Saturday March 11, 2017 12:31

sonhos, expectativas e realidade.

Eu acho que sonhar é algo inerente à vida humana, mas sou cética. Não acho que quem acredita sempre alcança, como fala a música do Legião Urbana, acho que precisamos estar sempre conectados com a realidade para conseguir traçar planos objetivos que nos façam atingir nossos sonhos, porque, em caso contrário, a fantasia nos consome. Acabamos por não viver o hoje porque estamos sempre presos no amanhã e nos conceitos que criamos sobre como gostaríamos que fosse nossa vida, nos afastando, obviamente, da vida real em si.

Conheço uma mulher que almeja coisas que não possui na esperança de ter outras que a supram. Ela não consegue enxergar, na realidade dela as coisas reais de fato e se aprisionou na ideia de que é uma dona de casa infeliz, sem diversão, escrava de um casamento que não correspondeu aos seus sonhos da juventude. Essa mulher ainda se vê com 25 anos, buscando todos esses sonhos e ainda não conseguiu perceber que o tempo passou,que  ela fez algumas escolhas erradas aqui e ali e que a vida não é mole assim, como a gente pensa. Pra ninguém.

Não é que ela seja vítima do mundo, infeliz e mal sucedida, com ela a coisa fluiu como fluiu pra todo mundo, mas ela estava tão preocupada em ser quem não era e parecer mil coisas para os outros que esqueceu-se de que, para concretizar as coisas, é preciso escolher um caminho e persistir ele e não esperar que tudo se resolva como na novela das 21h00. Hoje essa mulher não se posiciona e não enxerga suas próprias conquistas, amadureceu fisicamente, mas não emocionalmente. Tem crises de ciúme adolescente, surtos emocionais de carência e toma atitudes estúpidas, que afastam as pessoas, numa busca desenfreada de atenção. Ela não é má pessoa, apenas sofre com uma construção de vida da qual não consegue se libertar e nem enxergar a realidade como ela é.

Infelizmente, e eu sei que demoramos a aceitar esse fato,  não podemos ter tudo sempre. Sonhos que não são práticos beiram à loucura e não nos direcionam a lugar algum. A gente precisa construir nossas aspirações a partir do solo que a gente tem e não querer voltar no tempo, ou desejar a vida do outro, ou uma realidade completamente distante da nossa. Eu acho que nunca é tarde para mudarmos de rumo, darmos a volta e fazermos outro caminho, mas esse conceito de que a vida é unicamente uma construção nossa precisa ser quebrado.

Existe sorte sim, acaso sim, e gente que cavou oportunidades de um jeito inesperado, nem tudo é só aquilo que desejamos, buscamos desenvolver e evoluir linearmente. Filho não segura casamento, ensino superior não garante emprego, bom emprego não garante felicidade e ter dinheiro ajuda, mas não é tudo. Precisamos saber lidar com os nossos fracassos, buscar um recomeço e, acima de tudo, sermos palpáveis e gentis com os nossos sonhos.

Pior que gente não realizada é gente que segue a filosofia Xuxa de que “tudo pode ser, basta acreditar.” Tudo pode ser. Basta planejar muito, trabalhar duro e sofrer bastante. Faz parte.

Monday February 6, 2017 16:46

A vida que a gente inventa.

Existe uma coisa muito louca – e muito triste – sobre a vida adulta: a tal da frus-tra-ção. Essa palavra tão pequena, tão objetiva e tão cheia de sentido é muito, muito difícil de ser superada. A gente finge que lida bem com ela, enfia todos os sentimentos relacionados à dor e a angustia provocada bem no fundo do peito, coloca um sorriso no rosto e finge, literalmente, que nada está nos abalando ao longo dos dias. Nadinha de nada.

Quando ficamos adultos percebemos a essência de todos os problemas familiares passados, compreendemos de onde vieram as proibições, as broncas e, principalmente, as restrições da nossa infância. Sabe aquela frase que sua mãe repetia incessantemente quando queria justificar algo aparentemente injustificável? “Quando você chegar nessa fase você vai entender?” Então, chegamos. E percebemos que entender é muito mais simples que aceitar as realidades – prazeres e dessabores – de como a vida se apresenta.

