Wednesday April 16, 2014 10:19

o voodoo nosso de cada dia.

Algumas coisas são bastante difíceis de encarar, eu sei. Sei também que quando estamos no olho do furacão enxergamos tudo pelo nosso ponto de vista – seja da dor, seja do amor, seja do ódio – e que distorcemos todas as coisas para tentar contornar emocionalmente seja qual problema for. Mas tem uma coisa, uma única coisinha nessa vida, que eu não consigo admitir: que as pessoas façam barraco. É a prova maior da ausência de auto-estima.

E não estou falando aqui daquele barraco que, vez ou outra, acomete a vida de uma mulher injustiçada, não estou falando de mi mi mi entre quatro paredes, crise de choro ou uma lavagenzinha de roupa suja. Estou falando do barraco estilo “Casos de Família”, onde é tudo puta e viado, onde se perde o nível, a noção e as estribeiras passam longe. Onde se faz ameaça de morte, voodoo, escândalo no shopping, indiretinha no Facebook com mentira atrás de mentira marcando os envolvidos, expondo a família, os amigos, os filhos, a comunidade cristã, budista, os monges do Tibete, o SAMU, chamando todo mundo praquela maravilhosa torta de climão que está a sua vida. Apenas parem com isso. É feio, sabe? É deprimente. E mais que isso: não conserta nada. Não traz seu amor de volta em 7 dias, não te faz sentir menos corna, nem deixa ninguém mais ou menos culpada por absolutamente nada, garanto. E digo mais: é cansativo, faz mal. E não afeta a felicidade de quem está verdadeiramente feliz. Chega de voodoozar a vida alheia, ordinária, vai dizer que não sabia que as coisas iam terminar mal? Sabia sim. E se não fez nada enquanto podia (ou fez de tudo o que podia pra contornar e num deu), pode parar de causar agora, faiz favô.

Dignidade já.

Chega de ficar alimentando sentimentos ruins e sendo incentivado a tomar providências por coisas já findadas e sem solução. Geralmente sofremos não por aquilo que podemos resolver, mas pelo o que sabemos que já não há mais como reverter. Fez uma cagada? Assuma a culpa e fique quieta. Foi desrespeitada? Leve como lição para não permitir que as coisas cheguem às vias de fato. E é isso. A vida ensina, a vida segue. E não, bixo, não se resolve tudo no grito, na peixiera, no babado e confusão. Você sabe.

Os seres humanos, infelizmente, cometem erros. Um dia da caça, outro do caçador. O mundo dá voltas, a vingança é um prato que se come cru, praga de urubu não pega e beija-flor, eu não sou tuas nêgas, e todas essas frases de efeito existem por um único motivo: aqui se faz, aqui se paga (olha aí, usei mais uma). Calma lá, queridinha. Se você quer tanto destruir o mundo de alguém porque o seu foi devastado está sendo exatamente igual a quem te fez mal. Ah, sim! E isso também vai ter volta, viu? A regra é clara, Arnaldo.

Nada melhor do que desapegar-se para viver. Afinal, todo mundo nessa vida vai carregar uma cruz.

Vamos parar de chutar a alheia?

Já estive dos dois lados e garanto: tudo se transforma. E geralmente, no melhor para todos s envolvidos. Pode crer.

Monday April 14, 2014 14:20

despretensão.

Um ex namorado me disse uma vez que as mulheres mais cativantes que ele já conheceu eram aquelas que não tinham pretensão de nada. De início, não entendi e fiquei passadíssima. Ser mulher e não ter pretensão de nada, na minha humilde opinião, é quase como não ser mulher. Estamos habituadas – e condicionadas – a ser tudo, ao mesmo tempo e, de preferência, já.

Mas daí  ele continuou. Disse que as mulheres mais interessantes não esperavam ter muitos amigos ou ser super aceitas, que não imaginavam estar sempre cercada de grandes paixões e que nunca, nunca acreditavam estar sendo interessantes – ou atraentes para alguém. Pensando melhor sobre isso hoje de manhã, acho que pessoas assim – homens ou mulheres – são leves, simples e, talvez por isso, memoráveis. Não se preocupam com a quantidade de palavrões proferidos – ou a falta deles – não ligam de gostar de samba ou de rock e não estão nem aí se estão bem ou mal vestidas, se irão causar uma impressão positiva ou negativa. Apenas estão lá, vivendo, sendo qualquer coisa que quiserem ser, sem a intenção de impressionar. E, assim, de-fe-can-do pra opinião alheia, são altamente atraentes por seu modo de encarar a vida.

Essas mulheres, disse esse meu ex, são raras. E estão a cada dia mais escassas. Têm um brilho no cabelo descabelado, uma graça na unha meio mal feita e, sei lá, um ziriguidum que não se trabalha; se nasce, se é. Imagino essa gente sensacional com o cabelo ressecado saindo da água do mar, sabe? Usando pijama de bichinho, pantufa pra ir na padaria, zero sensual na hora da foto? Então.  No meu clichê mental, as mulheres maravilhosas até são vaidosas, mas nunca, jamais, neuróticas. E como isso é difícil no mundo de hoje, não é? Somos praticamente movidas pela neurose de estar na moda, de estar mais magra, de estar sempre lindas. Talvez, todas nós nasçamos sensacionais e nem nos damos conta disso.

