezes trava, faz um aceno com a cabeça, olha pro chão e nem sabe o que dizer.

As pessoas não suportam escutar o quanto são bonitas. O quanto estão arrumadas. O quanto é linda a beleza natural pela manhã, despretensiosa, com cara de sono, meio amassada. Não conseguem lidar com o próprio bom gosto, com as próprias escolhas e o modo que isso impacta na vida de outras pessoas. Às vezes, nem pensam nisso. Quem, afinal, não tem problemas com a auto imagem vez ou outra, não é mesmo? Tenho pensado bastante sobre aceitação. E acho que elogiar os desconhecidos por aí pode mudar, de verdade, o dia ruim de alguém.

Somos críticos e duros em relação a diferentes coisas da vida. Somos até maus, às vezes. Nossos julgamentos são ferozes e instantâneos, então resolvi, no final das contas, deixar que essa good vibe dos elogios descontrolados tomasse conta da minha vida. Quando a gente vê o lado bom dos outros, passa a ver também o lado bom na gente, o lado bom da vida. E a minha, a sua vida e a vida de quem nos cerca, fica muito, muito, mais leve. Mesmo.

Acho que vale a tentativa.

Daí que eu comecei a fazer um Instagram com meus looks do dia. Primeiro, porque sempre comentavam que o modo como eu me vestia refletia muito a minha personalidade – e que talvez eu devesse explorar isso de alguma forma – e segundo, porque descobri que olhar a si mesmo nas imagens é um super exercício diário de auto aceitação (e de ajuste daquilo que fica REALMENTE bom em você, em termos de moda mesmo).

Eu, que nunca tive vergonha na cara ou preocupação com a minha imagem online, que postava foto bêbada, suada ou de biquini comendo pastel de feira, me vi ali analisando se estava gorda ou magra, se meu cabelo tinha ou não frizz e extremamente incomodada com a minha cara de sono, sem maquiagem, quando resolvia fotografar de manhã. Não é à toa que as pessoas vivem dizendo que o universo das redes sociais é um mundo à parte, de fantasias e superficialidades, mas sentir isso na pele faz você ir para uma outra esfera: a pessoal. Aquela na qual você, sem recursos ou super efeitos, se vê obrigada a se gostar como é.

Depois de uma semana registrando aqui e ali meu look pelas ruas, pude entender porque as pessoas realmente VIVEM disso: dá um trabalhão. E ninguém que pega ônibus, tem hora pra chegar e mil coisas pra fazer durante o dia, na firma, consegue  estar o tempo todo arrumadinha, sem pizza no sovaco ou gordura no rosto em meio a um calorão de 125 graus célsius. Ninguém.

Eu, que sempre gostei da minhas roupas,  cores e estilos, me vi censurando uma ou outra peça pra ficar melhor na foto. Deixei de lado o sapato surradinho para dar lugar a um mais desconfortável (porque era bonito) e passei a notar as poses, olhares e toda a espontaneidade das fotos que eu tanto curtia – e que de espontâneas não tinham nada. Sorrisos forjados, maquiagens detalhadas, cenários pré moldados… Que vida real é essa que se vende tão naturalmente e que eu, você e o mundo inteiro sabemos que não é assim que funciona? Porque somos tão narcisistas e, ao mesmo tempo, envergonhados? De que importa, afinal, a opinião do outro sobre o que vestimos, somos, mostramos?

E decidi que meus looks do dia continuarão naturais. No meio da rua, em frente ao supermercado, no hall do prédio. Não vou pensar nas roupas que repeti ou no quão velha está aquela bolsa. Seguirei tranquila. Porque eu sou aquelas roupas, elas me identificam, me representam, são a extensão de outras mil coisas que eu quero comunicar – e isso é realmente grande.

O grande barato é tentar tirar dessa experiência que é fingir ser famosa o melhor pra mim.
Nada melhor que olhar para si para ir adiante. Vale tentar.

Tuesday February 2, 2016 14:10

com 30 não pode.