A gente é um universo. Inventa um montão de coisas na nossa cabeça ao longo de toda infância e juventude e acredita, piamente, que é capaz de fazer tudo, ser tudo, chegar em qualquer lugar. E é. Só que nada é tão simples como uma festa de 15 anos, nada é tão fácil quanto era, olha só, aquela prova final de Física. Ser adulto é um eterno saber administrar decepções. Não se escravizar pelos próprios erros. Levantar, sacudir a poeira e voltar a caminhar. É tentar manter a sanidade em meio a diferentes desequilíbrios profissionais, financeiros e pessoais, lidar com pessoas, medir palavras, melhorar e evoluir filtros. A todo o momento. Adulto não tem duas férias escolares por ano. Não tem tempo de lavar a roupa, de dormir bem, de se alimentar com equilíbrio – a gente tenta, o tempo todo, mas nunca chega naquele momento em que se sente satisfeito com a vida como ela está, o que motiva e desmotiva a gente, como numa gangorra.

A gente é feliz, a gente conquista um monte de coisas, a gente evolui, a gente não pára de batalhar – e nem pode – mas não vive, definitivamente, aquela vida que a gente criou na mente e achou que seria natural. Não existe sucesso natural ou felicidade natural a gente constrói as coisas que quer e, digo mais: da maneira que dá.

Você pode estar super bem resolvido aos 25, ou não, você pode ter uma família totalmente estruturada aos 35, ou não, você pode ter tido filhos – ou até netos – aos 45, ou não. Não existe mais aquela lineariedade pueril. Depois da 5a série não necessariamente vem a 6a, a gente às vezes pula logo pro colegial,e tem que se virar de alguma forma, ou regride lá pra pré-escola e tal, sofrendo de coisas que achou que já tinha superado, faz parte.

É assim pra mim, pra você, é assim até práqueles seus amigos que já tem casa, comida, viagem internacional todo o ano e ainda acham que não conquistaram nada.

Tá infeliz? Levanta e anda. Opte por viver pelo menos uma parte do que você inventou. Se não, você fica preso sempre na fantasia e, convenhamos, a realidade um dia te cobra. E dói pra caramba.

Wednesday February 1, 2017 11:29

Vontades secretas que vem do nada.

Vem cá, conta pra mim o que mora aí na sua cabecinha.

Eu sei que você às vezes tem vontade de não ter tido esse neném lindo que está aí do seu lado, mas vamos por partes: tenho certeza que você nem queria ter se envolvido amorosamente e profundamente com ninguém, para começo de conversa. Sei que às vezes ser casada é uma merda. Você é nova, você é gata, tem tanta gente nesse mundão e tanta vida lá fora pra viver, que porra essa coisa de ter que ficar resolvendo qual cor vai escolher pros azulejos do banheiro, né? Que merda deixar de comprar aquele vestido bafo porque precisa parcelar o IPVA. Eu te entendo, miga, você precisa de férias. Se pelo menos seu marido fosse rico, ou você rica de berço, se pelo menos você não precisasse aguentar seu chefe de merda, nesse trabalho de merda ou enfrentar todos os dias um transporte público de merda pra chegar no escritório – onde tudo também anda uma merda e coisa e tal, mas não. Bosta vem em combo. Nada está bom. Aquela secretária estúpida mandou todos os papéis errado e as cobranças parecem que vem em tiroteiro, de tudo quanto é lado: é a família que quer um novo bebê, é o chefe querendo mais resultados, é você mesma precisando ficar mais magra, proficiente no inglês, cheia de flexibilidade na yoga ou a puta que o pariu.