Ser uma mulher interessante virou sinônimo de ser um pouco paranoica – seja quanto à celulite, o cabelo, à maquiagem ou qualquer outra coisa que nos desassossegue. E ainda estou tentando entender por que (ou por quem) nos esforçamos tanto por estar impecáveis. Se não for única e exclusivamente por nós mesmas, não vale a pena.

Querida leitora, essa é minha dica: relaxa na bolacha. Se os seres humanos memoráveis são esses desencanadões aí, sejamos mais livres. Let it be para conseguir conquistar o mundo.

Quem sabe assim a gente recupera a tal da espontaneidade que cativa? E resgata alguma coisa que perdeu nesse processo de busca por si mesmo?

Seríamos bem mais felizes. Não tenho dúvidas.

Thursday April 3, 2014 11:30

Blogagem Coletiva: Os 10 discos da minha vida

OLAAAARRRR, malemolente leitor! Como anda essa força?

Como já deu pra sentir pelo tom desse post chegamos em ABRIL! U-Hu! E o que isso significa??? BLOGAGEM COLETIVA! \o/ YEÁ YEÁÁÁÁÁ!!!

Permaneço mantendo forte o compromisso de escrever em parceria com toda aquela gente LYNDA do Rotaroots! Se você ainda não sabe do que eu estou falando e chegou agora nesse blog, vai lendo até o final, com força fé e foco que já, já você vai entender qualé que é, certo? #VEM

O tema desse mês é: 10 discos que marcaram a minha vida. Como todos sabem, sou filha dos anos 90. Gugu Liberato moldou me caráter, Netinho de Paula cantava pra eu dormir. A Dança da Garrafa era o ponto alto das festinhas de aniversário e sim, caros amigos, A GARRAFA ERA APENAS UMA GARRAFA. E só. Sem duplos sentidos, sem sacanagem, só eu, as crianças remelentas, as mamães mais empolgadas e as ordinárias requebravam no salão. Percebam, então, que minha vida foi regada a muito batuque e pouca música sacra e creio que isso fez de mim uma pessoa mais tolerante e menos cheia de mi mi mi, falando sério.

Afinal, por mais que digam por aí que a objetificação da mulher foi reforçada com os inúmeros axés e pagodes destinados à traição e à sacanagem em meados de 91, com 8 anos de idade sacanagem mesmo era pedir gole de Yakult e dividir paçoca Amor. Nada mais, nada menos que isso. Não fiquei traumatizada, tive a sorte de não ter absorvido nada disso como abusivo e imoral e, olha, tenho registros magníficos de festas com palhaços que se tornaram um verdadeiro Clube das Mulheres. Vou dar uma busca na minha casa santista e inserir aqui essas imagens maravilhosas pra vocês a posteriori, ok?

Da infância para a adolescência no litoral poucas coisas de qualidade da cultura pop internacional e da música popular brasileira de verdade reinaram firmes no Meu Primeiro Gradiente. Vivi uma época em que ansiedade era esperar pra ver Backstreet Boys e Spice Girls no Top 10 MTV – já nem lembro mais se era esse o nome do programa – e que apesar de tanta tranqueira audiovisual absorvida, foi da Marisa Monte o primeiro CD que eu adquiri e passei a idolatrar daquela época até hoje, uma maravilha hypster descoberta logo cedo.

No meu tempo se gravava fita K7 do rádio, com a seleção musical que mais convinha. Joven Pan era parceira fiel, reinava no meu coração, e apesar de eu tentar esconder minha cultura musical classe E com Charlie Brown Jr, Raimundos, CPM 22 e outras cositas nessa pegada foi o Exaltasamba (e ainda é) a bandinha que faz meu corpo balançar. E Raça Negra, SPC, Pixote, Belo e tudo o mais que envolver o mínimo de dêre dêre e laiá laiê que possa compreender nossa vã filosofia.

No mais, chega de conversinha fiada e histórias emocionantes. Segue minha lista dos álbuns que marcaram a minha vida – e tenho certeza que a sua também –  incluindo, obviamente os ídolos teen Sandy e Junior <3 que continuam vencendo as 4 Estações da minha vida adulta. Segue:

1 – Mais – Marisa Monte
2 – Na Cabeça e na Cintura – É o Tchan
3 – Acústico MTV Lulu Santos – Lulu Santos
4 – As Quatro Estações – Sandy e Junior
5 – Só no Forevis – Raimundos
6 – Bocas Ordinárias – Charlie Brown Jr
7 – Na balada Jovem Pan 5 – (diversos cantores de baladinha do meu tempo!)
8 – Backstreet Boys – Backstreet Boys
9 – Stripped – Christhina Aguilera
10 – Ao Vivo Na Ilha Da Magia – Exaltasamba

BONUS: Oops… I Did It Again – Britney Spears
BONUS 2: Netinho Ao Vivo – Netinho

Um beijo e obrigada por ter chegado tão longe nessa postagem!

Ericka.

 

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. Quer participar? Então faça parte do nosso grupo no Facebook e inscreva-se no Rotation.

Friday March 28, 2014 11:26

uma resposta que merecia ser publicada.

Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que, no passado, eu costumava publicar alguns e-mails de leitores que chegavam no Consultório Sentimental. É claro que eu tomava o cuidado de trocar os nomes dos envolvidos e de sempre, SEMPRE, pedir autorização para que essas confissões de amor-ódio-drama fossem expostas por aqui. Com o tempo, essa área do blog se tornou tão íntima e pessoal para os leitores que começou a ficar complicado expor tantos sentimentos, sabe? Me tornei amiga de alguns aconselhados, acompanhei causos bem e mal sucedidos (às vezes bem cabeludos) por aqui e perdi o hábito de publicizar as perguntas, as respostas, enfim, passei a utilizar as histórias apenas como inspiração os muitos textos que já foram publicados  por aqui.

Ontem resolvi responder algumas pessoas que, há muito, estava devendo satisfação e escrevi um e-mail muito bacana para a Pri, uma leitora antiga. Ela nem deve ter lido essa resposta ainda, mas achei que as palavras ficaram certeiras, achei que poderia publicar o que disse para ela por aqui também. Espero que ela não me processe, não brigue comigo e que não fique brava. E não publicarei, obviamente, o e-mail que ela me mandou incialmente.

Às vezes o que aconselhamos para alguém é exatamente aquilo que outra pessoa deveria ler. Segue:

 

Pri, UM MILHÃO DE DESCULPAS!!! Voltei à ativa, finalmente! Vou responder JÁ o seu e-mail, vamos lá…

Acho que um grande amor é assim mesmo. Gruda, prende, não vai embora da gente tão fácil. Às vezes a gente muda, a vida muda, as pessoas mudam, as circunstâncias mudam também, mas os sentimentos… Eles ficam. Tenho a teoria de que isso acontece porque guardamos sempre com a gente a nossa última referência de felicidade verdadeira. Mesmo que a gente tenha sofrido, que várias coisas ruins tenham acontecido, nos prendemos àquela memória, àquela pessoa e não conseguimos, simplesmente, pensar em alguém que seja melhor que ela. É um processo de desapego que precisa partir da gente e que tem muito a ver com os nossos círculos também, com as novas pessoas que a gente conhece, com o grau de envolvimento que temos com essas pessoas e o quanto permitimos que tudo isso ocupe espaço na nossa vida, mente e coração. Se os sentimentos fossem uma ciência exata, tudo seria muito mais simples. Era só subtrair algumas coisas nocivas e tudo, em algum momento, resultaria em zero. Deixaríamos de sentir esses engasgos ocasionais quando a gente se sente só e de nos dividir entre passado e presente. Passaríamos a multiplicar nossas chances de felicidade sempre que tudo parecesse meio fracionado, meio fora do lugar. E somaríamos, sempre. Novas experiências, novos rostos, envolvimentos. Aprenderíamos que talvez seja mais simples nos prender ao que já foi e que por isso insistimos tanto nisso. Afinal, envolver-se novamente dói. Cansa. Ainda mais pra quem já foi casado, já teve um chão e teve que reaprender a flutuar. Consigo entender o que você sente, Pri, porque eu mesma já estive aí, nessa mesmíssima situação. E tenho certeza que muita gente que lê o Hiper também. Aliás, tenho outra teoria (eu e minhas várias teorias…): quem está nessa situação de dificuldade de desapegar hoje é porque, um dia, viveu algo que valeu realmente a pena. But now, baby, time to let it go. For real.

E de parar de lamber os dedos pelos restinhos do que foi bom. Tem muito prato principal esperando pra entrar no forno.

Um beijo, espero ter ajudado! (e vou publicar essa resposta porque, ADOREI o texto que saiu dela!)

Ericka.

Friday March 14, 2014 20:11

uma questão de sorte.

Estava eu lendo um post da Marcella, quando comecei uma discussão no trabalho sobre solteirice. Comentei que a achava tão incrível, que era impensável uma mulher como ela estar solteira (veja bem, nem tenho certeza se está); que, de alguma forma, ela deveria ter problemas com os homens – ou que talvez, simplesmente, não tenha encontrado nenhum à sua altura. Pensei ainda em uma terceira e mais aceitável opção: talvez ela nem queira, no fim das contas, encontrar essa tal pessoa. E foi assim que comecei a pensar sobre isso.

O fato é que esse tópico incomodou. Não porque estejamos interessadíssimo em saber se Marcella tem ou não namorado, é que todo mundo, ou pelo menos os entusiastas dos relacionamentos, como eu, busca a fórmula certa para o amor. Para a felicidade. Para uma vida bacana com alguém e seu por quês.

É pessoal, é mesmo verdade isso aí, não está fácil. Pra ninguém eu diria. Se Grazi não tem mais Cauã em suas mãos, quem somos nós pra desejar um príncipe encantado (ou apenas um homem para chamar de nosso), não é mesmo? Não, não é mesmo. A gente pode e deve desejar àquilo que quiser. O problema é encontrar alguém que seja interessante e interessado ao mesmo tempo.

uma amiga disse uma coisa que talvez seja verdade: pode ser que tudo seja mesmo uma questão de sorte. De estar no lugar certo, com as pessoas certas, de passar a mensagem certa para o carinha certo, não sei. Gostaria muito de ter os segredos para a conquista, de explicar por A + B + C porque eu sempre estou namorando alguém e por encontrar um sem número de pessoas bacanas pelo meu caminho, mas não sei dizer. Não sei mesmo. Então, ao invés de ficar buscando justificativas comportamentais para uma determinada cadeia de acontecimentos de como encontrar alguém (exatamente o que faço nesse blog), se interessar por essa pessoa, beijar, namorar, noivar, casar, juntar, ter filhos, ou seja lá a ordem que você preferir, serei simplista. Talvez eu seja mesmo uma pessoa sortuda e nunca tenha me dado conta.