Se existe uma coisa que me faz ficar desgraçada da cabeça são as pequenas regras sociais que regem a vida adulta de forma silenciosa. Estamos ali, vivendo, pagando nossos impostos e atuando como ~cidadãos de bem~ quando TRÁ, num piscar de olhos, uma dessas “posturas adultas” são cobradas por um outro ser humano que é, certamente, igualmente infeliz e insatisfeito com tais condutas.

Vou me explicar melhor.

Depois dos 30, dizem, não tem mais cabimento gostar de boyband. Não dá pra ficar colecionando bichinho de pelúcia. Dizem também que quando atingimos a maioridade, é in-con-ce-bí-vel lamber o alumínio do iogurte, sair de mini-micro-ultra-saia ou estar solteira. Me poupem.

Dizem que temos que começar a pensar na previdência privada, no seguro de vida e que esmalte colorido e bandaid de personagem de desenho é só para quem tem menos de 15. Humpf. Ler livros com histórias de amor e continhos facinhos mela cueca também, nem pensar. Só pode andar por aí no metrô com livro do Nietzsche. Só pode ver filme do Almodóvar.

Com 30 você não pode mais depender de alguém pra matar barata ou abrir pote de palmito, aparentemente os 30 anos são uma idade cabalística, que traz para sua vida aquelas habilidades que você nunca teve – e faz com que você desenvolva gostos pelo o que nem imaginou. Uma bullshitagem sem tamanho.

Mulher de 30 tem que gostar de homem mais velho, bem sucedido. Tem que saber fazer risoto de parma com brie (que eu amo, me liga se fizer, tá?)

Não pode falar alto no meio da rua.
Não pode comer carboidrato depois das 19h.
Não pode mais abusar da fritura.
Não tem mais corpo para abusar do biquíni fio dental.

ZZZzzZZzzZZZzzzZZZzzzZZzzzZ….

Se ser uma mulher de 30 é ter a desvantagem de começar a gastar com creme anti-rugas, que pelo menos eu possa ser feliz longe dessas meras conveniencias. Sem essa obrigatoriedade de agir de jeito x, y ou z. Que ano é hoje mesmo para que tantas conjecturas sejam impostas sob uma idade que tem tudo para ser maravilhosa?

Agora é que eu tenho dinheiro para ir naquele show teen que sempre sonhei, para comer aquela comida cheia de gordura trans que minha família jamais suportou, autonomia pra namorar quantos caras, minas ou roupas eu quiser, você quem sabe. Com 30 eu posso mandar pra casa do cara*** a academia e investir naquela viagem pra Disney, não é não? A vida é muito curta.

E pode crer, começa a valer mesmo, mesmo a pena, depois dos 30, como todo mundo diz. Vai vendo.

Friday January 29, 2016 16:04

Vênus em Gêmeos, coração na Lua.

Dia desses, vi no meu mapa astral online ~ super confiável ~ que tenho Vênus em Gêmeos. Li em alguns outros tantos lugares que isso significa que sou uma pessoa que gosta de todo mundo e de ninguém ao mesmo tempo, que entra e sai fácil dos relacionamentos, que hoje gosta, amanhã desgosta, depois nem lembra. Fui taxada de superficial, de volúvel, falsa e mais uns tantos termos pejorativos que não vale ressaltar aqui porque não é o foco, mas, enfim, deu pra entender qual é a vibe.

De fato, dos não amores que tive, desamei facilmente. Há uns tempos me peguei sem reconhecer aquele casinho do passado, o rolinho da adolescência e onde-mesmo-que-eu-tava-com-a-cabeça-quando-gostei-desse-cara? Cruzes.

Talvez a tal da Vênus em Gêmeos faça mesmo sentido. Que cansaço me dá essa coisa de sofrer por amor, sempre tive um pouco de preguiça. Das pessoas realmente inesquecíveis, conto 2, 3 bons amigos ex-amores e só. E olhe lá.

Na prática, se acabou é porque teve fim. Que venham outros 2, 3, 35, 112. E que a gente se reinvente quantas vezes forem necessárias até se esquecer do que um dia era eterno.