A gente tem vontade de comer um bolo inteiro, dois bolos inteiros, sozinha, vendo Netflix, nos próximos 3 meses. Não quer ter essa obrigatoriedade maldita social de sempre confraternizar com a família, ir em chá de bebê, participar de batizado, mutirão da solidariedade, festinha da academia. Eu sei que você também pensa assim. Tem dias que tem vontade vontade de sumir de si mesma, de dar uma pausa na rotina, de raspar a perna, cair na vida e criar uma personagem selvagem que vive cada dia como se fosse o único – e que se danem as crianças na escola, a roupa pra passar, a janta por fazer, o chão da cozinha literalmente cagado de cocô de cachorro, por inteiro, pra você limpar. Que se foda essa vida comum toda.

Eu sei que sua vontade secreta é de não ser você mesma, muitas vezes. De não ter feito essas escolhas que fez, de não estar nesse mundo que achou que seria ótimo, mas querida, aqui está a verdade sobre todas as vidas: num tá fácil pra ninguém não. E pra cada “rebosteio” temos também os sorrisos, os vinhos tintos, os finais de semana de sol, os passeios no parque, a comida caseira, fresquinha, nossa, tem coisa mais gostosa que um arroz recém feitinho? Num tem não.

E as primeiras palavras do seu filho, opiniões, conquistas, o cheiro de cama limpa, o reconhecimento mínimo por algo que você se esforçou por meses, o abraço sincero de quem a gente ama, aquela “brusinha” da promoção… A gente tem muitas coisas boas pra comemorar, mas a gente se foca nas que irritam, nas mini insatisfações, acontece.

E que esse texto te sirva de alívio para relembrar que se a gente tem um emprego normal, uma família normal e uma vida minimamente normal, vai se encher dela. E tudo bem, eu guardo o seu segredo comigo, fica tranquila. Também tenho essas vontades secretas que vem do nada…

Thursday January 26, 2017 14:08

De todo o tempo que eu não escrevi mais por aqui.

Engraçado como a falta de tempo é mortal para as palavras. A gente está sempre correndo tanto, trabalhando tanto, planejando tanto que não consegue, simplesmente, concretizar as coisas simples que um dia começou para dar alívio às complexas.

Eu nunca tive problema com inspiração, sempre coloquei por aqui – e por ali também – os muitos sentimentos que habitavam o meu peito sem censura ou culpa, o que, às vezes, afetava um ou outro mais atento aos meus sinais fora da vida virtual. Escrever é um ato de coragem, alguns dizem, principalmente sobre coisas que a gente sente e sobre pessoas, mas também é um desafio diário. Quem lê as coisas ruins, que de vez em quando pintam por aqui, não comenta para não se comprometer e ninguém gosta de assumir tanto assim suas dores e dessabores em público. Mas o escritor, até o de fundo de quintal, quer que as pessoas se sintam parte daquilo que está nas letras, que comentem, que interajam, que se engajem nas histórias e que sirvam de inspiração para muitas outras – que ainda estão por vir.

Comecei a desanimar do Hipervitaminose quando senti que não era mais ouvida, que esse espaço virou um diário pessoal de desabafos sem sentido pra mais ninguém – uma exposição desnecessária em tempos em que todo mundo gosta de se expor.

Um dos meus planos para 2017 era simplesmente matar aos pouquinhos o Hiper – que já estava mesmo nos seus últimos suspiros, numa tentativa de silenciar algumas coisas que a idade adulta já não permite mais que falemos assim, tão sem freio como antes. Mas como parte de um processo terapêutico mesmo, optei por continuar a postar por aqui ou a tentar retomar com frequência e empolgação, os textos que antes me faziam tão bem, que tinham tanto sentido e faziam efeito real na minha vida.

Pois bem, vamos (re)começar. Assim como uma alimentação saudável e uma vida mais ativa fisicamente em 2017, também prometo que a minha sanidade menta será mantida nos textos que saem do coração pro corpo do espaço em branco do WordPress.

E conto com vocês pra isso.

Thursday July 28, 2016 11:47

Amores bons e correspondidos dão medo.

Pra caramba.