A vida nunca me deixou sem romance. Nunquinha. Não faço a menor ideia do porque. Mas sempre acho que somos muito mais responsáveis por aquilo que atraímos do que conseguimos compreender – ou explicar – com quaisquer que sejam as teorias – não me conformo apenas em ter sorte.

De qualquer maneira, se assim for, desejo aos meus amigos e leitores muita muita sorte. Para um amor tranquilo, pra saúde em dia e pra encontrar algo que possam se apaixonar além de um ser humano – pode ser uma causa, um bicho, o que for – acho isso importante pra vida de um modo geral, pra cabeça da gente.

E que essa tal sorte nos traga tudo o que se espera de bons relacionamentos. Vai ver que é, nessa hora, que começam as minhas tais teorias. E a vida fica mais difícil pra quem tem só sorte.

 

[UPDATE: No final das contas minha amiga não quis dizer nada disso e eu entendi tudo errado, mas funcionou pra fazer minha cabeça funcionar gerar um texto, né? HUAHAUHAUHAHAUHU...]

Tuesday March 11, 2014 11:33

coitadinhos.

Dentre as coisas que devemos desejar para àqueles que queremos bem, há uma que eu espero, de todo o coração, que você nunca tenha que lidar: o fardo de conviver com alguém que reclama demais.

Aquela pessoa que se sente dia sim, dia também, uma coitada. Se diz vítima de todos os males, de dor na perna,  no bolso e no coração – que é partido, sem fim, todos os dias,  desde que nasceu – e que sofre,  se revira e desvira no sabor amargo da própria dor. Que vive, e já se estabeleceu por ali, na miséria do amor, da amizade ou de uma família bacana. Que o trabalho é uma merda, que a vida pessoal é uma merda, que os finais de semana, os dias de sol ou de chuva, o celular, a comida por quilo ou os sapatos que escolheu para usar no dia de hoje, óh, tudo é uma merda. Até as férias são uma merda, veja só que coisa mais triste.

E ninguém pode se dizer mais infeliz que o tal ser humano, nunca, jamais. Os sofredores crônicos  já se colocaram no top top da escala de vida desgraçada, e ai de você se aparecer com um probleminha. Ai de você se acordar num mal dia ou levar um ocasional pé na bunda, pode engolir esse choro aí: você não sabe nada, nem nunca vai saber, do que é dor de verdade, ok? E tenho dito.

Os sofredores convictos vivem num ciclo continuo de azar. Aliás, nunca reconheceram que possa existir sorte, essa coisa fictícia que acontece com todo mundo menos com eles. Sorte é pra quem já nasceu rico, bonito e sem conta nenhuma pra pagar. Sorte é coisa que Deus distribuiu só na área VIP do céu, aquela que obviamente, uma pessoa tão infeliz como essa, passou longe.

E esse tipo de gente, infelizmente, existe aos montes. Está se multiplicando feito praga, mais que calça beetlejuice, mais que virose de  praia pós carnaval. Uma tristeza.

Veja bem, se não tivéssemos aí, uns bons problemas pra resolver, não nos motivaríamos a nada. Se a vida fosse ganha, nosso estímulo seria inexistente. Viveríamos como zumbis, apáticos. Nesse ponto, conviver com um sofredor é uma lição diária de que nada é tão ruim assim que a gente mesmo não possa piorar. A felicidade mais tem a ver com o modo que lidamos com os nossos problemas do que pela existência ou não deles. Eu, ao menos, faço parte de uma categoria que gostaria, caro leitor, que você também fizesse parte: os felizes opcionais. Aqueles que assim como eu e você não vive sempre os dias mais maravilhosos do planeta terra, mas que vai dormir acreditando que pode sim – e sempre – ser um pouquinho melhor.

Anda se lamentando que a vida não está tão bacana? Mude.

Certamente, dia desses aí, você vai esbarrar em um sofredor desses convictos, lembrar de mim e perceber que o mundo é bão, Sebastião. A gente é que só reforça o que doeu.

Saturday March 8, 2014 16:41

machismo homeopático.

As feministas que me desculpem a sinceridade – e compreendam essas palavras meio tortas – mas sinto falta do machismo. Daquele protetor, que nos tratava feito rainhas. Que abria a porta do carro e que cuidava de nós com fragilidade; porque sabia que não conseguiria sobreviver em um mundo onde as mulheres ficassem feridas por qualquer motivo. Quem iria cuidar de tudo, afinal?

Sinto falta daquele machismo que nos impedia de lavar a louça aos domingos, depois de um dia exaustivo onde cuidávamos da comida, da roupa, das compras de mercado, dos filhos, de nós mesmas e da organização da vida de todos para o dia seguinte. Você pode gritar, pode reclamar e me chamar de maluca, mas dos anos 50 pra cá quantas mulheres permanecem cumprindo esses mesmíssimos papéis? 96%. E, vou dizer um negócio, que mal há nisso? Posso queimar sutiã em praça pública, mostrar os peitos, a bunda e gritar contra a objetificação feminina e, ainda assim, depilar minhas pernas. Pintar as unhas. Gostar de sexo. Colorir os cabelos, usar desodorante. Que preguiça eu tenho de quem se obriga a ser uma coisa só.