Gente que tem a tal da Vênus em Gêmeos, tem, na verdade o coração na Lua. Longe, distante e bastante seletivo. Somos capazes de mostrar o maior dos envolvimentos sem nenhum interesse e o maior dos desprezos estando interessadíssimos. Somos seres complicados, peculiares, calculistas. E daí – PUFF – mega impulsivos de repente. Hoje não ligamos, amanha fazemos drama. Hoje morremos de dor, amanhã nem sabemos mais porque. E nessa balança maluca do amor nunca esquecemos de uma coisa: de que tudo vale a pena desde que seja intenso, inteiro, cativante. Se a outra parte meio quiser, não basta. Se fizer em parte, se tiver uma pontinha de receio…Não dá. E daí os ciclos se repetem, e nós é quem ganhamos a fama de bad boys/girls, veja bem.

Que culpa tenho eu se existe tanto medo em ser o que quiser na hora que dá na telha?

Sou Vênus em Gêmeos sim, com muito orgulho. E a sua opinião sobre isso? Pra puta que pariu.

Thursday January 21, 2016 11:46

mini humanos indesejados.

A má notícia é que, existem sim, bebês feios. Crianças chatas demais. Pais e mães exageradamente inconvenientes. Forçações de barra para que amemos filhos mal educados, pequenos capetas, miniaturas indesejáveis de adultos que podem ser igualmente intragáveis.

Já cuidei de muitas crianças, sou tia de acampamento de carteirinha assinada. Alucinada por pequenas pessoinhas que,  inúmeras vezes, desejei devolver pra Deus. E como.

Criança precisa ser educada, ensinada, precisa de limites, de banho, de comida de verdade. Não, não pode subir na mesa. Não pode lamber prato em restaurante, não pode assoprar o suco e ficar fazendo bolha de baba no copo. Não pode empurrar os outros, pisar no pé, chutar canela. Tem que estudar, acordar cedo, usar desodorante, falar onde dói. Reclamar que tem sono e que não quer ir pro bar com os pais, que não quer se adultizar no auge dos seus 5 anos. Tem que brincar na rua, de bola, peão, teatro de fantoche e sombra. Cortar papel, pisar na grama, gostar mais de papelão que de Facebook.

Deveriam instituir um teste psicotécnico para ser pai. E mãe. E só os seres humanos autorizados, e periodicamente avaliados, gerariam bebês nesse mundo. Talvez ninguém passasse nessa prova. Porque dá dó de ver tantos mini humanos fazendo da humanidade um lugar menos aprazível – já temos dores demais para lidar durante o parto, durante os 9 meses, durante toda uma vida que segue.

Cachorro não é brinquedo, filho também não. E podemos não saber de todas as coisas ou cumprir todas as regras, mas devemos ter a consciência de que é difícil pra caralho educar uma criança. Cansativo, duvidoso, longo, contínuo. E que não dá pra colocarmos a culpa na personalidade, no acaso, na genética ou fingir que não vê aquilo que se forma na sua frente.

Faça dos seus filhos sua prioridade. Ou eles não saberão reconhecer quando encontrarem uma por aí.

******

Te dedico, Carla Maia.

Monday January 18, 2016 11:36

murro em ponta de faca.

Qual é o seu limite?

Quantas noites você precisa ficar acordado, com gastrite, queda de cabelo e alergia pra entender que é  hora de parar? De desacelerar, de mudar o rumo para o qual as coisas estão indo? Qual é a linha tênue entre a desistência e o valor de si próprio? Quanto de caos é necessário para que você abra mão, deixe pra lá, abstraia?

Meus limites foram mudando gradativamente e muito tem a ver com a minha satisfação. Aliás, a satisfação é algo que move grande parte da minha vida – eu simplesmente não consigo, e também acho que não devo, me obrigar a coisas que não me fazem feliz. Porém, conforme vamos ficando adultos e percebemos a gravidade que é sermos donos do nosso destino (e das contas que não cansam de chegar pra pagar) mais toleramos as pequenas infelicidades cotidianas: o transporte lotado, a falta de educação daquele cliente, o cansaço que nunca cura. Acho que nos perdemos um pouco entre as obrigações, deixando completamente elástica nossa tolerância. Nos tornamos resilientes, fortes, polidos, mas infinitamente mais amargos. Vamos engolindo as críticas, as opiniões, vamos engolindo um pouquinho de nós mesmos, todos os dias. E nunca pára.