Muito mais medo que amores complicados, truncados, cheios de traição e desconfiança, os amores tranquilos são assim, uma coisa assustadora. Tenho alguns amigos, muitos na verdade, que não sabem o que fazer quando algum romance dá certo. Tem medo das declarações, das demonstrações de carinho. De serem apresentados para os pais.

Não sabem lidar com o sentimento que se instaurou e, em alguns casos, fogem dele. Tem pessoas que simplesmente não sabem ser bem tratadas, cortejadas, elogiadas. Que correm ao primeiro sinal de afeição. Que ficam criando conjecturas mentais sobre quando isso, afinal, que está bom demais para ser verdade, vai afundar. Quando é que vai começar a dar ruim? Quando ele/ela vai aparecer com outra e tal? Ninguém é plenamente feliz no amor, o tempo todo. Isso não existe.

Os desiludidos ou os que nunca deram chance para as intempéries da vida, sempre terão certos problemas para amar.

Tem gente que nunca esteve bem no amor mesmo, acha esquisitíssimo quando está. E talvez, pelo pavor do compromisso, dos laços duradouros, nunca esteja, não sei. Amar é para os fortes. Afinal, algo que nunca se torna alguma coisa não dói quando vai embora. Não dói se um dia não está mais lá. Nunca foi mesmo, afinal. Então tudo bem.

O afastamento é o mecanismo de defesa dos amedrontados. O não assumir, o lance de ser aberto. Assim também ninguém fica magoado se vacilar, ninguém vai ser cobrado por nada, né? É. Só que não é. Envolver-se dói. No trabalho, na família, nos negócios e na vida a dois. Ainda se for só dois beijinhos e tchau, fica alguma coisa, vai alguma coisa, muda alguma coisa em menor ou maior grau, mas sempre, sempre muda. Só não se afeta quem já morreu, daí não dá mesmo pra tentar ser feliz embaixo da terra.
Nem sempre a vida é boa com a gente, é sabido. Mas enquanto ela der essa chance, se abra para o que vier. Se a felicidade passar, que seja marcante enquanto ficar. Com medo mesmo.

Monday May 2, 2016 12:12

Relacionamentos bons também tem brigas.

Odeio brigar com as pessoas. Por qualquer motivo que seja.

Odeio criar caso, discordar e odeio tanto, mas tanto isso, que evito emitir opiniões polêmicas mesmo quando elas dizem respeito a mim mesma – sobre o que eu sinto, sobre como eu sou ou sobre como determinada situação me faz sentir. Eu sei, é um erro. Precisamos sempre ser honestos acima de qualquer coisa e nunca – NUNQUINHA – passar por cima dos nossos próprios sentimentos. A vida, os amigos e grande parte dos e-mails que eu recebo aqui no Consultório Sentimental me ensinaram isso. Mas, ao mesmo tempo, sofro de uma submissão quase que inconsciente da qual preciso estar constantemente alerta para combater. Por mais que o outro seja importante, nada nesse mundinho é mais importante que eu mesma. E eu vou explicar porque vocês também deveriam pensar assim.

Eu sou uma pessoa que está sempre disposta. Mesmo. E se não estou, finjo bem estar. Ainda que eu reclame, ainda que eu faça cara feia, ainda que eu esteja doente, cansada, contrariada eu sempre – E DIGO SEMPRE MESMO – tento fazer a outra pessoa que está comigo feliz. Levo a sério o lance da alegria e da tristeza, da saúde e da doença, do mi casa, su casa. Mi divida, su divida, mi rolê, su rolê, e, assim, sempre segui nos muitos relacionamentos que tive nessa vida. Faz parte de mim, não consigo ser de outro jeito.

Não existe nada mais desagradável do que estar com uma pessoa que não topa absolutamente nada, que é antipática, anti social, corta vibes e coisa e tal, mas eu notei que 97% das pessoas que habitam a face da Terra são assim – e que o egoísmo é tão importante para o sucesso de um bom relacionamento quanto o altruísmo. Pois é, chocante, não?