Tenho saudades daquele machismo que ensinava os filhos a idolatrarem suas mães, a não bater em mulher (nem com uma flor), e a tratar toda e qualquer representante do sexo feminino com respeito, não porque somos fracas, mas porque somos tudo ao mesmo tempo.

Não sei, aliás, quem inventou essa coisa de fraqueza ou força entre os gêneros, que métrica cretina para se avaliar uma pessoa. Até porque, tirar um ser vivo da barriga não é pra qualquer um. E sangrar todo o santo mês independente das nossas escolhas sexuais (e de vida), não me parece coisa de quem não aguenta o tranco. Agora, vai desencravar a unha de um machão de academia, vai. O cara aguenta carregar um carro popular nas costas, mas chora baixinho pra depilar meia perna.

Fraqueza e força, aliás, não dizem nada sobre coisa alguma – e ainda bem. Porque se há uma coisa que nos faz ter vantagem acima dos homens é a nossa sensibilidade em relação a vida – e às suas complicadas ligações e relações que se dão de forma sutil.

Sinto falta daquele machismo que tem inveja das sapatões – porque estas podem ter o melhor de todos os mundos e ainda ser extremamente sensuais fazendo isso – e daquele outro que acredita que os machos precisam ser provedores financeiros ainda que a gente não deixe. Aliás, já disse, vamos parar com isso, mulherada! O cara que nos paga a conta não está fazendo isso porque somos incapazes e inferiores – muito pelo contrário. Ele o faz porque somos incríveis. E nada mais além disso.

Ter ou não dinheiro, gostar de gastar dinheiro, de mostrar dinheiro, ou de qualquer coisa que envolva as capacidades financeiras de alguém – e o poder de controle social que isso gera –  também é uma métrica estúpida demais para avaliar quem somos. Rasa demais pra minha concepção de feminismo.

Num mundo onde se luta por igualdade entre seres tão diferentes eu fico é feliz de ser tratada com gentiliza. Não nos ofendamos com pequenos e poucos gestos de cuidado, com disputinhas por controle e espaço. Uma mulher é estuprada e morta a cada 5 minutos e você ainda continua aí achando que o problema está em pagar a conta do jantar? Por favor. Vamos evoluir.

Já nascemos com a capacidade de ocupar múltiplos – e inúmeros – papéis. Filhas, avós, netas, mães, sobrinhas, amigas, guerreiras, donas de casa, solteiras, divorciadas, histéricas, compreensivas, delicadas, firmes e mais uma porção de adjetivos que podem nos definir, ou nos dividir, com a mesmíssima força. Mas, aparentemente, nada nos une tanto quanto a nossa loucura. Quanto as nossas crises, surtos e inseguranças. Quanto nossas alterações malucas de humor, fome e sono e o quanto isso nada tem a ver com o fato de gostarmos de meninos, meninas, gansos ou de tudo isso junto. É físico.

É natural.

E embora você esteja aí, lamentando ou se felicitando por ter nascido mulher, não pode fugir dessa regra: somos todas desequilibradas. Doidinhas. Surtadas. E incrivelmente sensacionais por isso.

Hoje, no dia internacional da mulher, gostaria de parabenizar os homens que, de tão machistas, ainda conseguem compreender nossas muitas (e complexas variáveis). Há uma esperança, afinal, para a perpetuação da espécie.

A gente também não viveria sem vocês – como pais, avós, filhos, amantes, maridos ou mecânicos.

Porque metade de nós é bem mulherzinha, serei honesta. E no fundo, no fundo, a outra metade, também.

 

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. Quer participar? Então faça parte do nosso grupo no Facebook e inscreva-se no Rotation.

É aí Elka, beleza?

Aqui quem lhe escreve é você mesma, só que 10 anos mais velha. Magra igual, palhaça igual, pobre igual, viu? Não foram nesses últimos 10 anos que você ficou rica, infelizmente. Mas pode ficar tranquila: mesmo você passando um certo tempo sem trabalhar, de-ses-pe-ra-da e entediada na casa dos seus pais por um ano, os outros 9 que sucederão esse sabático te darão bastante pano pra manga. E pouquíssimas horas de sono bem dormidas.


Você não terá esse sorriso torto pra sempre.

 

Não se preocupe com seu peso. Pare agora de fazer essa academia que você inventou. Aliás, no quesito alimentação, só corte a fritura. E as massas. Seu colesterol não será o mesmo daqui pra frente, mas seu corpinho, óh, continuará essa saracura. Por mais que você tente virar marombada a verdade continua essa: vai mirar na Sabrina Sato e acertar na Pepê e Neném. Então, sem crise. Aproveite seu tempo livre – que vai ser cada vez mais escasso – para fazer o que sempre te deu prazer: comer gordices e escrever. E ler também. Muito e sobre tudo.


Você não precisa comer esse tanto de batata frita.

 

Você ainda não sabe, mas vai inventar de fazer outra faculdade em 2009, quando não aguentar mais de tantas boas ideias na cabeça. Vai retomar o hábito de desenhar e vai descobrir uma nova forma de pensar por meio do Design de Produto – e isso vai te ajudar muito quando você precisar ser criativa no trabalho. Santos, definitivamente, não será mais a sua casa, e nesse meio tempo você vai conhecer tantas pessoas – e morar com tantas outras – que a palavra lar terá um novo significado.