É preciso saber a diferença, a sutil diferença entre desistir e se valorizar. Entre a preguiça de continuar, de seguir em frente e aquele momento em que não há mais para onde nadar, não há mais o que ser feito para consertar essa ou aquela situação. Essa dica vale pra vida pessoal, para a briga de família, para o relacionamento abusivo ou para o mundo corporativo. Esteja atento aos seus sinais, pare de tantas cobranças.

Nem sempre o melhor caminho é seguindo em frente.

Friday January 15, 2016 15:28

apenas diga não.

Aprendi, a duras penas, uma lição muito valiosa nessa vida: sempre que tiver vontade (e quando não comprometer fortemente algum critério da vida adulta), diga não.

Sempre fui uma pessoa dessas abertas para o mundo, para os sentimentos alheios, para todas as experiências possíveis. Colhi, desse meu comportamento impulsivo e pouco reflexivo, muitas histórias incríveis e pessoas importantíssimas, mas no saldo geral da equação da vida…Perdi muito tempo.

Perdi tempo indo a eventos dos quais não gostava, insistindo em encontros com pessoas que não me despertavam nada além do tédio. Tinha essa síndrome de não querer perder nada, talvez uma possível faísca, uma oportunidade. Achava que ter tempo apenas para mim mesma era mal utilizar meu próprio tempo.

Me forcei a sair pra conhecer gente quando queria mesmo era comer pipoca e assistir Netflix e tentei umas 65 modalidades de esportes diferentes “para tentar me encontrar”. É claro que ao longo da jornada até esbarrei aqui e ali em uma nova e deliciosa história, em situações muito curiosas e divertidas, mas em outras tantas… Não. E em todas as vezes das quais gastei minhas horas de sono, meu vinho preferido ou aquela roupa especial, fiquei pensando: será mesmo que é se doando o tempo todo que achamos o que é preciso? E a resposta, que hoje tenho na ponta da língua é: não. Doando é que a gente se desgasta com medo de perder o que nem sabemos o que.

Não, obrigada, quero descansar hoje”.

“Não, não posso, tenho um compromisso importantíssimo comigo mesma.”

“Não vai dar não, valeu, mas entrei num detox de comer tanta porcaria.”

E por aí vai.

Não ceda para ganhar, aprenda a negar para identificar, com muita facilidade, aquilo que importa. Seja fazer a unha do pé, ou arrumar a gaveta do armário. Seja economizar hoje, para viajar amanhã. Seja para se poupar para algo que REALMENTE toque no peito, dê satisfação, prazer, que faça rir. Devemos estar abertos às situações boas da vida, aos amigos, às viagens inesperadas, às coisas que nos são positivas, mas estar o tempo todo aberto a tudo não é positivo. Desorienta. Cansa.

A vida e muito curta para darmos atenção pra gente que não vai acrescentar nada ou pior ainda: que pode até esvaziar.

Apenas diga não. Respire aliviada e pare de se forçar a coisas das quais não valem a pena. Entenda o que é importante. Só assim é possível encontrar a felicidade nas pequenas coisas – e a aproveitá-las quando acontece.

Pode começar já.

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Ericka, prazer!

Por que Hipervitaminose?

Cansado do papo furado e irreal sobre relacionamentos? De ficar sonhando com o príncipe (ou a princesa) encantado, lamentando sua solteirice pelos quatro cantos do planeta? Cansado de não entender o que faz de errado? Cansado de achar que é o ÚNICO no mundo a ter todos esses problemas? Bem vindo ao Hipervitaminose! Um espaço com crônicas sobre a vida, depoimentos, histórias e análises sinceras - minhas e alheias - de quem já está cansado (e diabético) de tanto blá-blá-blá relacionamental sem eficiência. Fique à vontade!

Participe!!

Pode indicar, viu?