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro, a canção estava certa. E ninguém consegue. Sabe, eu trabalho 7 dias por semana, quase que 12 horas por dia. Eu sou bem workaholic, tenho um senso de urgência, de solução, de responsabilidade que me dá prazer e me consome na mesma medida. Minha relação com o trabalho é altamente controversa, mas isso é assunto para outro post, enfim, vamos nos focar aqui.

Eu gosto de viver, gosto de gente, mas, às vezes, tudo o que eu queria era não ter que lidar com pessoas no final de semana, eu só queria ficar em casa, curtindo um edredon, vendo Netflix e comendo pizza. Não queria ir no job, na reunião com os ~ broders ~, não queria curtir balada, barzinho, nada disso. Eu só queria ter a obrigação de fazer as coisas por mim, única e exclusivamente por mim. E isso, ao mesmo tempo que parece óbvio, é inviável para uma pessoa que é altamente sociável e gosta de agradar aos outros como eu. Portanto, vejam bem essa contradição que habita em mim e esse problema: quem faz tudo por todo mundo sempre é cobrado por isso.

Eu PRECISO estar em Santos, com os amigos do trabalho, com a minha família, com a família do meu namorado, no rolê da academia e em qualquer outro evento social que surja pelo caminho. Sempre. E em todo o tempo livre que eu tiver. E em todos os finais de semana. Porque fui eu quem instaurei esse limite sem limite para as pessoas, eu mesma coloquei na cabeça que não tinha o direito de ficar ~ de boas ~ e sofro horrores com isso.

Ando cansadíssima, meio doente, e eu já disse que esse ano seria o meu ano, do qual eu faria coisas por mim – pela minha saúde, pela minha felicidade, mas na prática, até as coisas que arranjei para o meu próprio prazer e satisfação viraram obrigação. Sabe, é muito difícil agradar esse mundo de gente que eu tento agradar e ainda agradar a mim mesma – pra não dizer que é impossível.

Então, amiguinhos, por que estou escrevendo tudo isso? Porque apesar desse cenário psicológico descrito acima, eu tenho um namoro muito incrível. E pessoas muito maravilhosas e compreensíveis ao meu redor que, por mais louca que eu seja, sempre estarão lá por mim, tentando entender o que eu sinto. Em bons relacionamentos – de todo o tipo – também existem brigas. E faz parte. Se você, assim como eu, se culpa por todo o mal do mundo e acha que tudo está perdido porque deu uma gritadinha com o namorado, fica calma aí. As pessoas que estiverem dispostas vão entender seus surtos. Podem não gostar, podem discordar, podem não entender porque diabos você se sente assim, tão reprimida com um cenário que você mesmo se enfiou, mas enfim… Vão entender.

E tudo vai ficar bem no final das contas, tá? Eu prometo.

Wednesday March 30, 2016 14:23

Amor e Orgulho*

O orgulho e o amor próprio são coisas diferentes. E igualmente destrutivas quando ou ausentes ou em excesso em qualquer relacionamento.
Ama a si mesmo aquele que mesmo gostando verdadeiramente do outro, opta por não continuar um relacionamento nocivo. Aliás, ama tanto, que prefere guardar apenas a parte boa do que foi vivido, sem ocasionar ainda mais mágoas que àquelas que o coração foi capaz de absorver.

Tem paixão por si aquele que abre mão de ser violentado moralmente, intelectualmente ou, até mesmo, fisicamente. Tem autoestima aquele que não se deixa levar pelas revistas, pelos padrões e que possui personalidade forte o suficiente para separar crítica de ofensa, bom de ruim, e mais que isso: tem força para recomeçar. Isso não é, de longe, ser orgulhoso; é ser sensato. Orgulho é não admitir erros, não aceitar elogios. É ter aquela necessidade de estar sempre sob o controle de tudo, de não ceder aos pequenos e breves prazeres da vida por se julgar superior a isso. É não ligar, não explicar, não pedir, não sentir.

É orgulhoso aquele que não dá o primeiro passo, que não pede desculpas, não sabe o significado de uma nova chance. E o orgulhoso não se afeta com situações grandes, preocupantes, é tudo bem pequenininho, bem simples, coisa de birra mesmo.