Você, que achou que sua vida estaria maravilhosamente diferente depois de 10 anos, errou feio, errou rude. Mas as coisas melhorarão pro seu lado, viu? Você não vai mais trabalhar 15 horas e ganhar 3 dígitos pra sempre, vai ganhar melhor. Mas as horas de trabalho se mantém…Rs… E embora o seu futuro não seja exatamente de luxo, glamour e tranquilidade, você vai realizar uma porção de sonhos materiais super pequenos que hoje você dá muito valor. E vai ser bacana ter percebido que em 10 anos mudam não só as circunstâncias da nossa vida, mas os nossos valores em relação a ela. Sinto muito dizer que você, AINDA, não terá carteira de motorista em 2014, mas embora isso hoje tire o seu sono e te faça infeliz, não vai fazer a menor diferença lá pra frente. Acredite em mim.


Você ainda vai pegar muitas caronas por aí.

 

Queria dizer que você vai desencanar daquele carinha da sua adolescência que te fez começar esse blog e que vai, inclusive, perceber que nem gostava tanto dele assim. Aliás, ele vai ter 2 filhos, casar e você nem vai ligar pra isso. Nesses 10 anos você vai namorar pelo menos umas 3 pessoas, todas incríveis, e aprender muito sobre futuro, expectativas e amor eterno. Você vai ser sincera com o que sente, sempre leal àquilo que acredita e ganhar 3 amigos interessantíssimos pro resto da vida – ou, pelo menos, até o presente momento.

Dando um panorama geral e falando sobre coisas aleatórias, você vai continuar muito feliz e com vontade de viver tudo o que há pra viver. Vai conhecer o Chile em 3 dias, visitar um vulcão e tirar fotos incríveis. Vai desejar ter filhos com uma urgência nunca antes vista, mas não terá nenhum (e ainda bem)! Vai cuidar de um coelho e de uma calopsita nesse meio tempo e  sofrer muito quando os dois forem embora, fica aí o meu aviso. Aliás, pare com essa ideia maluca de ter bichos: nesses 10 anos você mal vai conseguir dar atenção pra você, mas vai fazer um excelente trabalho tentando.

 

Você vai tirar boas fotos em 2009.

Queria te incentivar a nunca parar esse blog e a escrever sempre de forma pessoal. Sei que você desistiu um pouco de falar de si mesma por que, né? Esse mundo é uma merda. Mas, no fim das contas, não é pra aconselhar a si mesma que você perde um tempão formulando esses textos? Preocupe-se só com isso. Isso vai te aproximar de muitas pessoas incríveis e te dar oportunidades que só quem é de verdade tem.

Espero ter ajudado e matado um pouquinho da sua curiosidade.

Que os seus 10 anos sejam saborosos. E que você saiba disso enquanto os estiver vivendo (eu tenho certeza que saberá).

Um beijo,

Ericka (com quase 30).

 

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. Quer participar? Então faça parte do nosso grupo no Facebook e inscreva-se no Rotation. Essa carta, em específico, foi uma inciativa do blog Hypeness. Quer ler outras cartas que já foram publicadas por lá? Clique nessa tag aqui:  “Uma Carta”.

Olá, queridíssimos leitores! Tudo bem?

Gostaria de pedir desculpas pela ausência de posts por aqui. Estou trabalhando em ritmo alucinado e, quando não tenho nada pra fazer, o que é raro, aproveito para: fazer nada. Olha só que beleza.

Brincadeiras à parte, para quem ainda não sabe, nasci em Santos, litoral Sul de São Paulo e em tempos de calmaria sempre acabo por aqui, como boa parte dos paulistanos e interioranos desse Brasil.

Pois bem, no auge do meu ócio, enquanto eu comia uma torta de sorvete MA-RA-VI-LHO-SA que faz valer cada caloria ingerida, eu pensei: que tal fazer um guia de sobrevivência para quem não está familiarizado com as maravilhas desse praião? Por que não dar uma mãozinha pra quem quer comer, beber, dançar e se divertir com um pouquinho mais de dignidade?

Esse post, na verdade, já estava semi-escrito desde a virada de ano quando surgiu esse tema de meme lá no Rotaroots! Se você ainda não faz ideia do que quer dizer esse cazzo, lê até o final pra descobrir! <3

Sei que está  meio fora da temporada de férias e feriados longos, mas você que está aí, de biquíni, tomando sol à toa, com o bumbum na areia e o celular na mão, pode aproveitar minhas dicas hoje, amanhã, semana que vem, ou na próxima oportunidade que estiver por aqui, não é mesmo? Afinal… Planejar-se é preciso!

Diversão, pra mim, é sinônimo de boa comida. Sorry. Vou começar (e terminar), então, por esse item que é fundamental para o nosso bem estar em qualquer lugar do planeta: a alimentação.