O orgulhoso prefere ter razão que ser feliz.

Briga e dorme sem querer reatar, mesmo sabendo que aquilo dentro do peito vai corroer, vai minar o que há de bom. E, às vezes, até se dá conta disso, mas não sabe como se livrar. O orgulho é feio. É o disfarce da alma cansada, que já apanhou demais por aí e que agora não quer mais saber: vai se proteger de todas as formas para não correr o risco de ser feliz.
Viver dói, pessoal.
E é melhor que seja sem arrependimentos por nossas próprias atitudes.
*texto originalmente publicado no Blog Lumagga

…e outras porcarias também.

Aliás, me conta aí, porque você tem vergonha de admitir que ADORA Zeca Pagodinho? Qual o problema de ir a um show do MC Guimé? Porque todo mundo tem que ser cult, inovador, hipster, lançador de tendências e gostar de coisa triste? Porque só rock internacional é bacana e música da favela é um lixo? Porque falar de bunda na música da Rihanna é legal, mas na música do Catra num pode? Façam-me o favor.

Que porra é essa de só comer o que ninguém come, vestir o que ninguém veste e ser ~diferentão~? Acima do bem e do mal pra quem é comunzão?

Que mania cretina de querer ser mais do que é, gente. Chega disso. Ninguém precisa usar Adidas Originals não, tá? Ninguém precisa gastar 3 salários numa mochila da Vans. Assim como não precisa ser magra, lisa, alta, gorda ou baixa. Ninguém taí colocando uma arma na sua cabeça e determinando o que é melhor ou pior na gastronomia, na música ou na moda (ou até está, mas de um jeito mais manipulador e invisível, e esse é assunto para outro post).

De qualquer maneira, tenha em mente que nada é tão seu quanto as coisas que você acredita, compra, veste, que aquilo que você é. Então faça o que quiser, goste do que quiser, vá onde você se sente à vontade.

Caguei pro glamour, pra sua opinião, pras regras da boa músicaZZZzzZzZzZzZZzZ…

E pode reparar: cada amante de música “ruim” que se assume leva pelo menos dois roqueiros outros consigo. Ou aprende que a tolerância e a flexibilidade quando falamos daquilo que é bom pra alguém (ou para nós mesmos) é a melhor coisa que existe no mundo.

Friday February 26, 2016 10:23

desconhecidos.

Existe um fenômeno que acomete a minha vida diariamente e eu gostaria muito de saber se ele também acontece na vida de vocês. É o seguinte: eu tenho vontade de elogiar desconhecidos. O tempo inteiro. Geralmente enquanto estou no transporte público. A sandália, o cabelo, aquele brinco INCRÍVEL, o relógio que eu não consigo parar de olhar. Ocasionalmente, inclusive, eu acabo falando com algumas pessoas, perguntando qual o creme que dá esse volume todo no ~picumã~, o nome do esmalte, ou que perfume é esse cara? Essas coisas.

No geral, as pessoas são bem receptivas, sorriem e eu acabo fazendo algumas “amigas de  busão” aqui e ali (depois vou falar sobre isso em outro post), mas é IMPRESSIONANTE como outra parcela, principalmente a feminina que eu costumo abordar bem mais por motivos óbvios, não sabe lidar com um elogio. Fica desconcertada. Diz que a peça foi baratinha, está velha e que o perfume é Avon. Às vezes trava, faz um aceno com a cabeça, olha pro chão e nem sabe o que dizer.

As pessoas não suportam escutar o quanto são bonitas. O quanto estão arrumadas. O quanto é linda a beleza natural pela manhã, despretensiosa, com cara de sono, meio amassada. Não conseguem lidar com o próprio bom gosto, com as próprias escolhas e o modo que isso impacta na vida de outras pessoas. Às vezes, nem pensam nisso. Quem, afinal, não tem problemas com a auto imagem vez ou outra, não é mesmo? Tenho pensado bastante sobre aceitação. E acho que elogiar os desconhecidos por aí pode mudar, de verdade, o dia ruim de alguém.