Onde comer uma bela sobremesa? Onde está o melhor temaki da cidade? Prometo que depois faço um post com pontos turísticos, tá? Juro. Enquanto isso, #VEM:

 

LUGARES (e comidas Santistas!) QUE VOCÊ NÃO PODE MORRER SEM CONHECER


1 – Temakeria Santista (para os melhores – e mais exóticos – temakis do MUNDO)

R. Goiás, 197 – Gonzaga


Uma única porta, simples, aconchegante e com atendimento rápido. As chances de ter gente esperando na porta para entrar são imensas e digo desde já: espere sem reclamar (porque geralmente a espera é breve!) Para comer no balcão antes da balada ou com os amigos quando der uma fominha.

Temakis tradicionais com peixe fresquissimo, preparados no capricho por alguém que manja muito do que está fazendo e a arma secreta do local: o famoso crisp de mandioca que você pode acrescentar às receitas japorongas. É uma espécie de batata palha (de mandioca!), inventada pelos caras e feita por lá, que dá um sabor alucinante para cada enroladinho. JURO POR DEUS, vocês precisam dar uma chance pra isso!

Pra quem não é fã de alga – e ama peixe – os caras inventaram também uma casquinha fininha, como se fosse de sorvete, só que SALGADA. Chama Croc. Nessa versão, muito recheio e nada de arroz. Vale cada centavo.

Destaque também para as sobremesas que são DE CHORAR. E para os demais pratos tradicionais servidos. Tudo sucesso.

 

2 – Ao Chopp do Gonzaga (para um churrasquinho maroto, temperado no vinho e um chopp Baden Baden)

Av. Ana Costa, 512 – Gonzaga


O sabor da minha infância. Churrasquinho temperado de dar água na boca. A farofa, a batata frita, e o molho de cebola – que é, inclusive, patenteado – são divinos. O preço não é dos mais baratos, a espera geralmente é grande, mas enquanto não é possível se aconchegar com a família (ou os amigos) numa mesa, aproveite para tomar um choppinho Baden. Vem geladíssimo e é tirado com pouco colarinho. Enjoy!

 

3 – Cantina Di Lucca (para massas absurdamente boas, fartas, vinhos incríveis e um ambiente familiar)

R. Dr. Tolentino Filgueiras, 80 – Gonzaga


Um dos meus lugares preferidos da cidade. Massas caseiras extremamente bem feitas, pratos fartos e com muito, MUIITOOOOOO molho! Diferentes opções a um preço pra lá de honesto, com excelente atendimento e estacionamento grátis para clientes. Para sair rolando e voltar chorando de saudades para casa! Recomendo a mistura de molho branco, vermelho e pequenos pedaços de presunto gratinados. Incrível.

 

4 – Churrascaria Veneza (para curtir um espetão misto e o molho de ervas mais sensacional já feito em território nacional)

Av. Washington Luís , 407 – Gonzaga

Carne. Muita, muita carne. Saladão completo servido numa bacia gigante. Uma opção super digna pra quem chega na praia e não está disposto a abrir mão da carne vermelha (e não quer investir muitas Dilmas em um rodízio). Não deixe de pedir o MOLHO DE ERVAS feito por eles. Certamente depois de experimentá-lo você vai ter mais vontade de viver. HAUHAUHUAHUAHUA!

 

5 – Confeitaria Viena (COXINHA).

Av. Ana Costa, 514 – Gonzaga


A melhor coxinha de frango que você já provou na vida com ou sem catupiry.
Se essa iguaria merece pelo menos 500 pontos na escala #celulitenabundapançareacheada, o resto dispensa comentários.

 

6- Capim Limão (o melhor vegetariano-vegano da Baixada! Até quem é louco por carne vai amar!)

R. Prudente de Moraes, 63 - Vila Mathias

Opções que tem sabor para aqueles que não são chegados em carne. Dois pratos diários feitos com tanto, mas tanto carinho pela dona do local que dá até pra pensar em se tornar vegetariano. Juro. E olha que eu sou alucinada por uma carne bovina! Destaque para a sobremesa mais famosa do local: a tal torta de sorvete (do início do post), que vale cada caloria.

O espetinho (sim!!  ESPETINHO!!) e a feijoada  me emocionam só de lembrar. Vá sem preconceitos.

 

7 – Lanches Sevilha (sucos, vitaminas e a torta de banana causar briga na família pelo último pedaço)

Av. D. Ana Costa, 460 – Gonzaga

O Sevilha é um lugar simples, pra sentar no balcão, tomar uma vitamina e comer uma torta de banana inesquecível. Segredo da casa, não experimentei uma parecida em nenhum lugar que já visitei – e olha que já tentei até reproduzi-la em casa. Preços competitivos em todos os itens, vale a pena também experimentar os lanches com bife (sim, bifão de mignon no pão francês!!). São ÓTIMOS.

 

8 - Kokimbos (para uma pizza INCRÍVEL com recheios diferentes)

Rua da Paz, 61 – Boqueirão (tem também em outros 2 endereços, mas esse é meu favorito!)


O preço pode parecer pauli$$$$tano demais para o litoral, mas pela variedade de sabores exóticos e massa fininha, vale a pena. Não tenha preconceito quando te sugerirem um pedaço da de abobrinha. Vem na minha que é super sucesso, I mean it.. Fora isso, o lugar é fofo, agradável, familiar… Uma excelente pedida pra ir com ozamigo tudo.