Somos críticos e duros em relação a diferentes coisas da vida. Somos até maus, às vezes. Nossos julgamentos são ferozes e instantâneos, então resolvi, no final das contas, deixar que essa good vibe dos elogios descontrolados tomasse conta da minha vida. Quando a gente vê o lado bom dos outros, passa a ver também o lado bom na gente, o lado bom da vida. E a minha, a sua vida e a vida de quem nos cerca, fica muito, muito, mais leve. Mesmo.

Acho que vale a tentativa.

Daí que eu comecei a fazer um Instagram com meus looks do dia. Primeiro, porque sempre comentavam que o modo como eu me vestia refletia muito a minha personalidade – e que talvez eu devesse explorar isso de alguma forma – e segundo, porque descobri que olhar a si mesmo nas imagens é um super exercício diário de auto aceitação (e de ajuste daquilo que fica REALMENTE bom em você, em termos de moda mesmo).

Eu, que nunca tive vergonha na cara ou preocupação com a minha imagem online, que postava foto bêbada, suada ou de biquini comendo pastel de feira, me vi ali analisando se estava gorda ou magra, se meu cabelo tinha ou não frizz e extremamente incomodada com a minha cara de sono, sem maquiagem, quando resolvia fotografar de manhã. Não é à toa que as pessoas vivem dizendo que o universo das redes sociais é um mundo à parte, de fantasias e superficialidades, mas sentir isso na pele faz você ir para uma outra esfera: a pessoal. Aquela na qual você, sem recursos ou super efeitos, se vê obrigada a se gostar como é.

Depois de uma semana registrando aqui e ali meu look pelas ruas, pude entender porque as pessoas realmente VIVEM disso: dá um trabalhão. E ninguém que pega ônibus, tem hora pra chegar e mil coisas pra fazer durante o dia, na firma, consegue  estar o tempo todo arrumadinha, sem pizza no sovaco ou gordura no rosto em meio a um calorão de 125 graus célsius. Ninguém.

Eu, que sempre gostei da minhas roupas,  cores e estilos, me vi censurando uma ou outra peça pra ficar melhor na foto. Deixei de lado o sapato surradinho para dar lugar a um mais desconfortável (porque era bonito) e passei a notar as poses, olhares e toda a espontaneidade das fotos que eu tanto curtia – e que de espontâneas não tinham nada. Sorrisos forjados, maquiagens detalhadas, cenários pré moldados… Que vida real é essa que se vende tão naturalmente e que eu, você e o mundo inteiro sabemos que não é assim que funciona? Porque somos tão narcisistas e, ao mesmo tempo, envergonhados? De que importa, afinal, a opinião do outro sobre o que vestimos, somos, mostramos?

E decidi que meus looks do dia continuarão naturais. No meio da rua, em frente ao supermercado, no hall do prédio. Não vou pensar nas roupas que repeti ou no quão velha está aquela bolsa. Seguirei tranquila. Porque eu sou aquelas roupas, elas me identificam, me representam, são a extensão de outras mil coisas que eu quero comunicar – e isso é realmente grande.

O grande barato é tentar tirar dessa experiência que é fingir ser famosa o melhor pra mim.
Nada melhor que olhar para si para ir adiante. Vale tentar.

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Ericka, prazer!

Por que Hipervitaminose?

Cansado do papo furado e irreal sobre relacionamentos? De ficar sonhando com o príncipe (ou a princesa) encantado, lamentando sua solteirice pelos quatro cantos do planeta? Cansado de não entender o que faz de errado? Cansado de achar que é o ÚNICO no mundo a ter todos esses problemas? Bem vindo ao Hipervitaminose! Um espaço com crônicas sobre a vida, depoimentos, histórias e análises sinceras - minhas e alheias - de quem já está cansado (e diabético) de tanto blá-blá-blá relacionamental sem eficiência. Fique à vontade!

Participe!!

Pode indicar, viu?