 

9 – Casa das Bananadas (bônus)

Av. Newton Prado, 49 - Morro dos Barbosas (São Vicente)

Esse lugar é em São Vicente, viu pessoal? E não, São Vicente não é uma praia de Santos. É uma cidade um pouco menor, coladinha da minha, conhecida por ser a 1ª cidade do BrasilZZzzZZzzZZzZzzz, enfim. Lá, desde 1921, existe um lugarzinho, pequeno, chegadinho, em cima do mar, chamado Casa das Bananadas. Além de, obviamente, Bananadas, o lugar vende cocadas – de todas as sortes – doces de abóbora, morangos trufados e outras coisas maravilhosamente caseiras que você PRECISA ingerir para aumentar com força sua probabilidade de ter diabetes antes dos 30.

Além dos docinhos INCRÍVEIS, a vista local é imperdível. Vale ir num dia de bastante sol e tirar bastante selfie virada pro mar. Garanto likes ou seu dinheiro de volta. =)

 

[EDITADO]

10 – O Beduíno - Menção honrosa feat. Toni e Fernanda

Av. Ana Costa, 466 – Gonzaga

(foto pelas lindas do Juicy Santos!)

Árabe de verdade, árabe raiz. Comida honesta, preço justo e um lugar agradável no coração do Gonzaga. Aliás, já repararam que o Gonzaga tem muitas opções gastronômicas, né? Acredito que grande parte da cidade tenha se desenvolvido por lá nos tempos áureos e esses lugares acabaram vingado…

Toni e Fernanda recomendam: Kebab de falafel, TODO o buffet e o café turco.

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Friday February 21, 2014 11:18

a beleza das coisas.

Houve um tempo em que todos queriam namorar a Xuxa. Não sei se vocês, que tem menos de 20 anos, conseguem lembrar disso, mas a Xuxa era gata, era musa, era voluptuosa, mulherão, causava o rolê. Os pais só deixavam seus baixinhos verem aquela xaropada na televisão porque a loirona estaria lá, de maiô decotadíssimo, arrasando nas manhãs sem nenhuma censura, pulando com a molecada e mexendo com o emocional de muitos pais de família desse país.

Hoje a Xuxa não atrai mais suspiros e o mundo ficou tão chato – e politicamente correto – que as musas se tornaram muito mais discretas, acreditem. Mas não é sobre discrição que eu quero falar nesse post.

O que os anos 90 me ensinaram, é que a beleza, de fato, se esvai. E mais que isso: é completamente subjetiva. Ninguém mais lembra da Xuxa como um símbolo sexual. Novas e inúmeras musas surgiram e até naquele tempo outras mulheres eram muito mais interessantes – porém, bem menos nuas – que a rainha dos baixinhos. A Xuxa era musa porque era vista como um objeto de desejo inalcançável, fazia sucesso porque misturava duas realidades distintas e incoerentes – a inocência da infância e os desejos da puberdade. Assim como aquela nova funcionária gostosa no seu trabalho ou o cara gato que tem um escritório no prédio ao lado do seu e você, vira e mexe, encontra no elevador (e dá uma suspiradinha), somos atraídos pelo imaginário, pela casca. Pelas projeções que fazemos de uma determinada pessoa e não por quem essa pessoa, de fato, é.

Em um mês o que é lindo pode se tornar terrível com a convivência ou ainda mais encantador. Nossos relacionamentos são muito mais complexos que olhos verdes e peitos duros, muito mais pessoais que uma barriga tanquinho, e embora todos queiramos – ser e ter – Angelinas Jolies e Brad Pitts, podemos ser infinitamente mais felizes namorando Tiriricas. Como você explica aquelas mulheres maravilhosas com sujeitos feios e vice-versa? Garanto que não é só uma conta bancária recheada que torna tudo mais bonito, até porque, convenhamos, não é todo o feio ricasso – ou bem dotado – que faz sucesso por aí (pelo menos não com menos de 60 e pé na cova).

É natural seguirmos padrões. É natural nos sentirmos atraídos pelos lindos e lindas desse Brasil, mas é preciso ter  cuidado. Muito cuidado ao nos envolvermos apenas com belezas clichês. Nós somos os responsáveis pela nossa felicidade, pelos nossos relacionamentos e mais que isso, por aquilo que desejamos.

A beleza se esvai e o que fica é aquilo que temos de mais importante dentro da gente: nossa personalidade, referências, sonhos, planos, nossos próprios e gigantes fantasmas – que às vezes combinam com os fantasmas do outro e insistimos em ficar.

Quando você encontrar alguém feio, meio torto, mas que te faça sorrir com uma piada sem graça e conversar por horas a fio sobre nada – ou sobre coisas que pra você sempre foram importantes, mas que você nunca teve coragem de admitir – dê uma chance. Essa pessoa, certamente, vai te parecer, a cada dia, mais linda.

A beleza é fundamental, claro. Mas a aparência, sem dúvida, é só uma parte dela.

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Ericka, prazer!

Por que Hipervitaminose?

Cansado do papo furado e irreal sobre relacionamentos? De ficar sonhando com o príncipe (ou a princesa) encantado, lamentando sua solteirice pelos quatro cantos do planeta? Cansado de não entender o que faz de errado? Cansado de achar que é o ÚNICO no mundo a ter todos esses problemas? Bem vindo ao Hipervitaminose! Um espaço com crônicas sobre a vida, depoimentos, histórias e análises sinceras - minhas e alheias - de quem já está cansado (e diabético) de tanto blá-blá-blá relacionamental sem eficiência. Fique à vontade!

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